França: 'Vitória foi adiada', diz Le Pen após projeção favorável à esquerda

A líder do partido de extrema direita francês RN (Rassemblement National, Reunião Nacional em português), Marine Le Pen, afirmou que sua vitória foi "adiada". As primeiras estimativas apontam que uma frente republicana impediu que a Reunião Nacional vencesse a eleição legislativa na França, cujo segundo turno foi realizado neste domingo (7).

O que aconteceu

Le Pen afirmou que viu as sementes de uma vitória futura. "Nossa vitória foi apenas adiada", disse ela ao canal francês TF1 TV.

A líder do Reunião Nacional afirmou ainda que Macron estava agora em uma "situação insustentável". "Tenho muita experiência para ficar desapontada com um resultado em que duplicamos o número dos nossos deputados", acrescentou Le Pen.

"Se não houvesse este acordo antinatural entre Macon e a extrema esquerda, o RN teria maioria absoluta", avaliou. Segundo as primeiras projeções, a coligação de esquerda Nova Frente Popular obteria entre 172 e 215 dos 577 assentos na Assembleia Nacional (câmara baixa), seguida pela aliança governista de centro-direita com 150 a 180. O RN e seus aliados conseguiriam entre 115 e 155 assentos, apesar de as projeções da semana passada lhes darem uma maioria absoluta e as de dois dias atrás, uma vitória simples.

A maré está subindo. Desta vez não subiu o suficiente, mas continua subindo e, consequentemente, nossa vitória apenas foi adiada.
Marine Le Pen

Bardella admite derrota na França, mas critica 'esquerda incendiária'. O presidente do partido Reunião Nacional, Jordan Bardella, admitiu a derrota da extrema direita nas urnas neste domingo (7). Em um discurso crítico, ele chamou a esquerda de "incendiária".

Bardella disse que não é possível "privar milhões de franceses de ter suas ideias do poder", em referência à derrota da extrema direita nas urnas. O presidente do partido Reunião Nacional disse ainda que "extrema esquerda incendiária não vai levar o país a canto nenhum."

O líder do partido Reunião Nacional chamou a coalizão de esquerda de "armações eleitorais perigosas". Segundo Bardella, houve um "regresso na política francesa". O deputado disse que os acordos jogam "a França nos braços da extrema esquerda".

Ele afirmou ainda que, apesar da derrota, da extrema direita nas urnas "vento jamais parará de soprar". Ele afirmou que uma grande esperança se levantou. O líder de direita disse que o partido fará reuniões internas e vai trabalhar no Parlamento Europeu para avançar com temas relacionados à extrema direita. "Queremos restaurar a soberania da nação. Um mundo velho caiu e nada pode parar um povo que voltou a ter esperanças ", afirmou.

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Os eleitores na França votaram para 501 dos 577 assentos na Assembleia Nacional. As outras 76 disputas foram vencidas diretamente no primeiro turno de votação. Na semana entre os dois turnos, mais de 200 candidatos de centro e de esquerda desistiram das disputas para aumentar as chances de seus adversários moderados e impedir que candidatos da Reunião Nacional, partido de extrema direita, vencessem.

Medida do presidente Emmanuel Macron de dissolver o Parlamento e convocar novas eleições parece ter funcionado, aponta especialista. "A estratégia de Macron funcionou no sentido de provar que a extrema-direita ainda não é maioria no país. Contudo, cresceram tanto no Parlamento nacional, em relação aos resultados das últimas eleições de 2022, quanto no Parlamento Europeu", diz Urião Fancelli, especialista e mestre em Relações Internacionais.

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