Gelo 'panqueca' e correnteza: como é o rio Potomac, onde avião caiu nos EUA
O rio Potomac, que corta a região centro-leste dos Estados Unidos, voltou ao noticiário após um avião comercial da American Airlines colidir com um helicóptero militar e cair em suas águas geladas na noite desta quarta-feira (29).
O que aconteceu
Equipes de resgate foram mobilizadas logo após o acidente, mas enfrentam dificuldades na busca por sobreviventes devido às condições adversas do rio. O The Washington Post destacou que as baixas temperaturas e a forte correnteza dificultam os trabalhos dos mergulhadores.
O Potomac tem cerca de 616 km de extensão e serve como um divisor natural entre os estados da Virgínia, Virgínia Ocidental, Maryland e o Distrito de Colúmbia. Ele atravessa áreas urbanas e regiões de preservação ambiental, sendo um dos principais cursos d'água da costa leste dos EUA, segundo o National Park Service.
A profundidade do rio varia ao longo de seu percurso, mas a média é de 7 metros, com 32 metros em sua zona mais profunda, perto do Morgantown, em Maryland. Estima-se que na área do acidente seja de aproximadamente 2,5 metros. Segundo o The Guardian, apesar de não ser extremamente profundo, a correnteza e a presença de obstáculos submersos tornam a navegação perigosa, especialmente em condições climáticas adversas.
No domingo (26), o jornal The Washington Post publicou uma matéria sobre o formato de gelo no rio, conhecido como 'gelo tipo panqueca'. "As placas circulares giram e colidem umas com as outras há dias, presas nos redemoinhos do rio". diz o texto.
Atualmente, as equipes de resgate lidam com águas turvas, ventos fortes e a possibilidade de gelo na superfície, reduzindo a visibilidade e dificultando o acesso aos destroços. As informações são da CNN.
Durante o inverno, as águas do Potomac podem atingir temperaturas próximas ao congelamento, com médias de 2°C nos meses mais frios. A WeatherSpark, plataforma especializada em dados meteorológicos, informou que essa condição extrema aumenta significativamente os riscos para qualquer pessoa exposta ao rio por um longo período. Nessas temperaturas, a hipotermia pode se instalar em poucos minutos, tornando a sobrevivência quase impossível para vítimas de acidentes no local.
Mergulhadores enfrentam, além da baixa temperatura da água, a correnteza e os destroços da aeronave, que representam um risco adicional para as operações. Segundo o The Washington Post, apesar dos desafios, as autoridades seguem empenhadas na localização de vítimas e na investigação do acidente.
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Importância histórica e ambiental
O Potomac tem grande importância histórica e ambiental para os Estados Unidos. Segundo a Smithsonian Magazine, o rio foi uma via de transporte essencial para povos indígenas e colonizadores europeus e, atualmente, abastece milhões de pessoas na região metropolitana de Washington, D.C.
Além disso, é um ecossistema fundamental para a fauna e flora local. A Potomac Conservancy, organização dedicada à proteção do rio, alerta que a poluição e a urbanização representam desafios constantes para a preservação da qualidade da água e da biodiversidade da região.
O The New York Times destacou que o Potomac já foi palco de outros incidentes fatais no inverno, incluindo o acidente do voo 90 da Air Florida, em 1982, quando um avião caiu no rio logo após a decolagem.
O acidente
Na noite desta quarta-feira (29), um avião comercial da American Airlines colidiu com um helicóptero militar sobre o Rio Potomac, em Washington, D.C. O avião transportava 60 passageiros e quatro tripulantes, enquanto o helicóptero Black Hawk do Exército dos EUA levava três soldados. Até o momento, as autoridades confirmaram não haver sobreviventes, e pelo menos 28 corpos foram recuperados das águas geladas do rio.
As causas da colisão continuam sob investigação. Informações preliminares indicam que o helicóptero militar estava em um voo de treinamento no momento do acidente. Os controladores de tráfego aéreo perguntaram à tripulação do helicóptero se eles tinham o avião à vista momentos antes da colisão, mas não houve resposta. As autoridades estão analisando as comunicações e procedimentos adotados para entender o que levou à tragédia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, se manifestou sobre o acidente, questionando as ações do helicóptero militar e dos controladores de tráfego aéreo. Em uma postagem na rede social Truth, Trump perguntou: "Por que o helicóptero não subiu, desceu ou virou?" e "Por que a torre de controle não disse ao helicóptero o que fazer, em vez de perguntar se eles viam o avião?".
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