Rabino cria normas que proíbem emoticons para judeus ortodoxos

Juan Carlos Sanz

  • Reprodução/YouTube Mahon Meir français

    Rabino Shlomo Aviner durante entrevista para TV

    Rabino Shlomo Aviner durante entrevista para TV

"Há pessoas que em vez de responder 'Amém' em um SMS envia o emoticon das palmas das mãos unidas, que tem origem no paganismo do Extremo Oriente e no cristianismo. Não é 'kosher' [adequado]." Na era dos telefones inteligentes, das mensagens instantâneas e da globalização, o rabino israelense Shlomo Aviner considera necessário introduzir novos preceitos nas tábuas da lei para proteger a moral de sua comunidade de fiéis. O rabino ultranacionalista Aviner ditou normas práticas que vão desde o uso de emojis no celular até como enfrentar costumes aparentemente inocentes da vida cotidiana.

Se o ideograma com as palmas das mãos juntas representa render-se a tradições religiosas alheias, o de cruzar os dedos para desejar boa sorte não é menos censurável. "Simboliza a recriação de uma cruz com a esperança de receber a proteção de Jesus de Nazaré", adverte o rabino no site israelense Kippa.

Nascido na França em 1943, Aviner emigrou para Israel a tempo de combater na Guerra dos Seis Dias (1967) e na do Yom Kipur (1973). Depois estudou a Torá em uma yeshiva (escola rabínica) em Hebron (Cisjordânia) e começou a exercer seu ministério nas colinas do Golan (território sírio ocupado).

Desde 1981 está à frente da sinagoga do assentamento de Beit El (vizinho a Ramallah) e é o decano da yeshiva de Ateret Cohanim, organização que persegue a implantação de uma maioria de população judia em zonas de Jerusalém Oriental, incluindo o bairro muçulmano da Cidade Velha, deslocando seus moradores palestinos.

O rabino Aviner conta com milhares de seguidores de seus livros e artigos ou de seu blog em inglês e seus programas de rádio. A todos eles prescreve novos mandamentos morais, de acordo com uma informação publicada pelo jornal "Yedioth Ahoronoth". Por exemplo, bater na madeira não é kosher, já que se relaciona à adoração dos antigos ídolos ou à cruz da cristandade.

Comemorar o Dia dos Inocentes também equivale a mergulhar no paganismo e no calendário cristão, além de ser "uma idiotice", acrescenta o rabino. Utilizar a expressão evangélica "o sal da terra" (Mateus, 5:13) como elogio é contrário à tradição judaica, pois tem sentido pejorativo ao referir-se à destruição de Sodoma e Gomorra (Gênese, 19).

A doutrina do rabino ultranacionalista tolera, entretanto, jogar xadrez com a peça do rei ou utilizar um canivete suíço, desde que se retirem ou escondam convenientemente as cruzes que ostentam. O sinal de mais (+) não é proibido pela halaha, a lei judaica, já que não deve ser considerado um símbolo religioso, e sim matemático.

Da mesma forma, franquear uma carta com um selo dos correios no qual figure uma cruz também não deve ser interpretado como um ato de idolatria, pois se trata de uma decisão das autoridades postais. É permitido até comer biscoitos em forma de árvore de Natal, se for o caso, sem que os temerosos de Deus caiam na tentação ou percam a fé.

Diante das superstições que aterrorizam a outros, os judeus não devem ter medo de passar embaixo de uma escada --"representação da crença cristã na Santíssima Trindade", argumenta Aviner--, nem de sentar-se em uma fileira 13.

Além de destacar-se por suas recomendações para lidar com os perigos que afligem os religiosos ortodoxos na vida cotidiana, o rabino ultranacionalista também alcançou notoriedade em Israel por suas doutrinas polêmicas. Ele afirma que as mulheres são proibidas de se apresentar como candidatas ao Knesset (Parlamento), por considerar contrário à moral que uma deputada possa se dirigir a um público de homens. E também defende a terapia de reorientação para homossexuais, voltada a inibir o desejo, apesar de estar proibida pelo Ministério da Saúde israelense.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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