Passageiros contam como levam as próprias refeições em viagens aéreas nos EUA

Joshua Brockman

  • Joshua Lott/The New York Times

Os viajantes a negócios têm muito em que pensar quando voam. Assim que o avião decola, notebooks são colocados nas bandejas. Mas mergulhar em planilhas, planos de negócios e e-mails exige sustento.

Assim, o que está no cardápio das companhias aéreas? Não muito se você não viajar na primeira classe, como no caso de Mike DeFrino, presidente-executivo do Kimpton Hotels and Restaurants.

"Não há nada pior do que um voo de seis horas e ficar limitado a Pringles no avião ou o que quer que esteja pré-embalado", disse DeFrino, que é de San Francisco. "Assim, sempre pego algo no aeroporto."

À medida que as companhias aéreas continuam restringindo os alimentos no serviço de bordo para a maioria dos passageiros, viajantes frequentes estão encontrando formas criativas de permanecer nutridos, hidratados e energizados independente de estarem cruzando o país ou viajando pelo mundo.

DeFrino adota uma abordagem direta, comprando um sanduíche de peru em uma delicatéssen no Aeroporto Internacional de San Francisco antes de embarcar.

Ele disse estar ciente das dificuldades que podem ser experimentadas a bordo, onde os passageiros às vezes ficam apertados. Isso exige um grau de respeito mútuo, especialmente nas refeições, ele disse. Isso significa não levar alimentos quentes, como chow mein de carne, ou qualquer outra coisa que possa cheirar na cabine. Um sanduíche de salada de atum? Nem pensar.

Para lanchinhos a bordo, DeFrino estoca carne seca em sua pasta, assim como amendoim, frutas secas e barras de cereais.

Gabrielle Novacek, uma sócia do Boston Consulting Group em Chicago, é uma viajante da classe executiva que desfruta do mesmo status cobiçado –Concierge Key da American Airlines– que Ryan Bingham, o personagem de George Clooney no filme "Amor Sem Escalas", de 2009.

Uma competidora de triatlo, ele prefere criar uma despensa de viagem. Ela embala suas próprias refeições em casa, que ela complementa com compras no aeroporto. Ela leva cuscuz ou arroz, acompanhados com alguns vegetais frescos ou proteína, que podem ser comidos frios. A meta dela é evitar sal, gordura, conservantes e alimentos processados.

"Eu sempre prefiro comprar os ingredientes, porque geralmente é difícil encontrar uma refeição pronta, pré-embalada", ela disse. "Mas quando você consegue encontrar os ingredientes para montar um prato, é possível ter uma refeição que satisfaz." Ela falou após um café da manhã de frutas picadas em casa acompanhadas com mingau de aveia do Starbucks, durante sua viagem semanal do Aeroporto Internacional O'Hare, em Chicago, para o La Guardia, em Nova York.

Após passar pela segurança, Novacek frequenta um mini mercado, onde estoca sua despensa –uma lancheira de neoprene Built preta– com iogurte grego, queijo de baixa gordura e sanduíches com seitan ou outros ingredientes veganos. Ela também leva MacroBars orgânicas.

Como atleta, ela está ciente sobre permanecer saudável e hidratada, de modo que toma uma bebida em pó para reforçar o sistema imunológico no café da manhã antes de qualquer voo com mais de quatro horas de duração.

Os passageiros são autorizados a levar alimentos sólidos, mas a Administração de Segurança nos Transportes proíbe levar mais de 100 ml de líquidos de consumo, iogurtes ou pastas, como patês, nos voos.

Os passageiros de voos internacionais contam com o desafio adicional de cruzar muitos fusos horários, o que pode confundir o relógio do corpo.

Peter R. Huntsman, o presidente-executivo da Huntsman Corporation, uma empresa química global, voa regularmente de Houston para a Ásia, incluindo China, Índia e Arábia Saudita, e para a Europa. Ele se prepara para esses voos longos ajustando seu ciclo de sono um dia ou dois antes da viagem, correndo 6 a 10 km toda manhã, e comendo uma dieta 90% vegetariana, acompanhada de peixe.

Executivos que voam na primeira classe ou na classe executiva, como ele, têm a obrigação de usar de forma eficaz no tempo no ar, para que possam já chegar prontos para o trabalho, ele disse.

"Isso significa que não pode abusar do álcool e de alimentos. É preciso tirar proveito do assento e dormir, e tirar proveito de poder chegar descansado e pronto para trabalhar", disse Huntsman. "Isso é bom do ponto de vista econômico."

Huntsman, que conta com o status apenas por convite de Global Services na United, diz que prefere a qualidade e variedade do cardápio oferecido por companhias aéreas estrangeiras como Lufthansa, Air France e Singapore Airlines.

Ele cria seu próprio cardápio ao escolher os itens para uma refeição leve e um lanche a partir do que é oferecido. Um prato que se destaca é o meze árabe da Emirates, que combina homus, baba ganoush e charutos de folha de uva.

Leila Janah, a presidente-executiva do Sama Group  e da Laxmi, passa por tantos aeroportos que lista sua localização no Twitter como San Francisco "ou uma mala". O Sama Group sem fins lucrativos ajuda pessoas a escaparem da pobreza, ao conectá-las com trabalho que paga um salário mínimo, entre outros empreendimentos. A Laxmi, uma empresa com fins lucrativos que compartilha a missão social do Sama, vende produtos de beleza de luxo para pele.

Janah disse que suas viagens para o Quênia, Uganda e Ruanda a obrigam a fazer concessões em sua dieta: "Sou 80% vegana e 20% o que quer que encontre, porque viajo muito para países pobres, onde as pessoas fazem um esforço imenso para me fornecer alimento".

Ela leva seus próprios saquinhos de chá chai, que ela prepara em uma chaleira de aço inoxidável, e também leva frutas secas e amendoim, além de barras de cereais orgânicas e sem glúten.

"Eu basicamente como de forma parecida a uma caçadora-coletora quando possível", ela disse. "Descobri que é a única forma de manter meu corpo regulado."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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