Condenado pela 9ª vez por dirigir bêbado, homem pega prisão perpétua nos EUA

Daniel Victor

  • Montgomery County Sheriff's Office via The New York Times

    Donald Middleton, 56, condenado nove vezes por dirigir embriagado nos EUA

    Donald Middleton, 56, condenado nove vezes por dirigir embriagado nos EUA

Suas primeiras oito condenações por dirigir embriagado não impediram Donald Middleton, de Houston, de novamente pegar na direção após beber e assim receber sua nona condenação. 

Quando Middleton, 56 anos, se viu diante da juíza Kathleen Hamilton, da 359ª Corte Distrital do Texas, na terça-feira (7), ela o sentenciou à prisão perpétua. Ele só terá direito a liberdade condicional após cumprir 30 anos. 

Uma sentença tão dura é incomum para condenações por embriaguez ao volante, que com frequência leva a suspensão temporária da carteira de motorista e penas de prisão que permitem aos infratores reincidentes voltarem às ruas. No caso de Middleton, ele ainda tinha uma carteira de motorista válida, apesar das oito condenações. 

O caso de Middleton levanta a questão: quantas vezes alguém tem que ser pego dirigindo embriagado antes dele ou dela não mais poderem dirigir legalmente? 

Ele foi detido em maio de 2015 após contornar na mão errada de direção e colidir de frente com um veículo dirigido por um jovem que estava voltando para casa do trabalho em um mercado. Middleton correu para uma loja de conveniência próxima e pediu repetidamente para o atendente o escondê-lo, disseram os promotores. 

Ele apresentava um nível de álcool no sangue de 1,84 g/l, mais que o dobro do limite legal, 0,8 g/l, segundo Justin Fowles, um promotor-assistente do condado de Montgomery. Middleton se declarou culpado de dirigir embriagado e está na prisão desde então. 

O jovem, Joshua Hayden, não se feriu, mas seu pai, Rowdy Hayden, disse em uma entrevista por telefone que apreciou a sentença dura da juíza. 

"Fico furioso, como pai, por esse indivíduo ter enfrentado a Justiça oito vezes e ainda assim permanecia por aí colocando em risco nossos cidadãos nas ruas, ao beber e dirigir", disse Rowdy Hayden, um policial do condado de Montgomery. "Seus antecedentes mostram que continuaria dirigindo embriagado. E, quem sabe, na próxima vez poderia acabar matando alguém." 

Middleton já teve quatro passagens pela prisão por dirigir embriagado. Em sua oitava condenação, em 2008, ele bateu na traseira de um carro com várias pessoas no interior, que tiveram ferimentos leves. Middleton caiu do carro e não conseguia se levantar, disse Fowles. 

A condenação por aquele episódio levou a uma pensa de prisão de 13 anos, dos quais ele cumpriu quatro. Após a mais recente condenação, ele foi classificado como infrator habitual, o que permite uma sentença mais longa. 

"Ele provou para nós que sua liberdade não pode lhe ser confiada, que é um risco para nossa comunidade e que a melhor coisa para a segurança de todos nas ruas é que nunca possa dirigir de novo", disse Fowles em uma entrevista por telefone.

As leis para impedir motoristas embriagados reincidentes variam enormemente de Estado para Estado, mas os reincidentes tendem a receber múltiplas novas chances. A Administração Nacional de Segurança Rodoviária estima que 1 entre 3 pessoas presas por acusação de dirigir embriagada é reincidente. 

Em Minnesota, um homem de 61 anos foi solto da prisão no ano passado após cumprir uma pena de cinco anos por sua 27ª condenação por embriaguez ao volante. Na Pensilvânia, um homem foi preso cinco vezes em menos de um ano, mas nunca perdeu sua carteira de motorista ou cumpriu mais de 10 dias de cadeia. 

As punições também variam de um Estado para outro. Em Nova York, uma terceira acusação de dirigir embriagado pode resultar em uma multa de US$ 10 mil (cerca de R$ 34 mil) e sete anos de prisão, apesar das penas aumentarem por múltiplas violações em 25 anos. No Arkansas, os motoristas perdem permanentemente a carteira de motorista na quarta infração por dirigir embriagado em cinco anos, além de serem indiciados criminalmente. 

J.T. Griffin, o diretor para assuntos de governo da Mães Contra a Embriaguez ao Volante, disse que a organização se concentra na promoção de dispositivos que travam a ignição, que exigem que alguém condenado por dirigir embriagado passe por um teste de bafômetro antes de dar partida no carro. Vinte e sete Estados têm leis que exigem seu uso, incluindo Nova York, ele disse. 

Suspender a carteira de motorista pode ser ineficaz quando tantas pessoas continuam dirigindo sem uma carteira válida, ele disse. 

"Nós acreditamos em uma ação eficaz contra a embriaguez ao volante na primeira vez, para que não haja uma segunda, terceira ou quarta vez", disse Griffin. "A primeira vez é inaceitável. Nove vezes é simplesmente ridículo."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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