Político indiano quer salvar erva que brilha no escuro. Mas será que ela existe?

Ayesha Venkataraman

  • Getty Images/iStockphoto

    Himalaia vista de Uttarakhand, Índia

    Himalaia vista de Uttarakhand, Índia

O sanjivani tem tudo que caracteriza um mito: é uma erva que brilha no escuro e tem o poder de reavivar os moribundos, arrancando-os de volta da neblina da inconsciência. No "Ramayana", um épico hindu sagrado, a erva é usada para ressuscitar tanto o deus-herói Rama quanto seu irmão mais novo Lakshmana.

Poderia ela realmente existir? Um ministro do governo no Estado indiano de Uttarakhand quer organizar uma expedição para descobrir.

Surendra Singh Negi é o ministro da Medicina Alternativa, e ele diz estar preocupado com o fato de que os seguidos incêndios florestais nos Himalaias possam estar dizimando uma vegetação rara e valiosa. Ele diz que é possível dizer que as colinas de Uttarakhand são abundantes em plantas medicinais a partir da fumaça perfumada que os incêndios liberam.

As ervas medicinais são essenciais para a prática tradicional da medicina ayurvédica na Índia. Mas pouco foi feito para se estudar cientificamente e preservar as ervas medicinais dos Himalaias, diz Negi. Então ele propôs que fossem gastas 250 milhões de rúpias (mais de R$12 milhões) em dinheiro de impostos para enviar uma equipe de médicos ayurvédicos para as montanhas.

Mayaram Uniyal, o consultor de ayurveda para o Estado, diz que uma erva que poderia ser a versão da vida real do lendário sanjivani foi vista crescendo nos declives de Dunagiri, uma montanha no norte de Uttarakhand.

"Ela tem uma fragrância especial, com um brilho ímpar, e acende no escuro", diz Uniyal. "Tanto suas flores quanto sua seiva são amarelas. A erva é muito usada por pastores locais quando alguém está inconsciente, com dor ou mesmo estressado."

"Precisamos estudar seus princípios ativos com testes clínicos, para conseguir saber o quê exatamente ela tem que ressuscita um homem inconsciente", diz Uniyal. Ele diz ainda que embora sejam grandes as expectativas em torno da planta, ninguém espera que ela tenha a capacidade que o "Ramayana" atribui ao sanjivani, de ressuscitar os mortos.

"Pode-se dizer que essas são histórias criativas", diz Robert P. Goldman, professor de sânscrito na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e principal tradutor de uma edição crítica do "Ramayana". "É interessante como essas coisas chegam até a modernidade como tradições que as pessoas seguem."

Uma busca similar pelo sanjivani foi proposta em Uttarakhand em 2009, mas ela não recebeu financiamento. Desta vez, "deve acontecer", de acordo com Negi.

"Quando você decide uma coisa", ele diz, "o caminho vem recebê-lo e você atinge seus objetivos."

Tradutor: UOLL

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