Mercados de Natal: uma tradição querida para os europeus, mas difícil de ser protegida

Alissa J. Rubin

Em Paris (França)

  • Patrick Hertzog/AFP

    Artistas de rua vestidos como Papai Noel se apresentam no Mercado de Natal, em Estraburgo, no leste da França. O mercado é um dos maiores e mais famosos da Europa e foi aberto no dia 25 de novembro, sob um forte esquema de segurança

    Artistas de rua vestidos como Papai Noel se apresentam no Mercado de Natal, em Estraburgo, no leste da França. O mercado é um dos maiores e mais famosos da Europa e foi aberto no dia 25 de novembro, sob um forte esquema de segurança

Neste ano, o anual mercado de Natal de Estrasburgo, na França, foi aberto sob forte esquema de segurança. Em vez do habitual brilho das decorações natalinas na praça central, que é dominada por um pinheiro de 30 metros, as autoridades a deixaram praticamente vazia, para o caso de precisarem montar um hospital de campo.

Antes que qualquer pessoa possa chegar ao mercado, ela precisa passar por um dos 15 postos de controle que fortificam o centro da cidade. Veículos não são autorizados nas ruas próximas do mercado, e as paradas de bonde mais próximas foram temporariamente fechadas.

Em um momento em que ataques terroristas se tornaram familiares demais, os espaços públicos deixaram de ser supostamente seguros, incluindo os ubíquos mercados de Natal que são montados por todo o continente nesta época do ano.

Patrick Hertzog/AFP
Policial faz patrulha no Mercado de Natal, em Estraburgo, no leste da França, enquanto turistas fazem suas compras

Assim, quando um caminhão invadiu um desses mercados em Berlim, a cerca de 750 quilômetros de Estrasburgo, na noite de segunda-feira, não ficou claro se terrorismo foi o motivo, mas foi o primeiro pensamento de muitas pessoas.

Se estiveram certas, dificilmente seria inesperado. Pelo menos duas vezes neste ano, extremistas islâmicos na Europa usaram um veículo para matar pessoas. Ocorreram pelo menos nove ataques ou tentativas de ataque na Alemanha em 2016, assim como em pelo menos cinco outros países europeus: França, Itália, Bélgica, Rússia e Sérvia.

E esses ataques ocorreram de toda forma possível, de atentados a bomba a decapitações. Aqueles que os executam são jovens e velhos. Para aumentar o senso predominante de temor, o terrorismo na Europa parece não ter face, método ou alvo, nem conhece fronteiras nacionais.

Acima de tudo na França, o país europeu que sofreu mais ataques, eles se tornaram parte da vida. O ataque mais mortífero na Europa neste ano foi executado por um motorista solitário em Nice em 14 de julho. Ele usou um caminhão de carga para atropelar o público de saída da festividade anual de queima de fogos, matando 90 pessoas. Ocorreram pelo menos nove outros ataques ou tentativas de ataque no país.

Em um comentário muito criticado feito após as mortes em Nice, o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, disse: "Os tempos mudaram e devemos aprender a conviver com o terrorismo. Temos que demonstrar solidariedade e uma calma coletiva".

Um estado de emergência está em vigor na França desde os ataques de novembro de 2015 em Paris e proximidades, que mataram 130 pessoas. Mas o sentimento começou a mudar cerca de 10 meses antes, quando dois homens armados entraram na redação do jornal satírico "Charlie Hebdo", em janeiro de 2015, e mataram 10 cartunistas e dois policiais.

Bolsas são revistadas quando os clientes entram nos supermercados, antes do público entrar em teatros, e nas entradas de eventos esportivos e lojas de departamentos.

A proximidade do Natal representa um grande desafio para as autoridades. Trata-se do feriado individual mais celebrado em um continente onde a maioria das pessoas é católica ou protestante. Os mercados são um evento prezado em cidades grandes e mesmo pequenas, que enfeitam seus centros históricos para celebração das Festas.

Eles também são uma atração turística que atraem muitas pessoas que desejam um vislumbre do Velho Mundo, que pode parecer ao mesmo tempo pitoresco e ainda muito vibrante.

A tradição do mercado de Natal é especialmente querida no mundo de língua alemã, onde se originou na Idade Média.

Berlim tem vigília pelas vítimas de atentado em Mercado de Natal


Alemanha, Áustria e Suíça, assim como lugares como Estrasburgo, uma cidade francesa que já foi alemã, contam com celebrações elaboradas. Esses mercados ao ar livre, que com frequência ocupam ruas antigas pitorescas, coincidem com o período do Advento, os quatro domingos que antecedem o Natal e que se tornaram um mês de desculpa para socialização, compras e beber ponche quente de vinho, assim como para concertos informais ao ar livre.

Famílias frequentam os mercados de Natal. Assim como pessoas que trabalham no centro, que aproveitam a hora do almoço para comprar um presente aqui e outro acolá, e também beber algo.

Mas os mercados são difíceis de proteger e um assassino determinado quase sempre encontrará uma forma de entrar e causar o caos.

Daí a segurança pesada em Estrasburgo. Precauções semelhantes foram tomadas em Metz, outra cidade na Alsácia-Lorena que realiza um famoso mercado de Natal.

Preocupado após as mortes em Berlim na segunda-feira de que talvez essas precauções não fossem suficientes, Bruno Le Roux, o ministro do Interior francês, pediu a todos os agentes da lei que redobrassem os esforços de vigilância e anunciou que reforçaria a segurança nos mercados de Natal por toda a França.

 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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