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De socorristas a anônimos, eles protagonizaram 19 atos de heroísmo em 2017

Criança é resgatada pelo telhado e levada para um dos barcos que atuam no resgate dos sobreviventes nas áreas alagadas pela passagem da tempestade Harvey - Barbara Davidson/The New York Times
Criança é resgatada pelo telhado e levada para um dos barcos que atuam no resgate dos sobreviventes nas áreas alagadas pela passagem da tempestade Harvey Imagem: Barbara Davidson/The New York Times

Millie Tran e Daniel Victor

28/12/2017 04h00

Quando há um ataque terrorista, há socorristas corajosos. Onde há um tiroteio em massa, há transeuntes abnegados que protegem estranhos e tendem a se ferir. Quando há um desastre natural, há alguém checando se o vizinho está bem. 

A mídia com frequência os declara “heróis”, apesar de em muitos casos recusarem o título. Eles insistem que estão apenas fazendo seu trabalho, fazendo o que qualquer um faria na mesma situação. 

Independente de como os chame, essas pessoas foram responsáveis pela maioria das histórias edificantes deste ano. Violência e destruição costumam minar a esperança, mas atos de altruísmo e abnegação em meio ao perigo oferecem um raio de luz quando as pessoas mais precisam disso. 

Eles forneceram os momentos mais positivos, com frequência pouco notados, em um ano em que histórias de heroísmo coletivo foram as manchetes: as mulheres que denunciaram assédio, abuso e ataques sexuais por homens poderosos. Os estudantes imigrantes ilegais que demonstraram excelência diante de um ambiente político hostil nos Estados Unidos.

Os advogados de direitos humanos sitiados que desafiam um governo chinês cada vez mais autoritário. Os adolescentes nativo-americanos que ajudaram a suspender a construção de um oleoduto que devastaria suas terras nas Dakotas do Norte e do Sul. 

Aqui estão alguns dos atos menos proeminentes de coragem por indivíduos comuns que estiveram por trás das notícias, homens e mulheres que arriscaram suas vidas, correram na direção do perigo ou nos inspiraram de outras formas em 2017. 

Saiba mais:

Muçulmanos levantaram dinheiro para ajudar instituições judaicas que foram atacadas

Após cemitérios judeus na Filadélfia e perto de Saint Louis serem vandalizados, e a ocorrência de ameaças de bomba contra creches e centros comunitários, milhares de muçulmanos e outros doaram mais de US$ 136 mil para os reparos. 

Um homem se jogou na frente de um atirador que tinha matado um imigrante indiano 

O homem, Ian Grillot, 24 anos, foi baleado ao intervir em um crime de ódio em Olathe, Kansas. A India House Houston, uma organização sem fins lucrativos, posteriormente levantou dinheiro para uma recompensa, que Grillot usou para comprar uma casa. 

Um morador de rua ajudou crianças feriadas em um ataque terrorista na Inglaterra

O fato de ser morador de rua não significa que eu não tenha coração, ou que não seja um ser humano”, disse o homem, Stephen Jones, 35 anos, para a “ITV News”. O ataque em Manchester, o ataque terrorista mais mortal em uma década no Reino Unido, resultou em 22 mortos e dezenas de feridos. 

Sem-teto Stephen Jones, que ajudou vítimas do atentado de Manchester - Reprodução / YouTube - Reprodução / YouTube
Sem-teto Stephen Jones, que ajudou vítimas do atentado de Manchester
Imagem: Reprodução / YouTube

Meninas adolescentes na Nigéria, sequestradas pelo Boko Haram e obrigadas a usar coletes suicidas, conseguiram escapar e contar suas histórias 

Eu não queria uma situação na qual fosse o motivo para a morte de alguém”, uma delas disse em entrevista ao NYT. O uso de crianças tem se tornado tão comum que os cidadãos são alertados a ficarem de olho em meninas-bomba. 

26.out.2017 - Falmata B., 15, que se recusou a carregar uma bomba suicida para o Boko Haram, em Maiduguri, Nigéria - Adam Ferguson/NYT - Adam Ferguson/NYT
Falmata B., 15, que se recusou a carregar uma bomba suicida para o Boko Haram
Imagem: Adam Ferguson/NYT

Um ilustrador da Colômbia saltou nos trilhos do metrô em Manhattan para ajudar um morador de rua que tinha caído 

“Se ninguém fizer nada, ele vai morrer”, David Capuzzo, 26 anos, lembrou de ter pensado. Um repórter do “New York Times” testemunhou o resgate na estação da Segunda Avenida, no Lower East Side de Nova York. 

Presidiárias da Califórnia se candidataram para combater os incêndios florestais, às vezes arriscando suas vidas

Cerca de 250 mulheres participaram do programa. Elas receberam menos de US$ 2 (cerca de R$ 6,60) por hora pelo trabalho árduo e perigoso. 

Uma filósofa francesa, que elogiava aqueles que se arriscavam, morreu salvando crianças que se afogavam

“Quando há realmente um perigo que precisa ser enfrentado visando sobreviver, há um forte incentivo para ação, dedicação e superação”, disse Anne Dufourmantelle em uma entrevista em 2015. Quando chegou a hora, ela agiu, mergulhando no Mediterrâneo para salvar duas crianças que estavam se afogando. Ela morreu, mas as crianças sobreviveram. 

Anne Dufourmantelle - (Foto: Divulgação) - (Foto: Divulgação)
Anne Dufourmantelle, filósofa francesa
Imagem: (Foto: Divulgação)

Três homens intervieram para impedir um ataque xenofóbico; dois deles morreram 

Micah David-Cole Fletcher, um estudante e poete, foi esfaqueado ao intervir em um ataque xenofóbico mortal em Portland, Oregon. Ele sobreviveu, mas dois outros homens que também intervieram, Taliesin Myrddin Namkai Meche, recém-formado na faculdade, e Rick Best, um veterano do Exército, morreram. 

Uma mulher que superou uma infância difícil adotou e criou três crianças por conta própria 

“Ser mãe é um passo para o grande desconhecido, um universo mágico onde optamos por amar mais e mais”, escreveu a mãe, Rene Denfield, que cresceu em meio a pobreza, abandono e abuso, em um ensaio para a coluna Modern Love do “New York Times”. “É um ato de coragem não importa o quê.” 

Uma bailarina saltou no trilho do metrô para retirar um homem dali 

“As pessoas gritavam por ajuda”, disse a bailarina, Gray Davis. “Mas ninguém pulava. Então eu pulei.” 

Muçulmanos filipinos abrigaram cristãos nos porões para protegê-los de militantes 

Na cidade sitiada de Marawi, no sul das Filipinas, militantes islâmicos iam de casa em casa à procura de não muçulmanos para matar. Moradores corajosos abrigaram seus vizinhos e colegas cristãos, os alimentando com arroz e produtos enlatados. 

29.mai.2017 - Marca de bala em janela de vidro em prédio após combate entre forças do governo e militantes islâmicos em Marawi, Filipinas - Bullit Marquez/ AP - Bullit Marquez/ AP
Vidro atingido após combate entre forças militares e militantes em Marawi
Imagem: Bullit Marquez/ AP

Médicos e enfermeiros continuaram calmamente seu trabalho quando um atirador invadia o hospital no qual trabalhavam 

O atirador invadiu o Bronx-Lebanon Hospital Center em Nova York, matando um médico e baleando outras seis pessoas. Apesar da angústia, os funcionários não pararam de atender os feridos. 

Momentos de esperança e inspiração em meio ao caos dos furacões Harvey e Irma 

Socorristas, jornalistas e vizinhos cruzaram as águas das enchentes para chegar às pessoas em perigo durante o furacão Harvey, em Houston. 

Menos de duas semanas depois, os moradores da Flórida realizaram seus próprios resgates durante o furacão Irma e ofereceram momentos de humanidade muito necessários

28.ago.2017 - Joe Garcia carrega sua cachorra Heidi para salvá-la das enchentes que atingiram a sua casa em Spring, Texas, com a passagem da tempestade Harvey - David J. Phillip/AP - David J. Phillip/AP
oe Garcia carrega sua cachorra Heidi para salvá-la das enchentes no Texas
Imagem: David J. Phillip/AP

Uma professora conteve um atirador em seu colégio em Illinois 

“Vidas foram salvas graças à rápida resposta de uma professora daqui, e acho que isso precisa ser destacado”, disse Jeff Branson, chefe do Departamento de Polícia de Mattoon, em uma coletiva de imprensa, saudando os esforços da professora, Angela McQueen. 

Um porteiro confrontou um atirador que abriu fogo em uma igreja no Tennessee 

Robert Engle, 22 anos, conteve um atirador que abriu fogo na Igreja de Cristo de Burnette Chapel, perto de Nashville. O chefe do Departamento de Polícia de Nashville, Steve Anderson, disse que as ações de Engle ajudaram a encerrar o tiroteio. 

O tiroteio em Las Vegas, apesar de todo seu horror, também revelou humanidade 

“Nós todos nos tornamos um naquela noite”, disse Dean McAuley, um bombeiro de folga de Seattle que ajudou as vítimas. “Eu vi uma pessoa em seu pior, mas também vi e testemunhei a humanidade em seu melhor.” 

Muitos espectadores e transeuntes entraram em modo de resgate, procurando sobreviventes e ajudando os feridos a chegarem a um lugar seguro. Estranhos usaram cintos como torniquetes improvisados para conter sangramentos, outros levaram feridos aos hospitais no assento traseiro de seus carros e na traseira de picapes. 

1.out.2017 - Pessoas carregam vítima após tiroteio em festival de música country, em Las Vegas, Nevada - David Becker/ AF - David Becker/ AF
Pessoas carregam vítima de atirador em festival de música em Las Vegas
Imagem: David Becker/ AF

Um policial interrompeu o pior ataque terrorista em Nova York desde o 11/09 

O policial, Ryan Nash, atirou e feriu o terrorista, que usou um caminhão alugado para matar 8 pessoas e ferir outras 12 na Baixa Manhattan

Um policial impediu um homem-bomba de matar ainda mais pessoas 

Sayed Basam Pacha, um tenente da polícia afegã, morreu após abraçar fortemente um homem-bomba, limitando o número de vítimas da explosão. 

Haitianos enterram os corpos não reclamados de pobres 

Quase oito anos após o terremoto, alguns haitianos continuam na miséria e não podem enterrar seus entes queridos. A Fundação São Lucas para o Haiti, uma caridade, enterra os corpos dos mortos não reclamados da ilha. 

Funcionários da Fundação St. Luke recolhem corpos abandonados da Funerária Zenith, em Porto Príncipe, no Haiti - DANIEL BEREHULAK/NYT - DANIEL BEREHULAK/NYT
Haitianos recolhem corpos abandonados em Porto Príncipe
Imagem: DANIEL BEREHULAK/NYT

E dois favoritos dos leitores: 

Mali, um pastor belga-malinois seriamente ferido por estilhaços, recebeu a medalha Dickin, a mais alta condecoração do Reino Unido para bravura animal, por ajudar a farejar militantes do Taleban e suas bombas. E Storm, um golden retriever, resgatou um cervo que se afogava.

Tradutor: George El Khouri Andolfato