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Quer entender a crise no Irã? Comece pela história deste carro

20/06/2018 04h01

Para entender o histórico complexo das negociações comerciais do Irã com o Ocidente, basta conhecer a história do Peugeot 405 --o carro quadradão da montadora francesa que está em todo o lugar no país asiático. A história cheia de idas e vindas mostra o quanto fechar um negócio ali pode ser imprevisível.

Apesar de centenária, a Peugeot só chegou ao Irã nos anos 1990, a partir de uma parceria com a Iran Khodro, montadora ligada ao governo iraniano. Em 2012, já em pleno funcionamento no país, a francesa dominava 30% do mercado iraniano de carros, e o país era uma importante fonte de renda. Na época, para a classe média iraniana, ter um Peugeot significava ter vencido na vida.

Mas tudo isso mudou quando os Estados Unidos, a União Europeia e a ONU (Organização das Nações Unidas) impuseram sanções para forçar o Irã a reduzir o seu programa nuclear. Multinacionais ficaram proibidas de trabalhar no país, incluindo a Peugeot --que entrou em declínio.

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Em 2015, um acordo histórico trouxe uma nova reviravolta. O Irã assinou um acordo nuclear e, se seguisse as restrições ao seu programa nuclear, teria o investimento estrangeiro retomado. Era uma oportunidade incrível para a Peugeot, que não perdeu tempo para tirar vantagem.

No ano seguinte, a empresa francesa começou a investir milhões de dólares como parte da parceria retomada com a empresa iraniana. E os negócios começaram a ir bem novamente. O acordo ajudou a dobrar as vendas na região naquele ano.

Agora, porém, que os Estados Unidos abandonaram o acordo com o Irã, a Peugeot provavelmente voltará a ter problemas.

E o Irã, cuja história está tão ligada aos altos e baixos da empresa, pode voltar a ser inacessível.