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Fuga desesperada de membros da Unita, em Angola, termina em Luena
08h47 - 06/03/2002






Luísa Ribeiro, da Agência Lusa



Luena, Angola, 06 Mar (Lusa) - Familiares de membros da União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita), esqueléticos e doentes, se amontoam há meses em Luena, no leste de Angola, na tentativa de uma fuga desesperada para o refúgio na Zâmbia.

Uma das viúvas do líder da Unita, Valentina Seka, 36 anos, se recusou hoje a falar à Agência Lusa do seu martírio sentada no leito do hospital militar do Luena.

Com fragilidade aparente, afirmou estar "incomodada" com ferimentos no ombro esquerdo.

Valentina sobreviveu à emboscada que vitimou Jonas Savimbi no dia 22 de fevereiro em Lucusse, a 160 quilômetros ao sul de Luena, capital da província oriental do Moxico.

O filho do casal, Nasser, de dez anos, está desde o ano passado na Zâmbia.

Na cama ao lado, esquelética, mal se movia, a bióloga Auxilia Candimbo, ferida nas pernas, também seguia na coluna de Jonas Savimbi.

Graduada em Abidjan, tem sido visitada por antigos alunos nas matas de Angola, alguns deles hoje militares das Forças Armadas Angolanas (FAA).

As conversas com familiares de adeptos e oficiais da Unita no Luena - crianças e mulheres que se entregaram ou foram capturadas nos últimos meses pelas FAA - foram escassas. O objetivo era mais reconhecimento e a coleta de informações sobre mortos e feridos, matar saudades, em alguns casos, de enviados da Unita-Renovada que estão em Luanda desde os anos 90.

Um grupo de 180 mulheres doentes e crianças subnutridas estão alojadas numa antiga moradia e anexos que se estendem por um grande quintal.

Ana Maria Camalata, 26 anos, é irmã do general Adílio Camalata Numa, dado por ferido e com paradeiro ignorado desde a divisão das colunas militares em que seguiam Savimbi e outros dirigentes e oficiais superiores, em fevereiro.

Camalata está na casa há duas semanas, depois de capturada na fuga entre os rios Luvue e Lungue-Bungo, durante o que deveria ser uma caminhada de duas horas para alguma segurança. Não tem informações do marido e os filhos, de seis e nove anos, que estão na Zâmbia desde abril do ano passado.

De semblante abatido, no centro de acolhimento das famílias de adeptos e oficiais, estava o general Samuel Martinho Epalanga, de 59 anos, que foi da Brigada de Segurança (Brind). Afastado dessa área há muito, desde a tarefa final ao serviço da Unita "de reorganizar o povo" em fuga do Bailundo e Andulo, após as conquistas governamentais no planalto central, em 1999.

"O povo foi divido em grupos de 300 ou 400 pessoas e foi criado um comando para reorganização incluindo a guerrilha", disse à Agência Lusa o general Epalanga, hoje hospedado num hotel do Luena à espera de colocação. "Era uma situação transitória", afirmou.

Tal como os outros, "mais de 5 mil pessoas em marcha", se dirigiram a Cuemba, a 52 quilômetros do Munhango, noroeste do Bié, em direção ao Lungue-Bungo, cujas margens sempre serviram à guerrilha para fuga e esconderijo, disse.

Como comentou hoje o presidente da Unita-Renovada, Eugénio Ngolo Manuvakola, que pela primeira vez visitou este remanescente do que foi o "pessoal das bases" do movimento, os fugitivos encontraram afinal "um deserto verde". .

O general Epalanga, que deixou para trás um filho de 20 anos, conseguiu fugir com o resto da família, sete pessoas ao todo, e acabou capturado no dia de Ano Novo. No caminho, as pessoas "foram morrendo, sobretudo, de fome", contou.

O general comentou singelamente "a guerra devia parar". Mas muitos não acreditam e sem rádios as notícias levarão tempo a chegar.

A "Mãe", Maria Kapiane, do grupo do general Bufalo Bill, que fez o percurso inverso, aparentemente para ajudar Savimbi quando acompanhava as famílias de adeptos e oficiais em fuga para a Zâmbia, tem 57 anos e nasceu em Cangumbe, perto de Luena. No corpo e nos olhos ficaram-lhe as marcas de 300 quilômetros a pé, desde novembro passado até 8 de Fevereiro deste ano, também à procura de um rio que os abrigasse.

Deste grupo de familiares de membros da Unita, a primeira mulher, Maria de Fátima, foi capturada com o seu filho Landinho, de 19 meses, em novembro passado. A última mulher chegou na segunda-feira.

Como disse hoje Manuvakola, à pequena multidão em seu redor, são todas "caras conhecidas, mas difíceis de reconhecer".

"Já não temos lágrimas para chorar. Só agradeço que estejam vivos. Agora a batalha é a comida, fazer uma lavra. Agora há que cuidar dos vivos, o resto é para a história", disse.

Agarrado ao pescoço da mãe Aida, um de dois gêmeos de três anos e sete meses, o Fadário, olhava para ponto indefinido recém- chegado de uma semana no hospital para tratamento de bronquite. O outro, Reinaldo, com sandálias de plástico do Mickey, tal como o irmão, só pele e osso, está aparentemente bem. Agarrado à saia da mãe, não conseguia ver nada por entre as pernas dos adultos.

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