Publicidade



:
China e Japão, cruzando a fronteira
Entrosada, defesa do Brasil não pode falhar contra o Paraguai, diz Parreira
Lucro da Eletrobrás cai 71% e fica em R$ 323 milhões em 2003
MSN reformula portal para brigar com Google e Yahoo!
'Scooby-Doo 2' lidera bilheterias dos EUA no fim de semana
Índia de Roraima vai à OEA contra governo brasileiro

Índice
Envie esta
notícia por email

Jardim Botânico de Cabo Verde será laboratório de plantas medicinais
16h58 - 02/06/2002


Francisco Fontes, da Agência Lusa.

Cidade da Praia, 02 Jun (Lusa) - O Jardim Botânico de Cabo Verde, criado em 1986 com o nome do investigador português Grandvaux Barbosa, servirá de laboratório vivo para validação científica de plantas medicinais.

Abarcando uma reduzida área de 20 mil metros quadrados, o Jardim Botânico Nacional já reúne cerca de uma centena de espécies.

No entanto, as limitações de espaço, e as condições de implantação, não permitiram ainda a ampliação do número de espécies. Algumas delas não obtiveram sucesso no transplante por se desenvolverem em ambientes diferenciados, em altitude ou microclimas especiais das ilhas que compõem o arquipélago cabo- verdiano.

Mas, duas dezenas das espécies no Jardim Botânico de Cabo Verde são usadas como "remédios da terra", na medicina tradicional.

A flora de Cabo Verde, de acordo com o responsável do Jardim Botânico, é muito rica, composta por 66 famílias, num total de cerca de 600 espécies, entre arbóreas e herbáceas. As plantas endêmicas inventariadas são 90 e usadas na medicina tradicional cabo-verdiana ascendem a 153.

A idéia de desenvolver um estudo fitoquímico da flora de Cabo Verde, começando pelas espécies utilizadas na medicina tradicional, vem de vários anos, mas foi sucessivamente adiada por não estarem reunidos os meios necessários.

Samuel Gomes, responsável pelo Jardim Botânico Nacional Grandvaux Barbosa, acredita que até dezembro será possível dispor dos equipamentos necessários para se dar início à investigação.

Nos últimos anos, o projeto de criação do laboratório tem esbarrado na não aprovação de financiamento pela Comunidade Européia para um projeto mais global que tem sido apresentado pelo Instituto de Investigação Científica Tropical, de Lisboa, Portugal, entidade que há décadas desenvolve estudos sobre a flora cabo-verdiana e forma técnicos.

"Todas as vezes que o projeto é enviado para a Comunidade Européia, acham que há outros países com mais necessidades. Para nós é uma prioridade e uma urgência, até para travar a delapidação das espécies", declarou à agência Lusa Samuel Gomes.

Mas, para se iniciar no país o estudo fitoquímico das plantas, com as condições mínimas, seria necessário um financiamento inferior a cinco mil contos cabo-verdianos (R$109 mil), para a aquisição de equipamentos e reagentes.

Samuel Gomes acredita que, se não for pela via da cooperação internacional, ou de alguma instituição, o próprio governo angarie os meios para se avançar, inclusive porque esse laboratório foi enquadrado no Plano Nacional de Desenvolvimento, em fase de preparação.

Técnicos habilitados e instalações para desenvolver esses estudos laboratoriais já existem. Os ensaios mais aprofundados, que carecessem de outros equipamentos, poderiam ter lugar no Instituto de Investigação Científica Tropical de Lisboa, no âmbito da cooperação existente.

Para o responsável pelo Jardim Botânico, trata-se de uma investigação da maior importância, por razões ligadas à defesa da saúde pública, à preservação das espécies, ou para descobrir se existe alguma planta endêmica com valor econômico que justifique a sua exploração em grande escala.

Se são verdadeiros "remédios da terra", é preciso regular o seu uso, indicando as quantidades, ou que parte produz esse efeito, se é o caule, a folha ou a flor.

Mas a vertente comercial é outro dos grandes objetivos. Se for encontrada alguma planta com propriedades curativas especiais poderão reunir-se condições para uma parceria no desenvolvimento de fármacos. Ou ainda descobrir fins industriais que justifiquem a sua produção em escala, criando-se assim novas fontes de emprego e rendimento para a população.

O trabalho de campo, segundo Samuel Gomes, é feito com o apoio de Instituto Botânico da Universidade de Coimbra e do Instituto de Investigação Científica e Tropical.

A cartografia agrícola e vegetal nacional encontra-se concluída com a indicação das zonas de reserva, e elaborados glossários para cada ilha com o nome científico e vulgar de cada espécie, bem como uma publicação ilustrada da flora endêmica.

O botânico Grandvaux Barbosa elaborou o glossário com os nomes científicos e vulgares das espécies existentes nas ilhas de São Nicolau e Santo Antão, que depois foi continuado no resto do arquipélago por Samuel Gomes e colegas, a partir de 1988, após concluírem a formação em Portugal.

Esse botânico português deslocava-se em missões periódicas aos territórios dos países africanos lusófonos, e em Cabo Verde deixou um "importante trabalho na área da biodiversidade". No herbário sobre Cabo Verde encontram-se colheitas realizadas por Grandvaux Barbosa desde 1956.

O Jardim Botânico Nacional foi criado em 1986 "por uma feliz idéia" de Cardoso de Matos, um cooperante português na área da botânica, que leccionou durante vários anos uma disciplina de biodiversidade na Escola Superior de Educação de Cabo Verde. Como Grandvaux Barbosa tinha falecido em 1982 atribuir-lhe o nome foi uma forma de homenageá-lo, recorda Samuel Gomes.

Desde então, a área foi ampliada, e também o número de espécies. Atualmente, já se produzem ali plantas ornamentais para venda, e em breve suas visitas serão pagas para se reunirem alguns recursos destinados a melhorias.

Apesar de um pouco escondido, a cerca de 30 km da capital do País, a Cidade da Praia, acessível através de uma estrada secundária, é um ponto do roteiro das agência de viagens, e de escolas do país, o que faz afluir aí um significativo número de visitantes.

Atualmente, uma das limitações do Jardim Botânico é o de servir de passagem para as pessoas de duas localidades vizinhas.

Mas, dentro de três meses, com a conclusão de uma via alternativa, esse problema será ultrapassado.

Com a obtenção de recursos se poderá pensar em outras melhorias, como a ampliação da área do Jardim Botânico. Para este ano também já está programado o embelezamento do mirante, que funciona como parque de piquenique, a criação de uma área de estacionamento de viaturas e sinalização.

Para ampliar o Jardim Botânico, é preciso aumentar a capacidade do reservatório de água para regar as plantas, abastecido por uma nascente que corre regulamente da serra. Desse modo se recolherá a água excedente da época das chuvas.

Mas, o grande objetivo de Samuel Gomes é que o Jardim Botânico Nacional Grandvaux Barbosa reúna pelo menos um exemplar da maioria das espécies de Cabo Verde, especialmente das de maior interesse científico, e das floras representativas de outros países.

É também um meio de garantir a preservação das espécies, evitando que causas naturais ou humanas as façam desaparecer, por se tratar de um país com um ecossistema muito frágil.

A flora cabo-verdiana é composta por cerca de 600 espécies, e a maior parte localiza-se na Ilha do Fogo, onde existe sempre o risco de o vulcão entrar em erupção, como aconteceu em 1995, e causar a sua destruição.

Mas, como salvaguarda, estão em vigor protocolos com os jardins botânicos de Bonn e Berlim, na Alemanha, que aí conservam sementes da flora de Cabo Verde.

Entre as plantas endêmicas utilizadas como "remédios da terra" encontram-se o "Espargo" ("Asparagus squarrosus"), "Losna" ("Artemisia gorgonum"), "Losna-Brabo" ("Conyza feae"), "Cravo- Brabo" ((Erysimum caboverdeanum"), "Contra-Bruxas-Azul" ("Campanula jacobaea"), "Sabão de Feiticeira" ("Verbascum capitis- viridis") ou o "Tarrafe" ("Tamarix senegalensis").

A "Língua-de-Vaca" ("Echium Stenosiphon"), utilizada em xarope para a tosse, o "Aipo" (Lavandula rotundifolia"), contra as dores de barriga), a "Erva Cidreira" (Micromeria forbesii"), em infusão na cura da tosse, ou o "Dragoeiro" ("Dracaena drago"), de onde se extrai o "sangue de drago" para aliviar as dores, são outras plantas utilizadas na medicina tradicional.

FF/CMC.

Lusa/Fim.

Índice
LEIA SÓ
NOTÍCIAS DE:
Folha Online
UOL News
UOL Esporte
UOL Economia
UOL Tablóide
Mundo Digital
Veja Online
Vestibuol
UOL Diversão e Arte
UOL Música
Exame
BBC
The New York Times
Cox News Service
El País
Financial Times
Le Monde
Hearst Newspapers
The Boston Globe
TNYT News Service
USA Today
Consultor Jurídico
AFP Internacionais
AFP Negócios
AFP Esporte
AFP Diversão
Reuters Geral
Reuters Negócios
Reuters Esporte
Reuters Diversão
Lusa
UOL Rádios e TVs
UOL Corpo e Saúde
Notícias sobre o UOL
Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 2002 Lusa: Agência de Notícias de Portugal. Todas as informações
reproduzidas são protegidas por direitos de propriedade intelectual detidos pela Lusa. Por conseguinte, nenhuma
destas informações pode ser reproduzida, modificada, armazenada, redifundida, traduzida, explorada comercialmente
ou reutilizada sem o consentimento prévio por escrito da Lusa.