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Dirigentes do Sindicato dos Motoristas de São Paulo são presos por corrupção
15h53 - 20/05/2003


São Paulo, 20 Mai (Lusa) - O presidente e 11 diretores do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo foram detidos nas últimas horas pela Polícia Federal, num caso que está abalando o sistema municipal de transportes da capital paulista.

O tribunal decretou a detenção de 17 sindicalistas, mas apenas 12 já foram presos nas últimas horas.

Pelo menos quatro equipes da Polícia Federal procuram os cinco foragidos, prevendo-se novas detenções ainda hoje e o anúncio de outros acusados nos próximos dias.

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo, que representa cerca de 50 mil trabalhadores na capital paulista, tem 63 diretores.

O grupo é acusado, entre outros crimes, de ter recebido subornos de empresários para incentivar os trabalhadores do setor a fazerem greves, como meio de pressionar a prefeitura a conceder subsídios ou aumentar as tarifas dos transportes.

Além de corrupção, os sindicalistas são ainda acusados de crime contra as relações de trabalho, enriquecimento ilícito, danos e formação de quadrilha.

Segundo fontes policiais, também é investigada a possibilidade de envolvimento em assassinatos.

Entre os detidos, há acusados de oito homicídios de sindicalistas que faziam oposição à atual diretoria do sindicato.

O esquema de corrupção envolveria empresários, funcionários municipais, políticos e a empresa municipal SPTrans, que gere o sistema de ônibus da cidade de São Paulo.

Segundo alguns vereadores e funcionários da SPTrans participariam do esquema para beneficiar as empresas.

O Ministério Público disse ter recebido denúncias de que empresários teriam pago R$ 600 mil a quatro vereadores para ajudarem a eleger o presidente da Câmara de Vereadores, Arselino Tatto, do Partido dos Trabalhadores (PT). Ainda segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, uma outra vereadora teria recebido dinheiro para ajudar a manter a empresa Cidade Tiradentes no sistema de concessão de linhas da cidade.

Segundo o promotor José Carlos Blat, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Cidade Tiradentes recebeu R$ 11,5 milhões da prefeitura em quatro meses, além de ter um passivo de R$ 35 milhões assumido pela SPTrans.

"Há relações promíscuas entre os empresários e membros da Assembléia Municipal, mas tudo isso ainda está sendo investigado", disse o promotor, realçando que ainda é prematuro afirmar que algum vereador esteja envolvido no esquema.

Na sede do sindicato, a polícia apreendeu documentos que alegadamente comprovam que empresas pagavam subornos para que aquela entidade trabalhista fizesse greves, deixando a cidade de São Paulo sem transportes públicos.

"É uma máfia grande", sublinhou o delegado federal Nivaldo Bernardi, do Gaeco, que investiga o caso .

"Será inevitável chegarmos à prisão de empresários e também de funcionários da SPTrans.

Além de propinas (subornos) e greves falsas, estamos investigando oito assassinatos de sindicalistas atribuídos ao esquema", adiantou o delegado.

Entre os detidos está o presidente do sindicato, Edivaldo Santiago.

Segundo um ex-diretor do sindicato, Marcos António Coutinho da Silva, o presidente da instituição recebia das empresas, em cada greve, entre R$ 800 mil para parar os ônibus e assim forçar aumentos nas tarifas.

O ex-dirigente sindical, que disse ter presenciado vários acordos velados com proprietários de empresas de ônibus, declarou ainda que as empresas davam "ajudas de custo" de R$ 3 mil para "cada diretor do sindicato".

Segundo o promotor José Carlos Blat, a entidade transformou- se no "sindicato do crime" com uma série de ilegalidades.

"É uma estrutura criminosa que deve funcionar há muito tempo. Não conseguimos dimensionar a quantidade de envolvidos, mas são dezenas", disse o promotor, comentando que a parte até agora descoberta "é apenas a ponta de um grande iceberg de corrupção e violência".

José Carlos Blat afirmou que a força especial criada para investigar o caso já tem uma lista com nomes de empresários suspeitos, cuja detenção poderá ser ordenada a qualquer momento.

"Já podemos afirmar que os empresários orquestraram as greves", adiantou o delegado Nivaldo Bernardi, indicando que alguns deles foram citados pelos sindicalistas detidos.

No entanto, o presidente do sindicato negou as acusações e culpou a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, pelas detenções.

A prefeita recordou que já tinha "suspeitas graves" e que, por isso, já solicitara ao Ministério Público que investigasse o caso.

"Se houve prisão é porque alguma coisa encontraram", afirmou.

Segundo a polícia, o prejuízo com as últimas três ou quatro greves foi de cerca de R$ 100 milhões.

Desde janeiro de 2001, quando a atual diretoria do sindicato tomou posse e Marta Suplicy assumiu a prefeitura, houve nove grandes paralisações dos transportes em São Paulo e as tarifas dos ônibus aumentaram 36%.

Contando as pequenas greves, houve praticamente uma de três em três dias.

Só no ano passado, o sindicato liderou 364 manifestações nas empresas.

Contrário à reestruturação do sistema de transporte que a prefeita Marta Suplicy implementou, com a redução do número de linhas e o cancelamento de concessões a empresas, Edivaldo Santiago comandou 178 greves gerais ou parciais na sua gestão à frente do sindicato.

Durante as greves, cerca de 2.300 ônibus, dos 12 mil que circulam em São Paulo, foram danificados ou destruídos.

Em abril, durante uma greve que mais uma vez paralisou a cidade, a prefeita acusou os empresários de estarem por detrás das ações de Edivaldo Santiago, chamando-os de gângsters.

GCS/AGO.

Lusa/Fim.

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