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Novo relatório confirma nível alto de metais tóxicos no Rio Pará

Relatório aponta presença de mercúrio, arsênio, alumínio e até urânio nas águas do Rio Pará - Bruno Landim Pedersoli/UOL
Relatório aponta presença de mercúrio, arsênio, alumínio e até urânio nas águas do Rio Pará Imagem: Bruno Landim Pedersoli/UOL

Fábio de Castro

Em São Paulo

29/03/2018 09h40

Mercúrio, arsênio, alumínio e até urânio foram encontrados em concentração acima da permitida pela legislação brasileira nos resíduos lançados sem tratamento pela empresa norueguesa Hydro  Alunorte no Rio Pará, entre os dias 16 e 17 de fevereiro. Essa é a conclusão de um novo relatório feito por especialistas do IEC (Instituto Evandro Chagas), apresentado nesta quarta-feira (28).

O documento apresentou a avaliação da qualidade das águas superficiais nos canais regulares e clandestinos do Rio Pará - onde foram lançados efluentes sem tratamento. Segundo o químico Marcelo Lima, do IEC, em vários cursos d'água foram encontrados níveis elevados - superiores aos permitidos pela legislação - de cinco a seis elementos químicos tóxicos, dependendo do ponto avaliado.

"No Rio Murucupi, num trecho entre a comunidade Vila Nova e a nascente, encontramos não apenas chumbo, mas também arsênio, cromo e outros elementos tóxicos. Na nascente, verificamos também níveis muito elevados de alumínio e taxas altas de ferro e sódio dissolvido. Tudo isso coincide com o que está presente nos efluentes (resíduos) da empresa", afirmou Lima.

Na zona de mistura da água de alguns canais com a do rio há altos níveis de alumínio. As proporções de chumbo estavam de duas a cinco vezes maiores do que o permitido. No Rio Pará, o volume de água é grande e, por isso, a capacidade de diluição é maior. Ainda assim, praias e tributários (espécie de afluentes) apresentaram nível de ferro muito alto logo após o lançamento dos resíduos. Lima descarta a possibilidade de que isso seja um fenômeno natural.

Segundo o médico Marcos Mota Miranda, também do IEC, as substâncias químicas são tóxicas, mas o próprio ecossistema tem recursos para diluir os resíduos e mitigar sua toxicidade. O impacto da contaminação, diz, não depende apenas da dose, mas do tempo de contaminação. Exposições contínuas podem levar a problemas graves - neurológicas e pulmonares, por exemplo.

Apenas no dia 19 deste mês, após negar diversas vezes, o grupo norueguês Norsk Hydro reconheceu que sua fábrica de alumínio Hydro Alunorte, no Brasil, derramou água sem tratamento no Rio Pará, o maior da região. A contaminação por bauxita atingiu comunidades, ribeirinhos e quilombolas que vivem no entorno das 20 bacias de rejeitos da empresa.

Mineradora

Procurada, a Norsk Hydro informou que não teve acesso ao conteúdo integral do relatório e que vai analisar o material antes de se manifestar.

Anteontem, a empresa divulgou que busca acordo com as autoridades para normalizar a operação. A mineradora diz que está fazendo análises interna e independente para esclarecer o caso. A conclusão deve ser apresentada em 9 de abril.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".