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"O ritmo das negociações precisa acelerar", diz o secretário-geral da Rio+20

O secretário-geral da Rio+20 Sha Zukang e sua esposa nesta quarta-feira (13) - Júlio Guimarães
O secretário-geral da Rio+20 Sha Zukang e sua esposa nesta quarta-feira (13) Imagem: Júlio Guimarães

Maria Denise Galvani

Do UOL, no Rio

13/06/2012 14h00Atualizada em 13/06/2012 14h36

Embora diga estar otimista com os resultados da conferência, o secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, afirmou também que o ritmo das negociações precisa acelerar se o mundo quiser ver uma declaração forte em prol do desenvolvimento sustentável, com implicações concretas e meios de implementação.

A Rio+20, Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, ocorre de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Zukang abriu hoje (13) a última reunião preparatória de diplomatas antes do encontro de cúpula da Conferência, que ocorre entre os dias 20 e 22.

"As negociações preparatórias em Nova York têm sido desafiadoras, mas é animador ver o comprometimento de todos em produzir a declaração", disse Zukang.

Como principal consequência prática da conferência, Zukang apontou o lançamento de Metas de Desenvolvimento Sustentável (SDGs, na sigla em inglês), similares às Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDGs), em uso por todo o sistema da ONU. "As MDGs vem orientando políticas há mais de uma década, eu não espero menos das SDGs. Não devemos subestimar o potencial desta reunião, mas as negociações precisam ser aceleradas. O mundo não pode esperar, há muita coisa em jogo", disse Zukang.

Fundo

O secretário-executivo da comissão Nacional brasileira para a Rio+20, Luiz Alberto Figueiredo Machado, adiantou uma proposta de implementação que será levada à mesa de negociações pelo G77, bloco de países em desenvolvimento, e pela China. Os países buscam o comprometimento dos países ricos com a criação de um fundo permanente de US$ 30 bilhões anuais para promover o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.

Machado disse também que esta deve ser uma reunião voltada para a ação, diferentemente da Rio 92. "Temos mais informações hoje sobre desenvolvimento sustentável do que naquela época, por isso temos mais condições de implementação", afirmou. "Neste momento, não precisamos de mais legislação, mas sim implementar tudo o que já foi acordado antes."

Só 20% do texto

Na sexta-feira (8), o jornal inglês "The Guardian" divulgou o rascunho do documento sob negociação e revelou que apenas 20% do texto está fechado. Na maior parte do documento, há discordâncias sobre a redação do texto, em sua maioria opondo os países do G77, o bloco dos países em desenvolvimento, onde está o Brasil, aos europeus, japoneses ou americanos.

Apenas no preâmbulo da declaração "O futuro que queremos", que deveria expressar as "visões comuns" dos países na mesa, há seis trechos sobre os quais os diplomatas não se entendem. Na seção sobre "economia verde", termo cujo significado exato ainda está em construção e que deve ser muito debatido na conferência, são mais de 60 trechos em discussão.

Segundo Zukang, para acelerar as negociações, o projeto de declaração foi dividido em duas partes, que serão discutidas por dois grupos de trabalho: um vai se ater à redação dos primeiros capítulos e dos capítulos intermediários, onde a discussão é mais formal, e outro deve redigir as recomendações aos Estados-membros e à sociedade civil, que costumam encerrar esse tipo de documento.

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