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Ministros de Meio Ambiente de mais de 100 países podem solucionar impasses na COP11

Fantasiados de tigres, membros do Greenpeace protestam na entrada da COP11, que acontece em Hyderabad, na Índia, até o próximo dia 19 - Noah Seelam/AFP
Fantasiados de tigres, membros do Greenpeace protestam na entrada da COP11, que acontece em Hyderabad, na Índia, até o próximo dia 19 Imagem: Noah Seelam/AFP

Carolina Gonçalves

Da Agência Brasil, em Brasília

16/10/2012 12h20

A chegada dos ministros do Meio Ambiente de mais de 100 países a Hyderabad, na Índia - onde ocorre a 11ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica, a COP11 -, pode significar o fim de alguns impasses em torno das negociações iniciadas no último dia 8.  Negociadores de países desenvolvidos e em desenvolvimento não conseguiram acordos em torno de questões prioritárias para a conservação das espécies no planeta.

De acordo com observadores, os segmentos de alto nível dos países, reunidos desde a última segunda-feira (15), estão mostrando sinais positivos de que estão dispostos a intensificar e assumir as metas de proteção da biodiversidade, acordadas há quase dois anos, em Nagoia, no Japão.

A mobilização de recursos a serem usados na conservação biológica do planeta continua sendo o ponto mais polêmico e com menos sinais de solução. Ainda que os 192 países que participaram da COP10, em Nagoia, no Japão, tenham reconhecido a necessidade de adotar ações para estancar a perda de espécies no mundo, os efeitos da crise financeira mundial têm dificultado esse comprometimento.

O superintendente de Conservação da organização não governamental WWF-Brasil, Mauro Armelin, que acompanha as atividades na Índia, disse que os negociadores dos países desenvolvidos não querem se comprometer com metas concretas e os representantes de países em desenvolvimento informam que se não houver dinheiro eles terão dificuldades em cumprir os compromissos assumidos em Nagoia.

Apesar do impasse, observadores dizem que existe, nas salas e nos corredores da conferência, um movimento sobre o financiamento por meio de metas acordadas ou anúncios unilaterais. Há informações de que a França e outros países da União Europeia sinalizaram alguma disposição para esse orçamento, mas ainda não existem compromissos concretos e oficiais.

Os ministros do Meio Ambiente também terão que se debruçar sobre as negociações de áreas marinhas ecologicamente ou biologicamente significativas, que avançou pouco na primeira semana da conferência. A China, o Japão, o Peru, o México e a Argentina não querem reconhecer os relatórios que identificam as áreas importantes para a conservação em alto mar. A falta desta validação vai comprometer a gestão destas áreas pelo órgão da Organização das Nações Unidas.

O governo brasileiro ainda tem enfrentado dificuldades ao negociar a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal, a Redd+. O Brasil quer evitar a definição de salvaguardas de biodiversidade nos textos da COP e pressiona por uma clara separação entre a Convenção de Diversidade Biológica e a Convenção Quadro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudanças Climáticas. Outras delegações, como a da Colômbia, não aceitam qualquer custo adicional para o monitoramento e a produção de relatórios no âmbito dos programas da Redd+.

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