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Groenlândia resistiu ao aquecimento global há cem mil anos, diz estudo

Do UOL, em São Paulo

2013-01-28T06:01:00

28/01/2013 06h01

O clima da Terra era bem mais quente há mais de cem mil anos do que o sentido no último milênio, revelam camadas de gelo na Groenlândia, no extremo Norte do planeta. Uma pesquisa do Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, descobriu que o planeta era 8 graus Celsius mais quente durante o Eemian, período interglacial anterior ao nosso que se estendeu de 130 mil a 115 mil anos atrás.

Nos últimos milhões de anos, o clima se alterna entre as eras glacias (de expansão da calota), que duram aproximadamente cem mil anos, e os períodos interglaciais (de retração do gelo), que variam entre 10 mil e 15 mil anos. Atualmente, a Terra está no período Flandrian, ou seja, enfrenta uma onda de aquecimento global.

Os pesquisadores do Instituto, que fazem parte do projeto NEEM (North Greenland Eemian Ice Drilling), levaram mais de quatro anos para perfurar os 2,5 quilômetros de espessura da calota e retirar o núcleo do gelo da Groenlândia para recriar as temperaturas anuais da fase do Eemian. Essa viagem por 130 mil anos no tempo pode trazer boas pistas sobre o futuro das mudanças climáticas mundiais, destaca o estudo publicado na prestigiada revista Nature.

Durante essa fase de aquecimento, houve um grande derretimento da superfície de gelo, reduzindo a altura da calota em incríveis seis centímetros por ano. Apesar disso, a equipe estima que a massa de gelo não perdeu mais de 25% do seu volume original durante os 6.000 anos mais quentes do Eemian.

“A boa notícia do estudo é que a camada de gelo da Groenlândia não é tão sensível aos aumentos da temperatura e do gelo derretido que corre para o mar em períodos de aquecimento, como pensávamos anteriormente", explica Dorthe Dahl-Jensen, líder do projeto NEEM e professora do Instituto.

O gelo da Groenlândia, portanto, contribuiu com menos da metade da elevação do nível do mar, que era entre quatro e oito metros maior do que atualmente. Isso indica, segundo Dorthe, que o derretimento da placa da Antártida deve ter sido o maior causador do aumento dos mares há mais de cem mil anos.

Para chegar a esta conclusão, o grupo, primeiro, analisou o bloco de gelo e as bolhas de ar para saber mais da memória do nosso clima. Além de encontrar altos níveis de isótopos O18 (oxigênio) no núcleo da calota, que "preservaram" a temperatura das nuvens durante a nevasca, as bolhas serviram de amostras da atmosfera, ajudando a recriar o modelo climático da época.

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