Rios desaparecem e animais morrem durante seca intensa no Paraguai

Do UOL, em São Paulo

  • Jorge Adorno /Reuters

O rio Pilcomayo, que desce dos Andes, na Bolívia, está no nível mais baixo dos últimos 19 anos no Paraguai, segundo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações.

A água do rio, que divide o Paraguai e a Argentina na área do Gran Chaco, está escassa. O lugar está localizado na região do General Diaz, a cerca de 700 quilômetros ao noroeste da capital Assunção, onde o Pilcomayo abastece lagos e riachos que dão vida a capivaras, pássaros e jacarés.

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"O rio é 60% sedimento e 40% água", explicou Alcides Gonzalez, que possui uma fazenda de gado que também é o lar de veados, capivaras e mais de 8000 jacarés que migram constantemente em busca de água.

Na lagoa de Agropil, ao norte da fazenda de Gonzalez, a camada de água se transformou em lama. A umidade atrai os jacarés, que dividem o espaço com abutres em busca da carcaça dos animais mortos pela seca.

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"Os animais estão migrando naturalmente, mas aqueles que estão muito fracos já não se movem", disse Gonzalez.

O gado também está começando a sofrer com a escassez de água. Aproximadamente cem vacas morreram na área da lagoa, onde a maioria dos fazendeiros tem pequenas fazendas e não tem recursos para cavar poços e bombear água fresca.

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A lagoa Agropil, que é alimentada pelo rio Pilcomayo, está cercada por árvores e terra seca e rachada.

Moradores de General Diaz afirmam que não chove desde maio e que o rio já estava muito reduzido em 2015, sendo incapaz de encher os lagos e as lagoas como costumava acontecer. Para encontrar água, eles recorreram a construção de poços.

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Peixes mortos são vistos no leito seco do rio Pilcomayo, em Boqueron, Paraguai
Devido à falta de água, os governos do Paraguai e da Argentina construíram canais para controlar o fluxo irregular.

Usando as mídias sociais, um grupo de voluntários organizou uma operação de resgate para salvar os jacarés em resposta ao que eles consideravam a lenta reação do governo à seca.

Eles capturaram os animais e transportaram-nos em veículos particulares de leitos de rios secos para lagos artificiais em fazendas locais.

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Mas os esforços dos voluntários não deram certo. Um grupo levou cerca de 17 jacarés para um lago, mas ele tinha água salgada e os animais, que vivem em água doce, acabaram morrendo.

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