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Meio Ambiente

Por que 300 cervos exóticos estão sendo sacrificados no RS?

Parque do RS iniciou os abates de cervos em razão de um surto de tuberculose - Pampas Safari/Divulgação
Parque do RS iniciou os abates de cervos em razão de um surto de tuberculose Imagem: Pampas Safari/Divulgação

Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL

23/08/2017 16h55

Aproximadamente 300 cervos exóticos estão sendo sacrificados no parque Pampas Safari, em Gravataí, no Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada em conjunto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Ministério Público Federal e Secretaria Estadual da Agricultura. O argumento é um surto de tuberculose entre os animais considerado fora de controle.

O parque iniciou os abates na última semana em atenção ao pedido feito pelas entidades em julho. Em nota, a assessoria de imprensa do Ibama diz que o abate foi solicitado a fim de "evitar a disseminação da doença". De acordo com o instituto, a epidemia não foi devidamente controlada pelo parque.

Para a ex-secretária municipal dos Direitos Animais de Porto Alegre, Regina Becker, os responsáveis pela decisão “desconsideram a vida animal e a possibilidade destes serem tratados”.

Em entrevista ao UOL, a ex-secretária informou que pediu ao parque uma autorização para vistoriar o terreno e conferir as condições dos animais. O responsável pelo parque, no entanto, está na África, volta apenas no dia 3 de setembro e, até lá, Regina não poderá realizar a visita. Com isso, muitos cervos terão sido abatidos. “Eu entendo a necessidade do abate, mas também acho uma temeridade generalizar o caso sem que se tenha certeza de que animais têm condições de tratamento. É uma medida generalista. É um problema sério porque é uma forma muito fácil de resolver a situação.”

Regina entrou com uma petição na Justiça pedindo uma liminar que lhe conceda autorização para entrar no local e levar a imprensa. “Eles afirmam que outras espécies, como três hipopótamos, estão doentes. Mas eu quero ver os exames. Quero os laudos para saber se é verdade. Eu duvido que 100% dos 300 cervos estejam infectados. Precisamos saber quais estão contaminados para não precisarmos abater todos eles.”

Para a ex-secretária, o abate prematuro é a forma que o homem lida com doenças que poderiam ser tratadas ou verificadas com mais cautela. Ela cita a Chikungunha, a Vaca Louca e a Leishmaniose, comuns em cães. “Aos seres humanos é tentado de tudo, mas para os animais a forma mais fácil de solucionar é matando.”

Ela também pediu ao Ibama, ao Ministério Público Federal e à Secretaria Estadual da Agricultura toda a documentação e cópias do processo que embasaram a decisão de sacrificar os animais.

Em uma postagem em uma rede social na terça-feira (22), Regina afirma que recebeu detalhes sobre o abate por meio de um médico veterinário, que justificou os procedimentos respaldado em orientações técnicas. “A prática da eutanásia está sendo executada em lotes, através do dito ‘abate humanitário’, o que, em verdade, consiste em nada menos que um disparo de pistola pneumática.”

O Ibama nega as acusações. O instituto pretende ajudar o Pampas Safari, que é privado, a distribuir os animais saudáveis para outros parques, inclusive públicos. “O proprietário não tem mais interesse em manter o parque e pediu providências para com os animais.”

Confira a nota do Ibama sobre a solicitação:

"O Pampas Safari Parque de Animais Selvagens, localizado em Gravataí (RS), solicitou o abate de cervos exóticos em razão de contaminação do plantel por tuberculose. O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), estabelecido pela Instrução Normativa (IN) n° 19 de 2016, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), prevê o abate sanitário para evitar disseminação da doença.

Laudos do Laboratório de Patologia da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) comprovaram a existência da epidemia animal, que não foi controlada pelo empreendedor, descumprindo normas dos órgãos ambientais e sanitários.
 
O abate humanitário é realizado em local licenciado com acompanhamento de veterinários da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul. A autorização ocorreu após solicitação do empreendedor, sob supervisão de um Grupo de Trabalho formado por representantes do Ministério Público Federal (MPF), da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado e do Ibama para o encerramento definitivo das atividades do empreendimento. O Instituto acompanha a ação com o objetivo de proteger os animais nativos não contaminados, servidores e a comunidade no entorno do estabelecimento."

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