Cientistas fazem perfil de rã em site de namoro para evitar sua extinção

Do UOL, em São Paulo

  • Matias Careaga/Global Wildlife Conservation/AFP

    Romeo vive no Museu de História Natural de Cochabamba e tem poucos anos de vida para conseguir salvar sua espécie

    Romeo vive no Museu de História Natural de Cochabamba e tem poucos anos de vida para conseguir salvar sua espécie

Romeo. Esse é o nome de uma das últimas (se é que não é a última) rãs aquáticas de Sehuencas (Telmatobius yuracare), que atualmente vive no Museu de História Natural de Cochabamba, na Bolívia. Para acabar com a solidão dessa rã e salvar a espécie, os cientistas estão em busca de uma possível Julieta e chegaram até a criar um perfil do anfíbio no site de namoro Match.com.

"Sou literalmente o último da minha espécie. (...) Mas é por isso que estou aqui - na esperança de encontrar minha combinação perfeita para que possamos salvar nossa própria espécie (sem pressão)", descreve o perfil de Romeo, que parece não ter muito tempo para esperar pela desconhecida amada.  

As rãs aquáticas, segundo os pesquisadores, normalmente vivem cerca de 15 anos e estima-se que Romeo tenha 11 anos.

"Quando os biólogos encontraram Romeu, há 10 anos, sabíamos que a espécie, assim como outros anfíbios da Bolívia, estava com problemas, mas não tínhamos ideia de que não voltaríamos a encontrar um só indivíduo da espécie em todo esse tempo", declarou Arturo Muñoz, fundador da Iniciativa Anfíbios da Bolívia, em entrevista à agência de notícias AFP.

A espécie vive nas águas das florestas bolivianas e só saem em terra fria em dias de chuva, como explica Muñoz. "Continuamos a ter esperança de que outros estejam lá para que possamos estabelecer um programa de criação de conservação para salvar esta espécie", afirmou o especialista.

Clonagem é última saída

Mas, se não houver forma de conseguir um par para ele, Muñoz não descarta a possibilidade de recorrer à clonagem para salvar este anfíbio particularmente ameaçado pela mudança climática, introdução de predadores como a truta e, sobretudo, pelo fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis).

No Equador, a espécie já é considerada extinta, e no Peru não é vista desde 2001.

Match para doações

Para salvar a espécie, os pesquisadores decidiram criar uma campanha em comemoração Dia dos Namorados, comemorado no dia 14 de fevereiro em vários países, para arrecadar cerca de US$ 15 mil (cerca de R$ 48 mil). E a criação do perfil no site de namoro faz parte do plano. 

A verba seria usada para procurar essas rãs aquáticas em lugares onde, em outros tempos, eram comuns, em locais com habitats similares, ou em áreas onde os biólogos não tiveram oportunidade de fazer buscas. (* Com informações da AFP)

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