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Colônias de pinguins de barbicha desaparecem da Antártida devido à mudança climática

30.jan.2020 - Pinguim de barbicha na Ilha Snow, na Antártida - Ueslei Marcelino/Reuters
30.jan.2020 - Pinguim de barbicha na Ilha Snow, na Antártida Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Stuart McDill

Ilha Anvers

11/02/2020 16h35

O número de pinguins de barbicha em algumas colônias da Antártida diminuiu em até 77% desde que eles foram contabilizados pela última vez, na década de 1970, dizem os cientistas que estudam o impacto da mudança climática na região remota.

O pinguim de barbicha, assim chamado por causa da faixa negra estreita que tem debaixo da cabeça, habita as ilhas e costas do Pacífico Sul e os oceanos Antárticos e se alimenta de krill.

"A diminuição que vimos é dramática", disse Steve Forrest, um biólogo conservacionista que se juntou a uma equipe de cientistas das universidades norte-americanas de Stony Brook e Northeastern em uma expedição recém-concluída.

"Algo está acontecendo com os componentes básicos fundamentais da cadeia alimentar. Temos menos abundância de alimentos, o que está fazendo com que estas populações diminuam cada vez mais. E a pergunta é: isso continuará?"

Os cientistas, que viajaram em dois barcos do Greenpeace - o Esperanza e o Arctic Sunrise - realizaram a expedição entre 5 de janeiro e 8 de fevereiro e utilizaram técnicas de inspeção manual e drones para avaliar a magnitude do dano.

O número de pinguins na Ilha Elefante se reduziu em cerca de 60% desde a última pesquisa, em 1971, chegando a menos de 53 mil casais reprodutores na atualidade, segundo a expedição.

"Embora haja vários fatores que podem explicá-lo, todas as provas que temos apontam para a mudança climática como responsável pelo que estamos vendo", disse Heather Lynch, professora-associada de ecologia e evolução a Universidade Stony Brook.

Na semana passada, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que uma base de investigação na Antártida registrou a temperatura mais alta já alcançada no continente em um contexto de preocupação crescente com o aquecimento global, que acelerou o descongelamento das calotas de gelo ao redor do polo sul.

O Greenpeace está pedindo à Organização das Nações Unidas (ONU) que se comprometa a proteger 30% dos oceanos do mundo até 2030, um objetivo solicitado pelos cientistas e por um número crescente de governos como o mínimo necessário para deter o estrago causado pela atividade humana.

Meio Ambiente