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ONG denuncia grupo francês Casino por desmatamento da Amazônia

Forças Armadas em ação conjunta com o Ibama na Amazônia - Arquivo Pessoal
Forças Armadas em ação conjunta com o Ibama na Amazônia Imagem: Arquivo Pessoal

30/06/2020 14h08

O site do jornal Le Monde publica uma reportagem nesta terça-feira (30) que aponta envolvimento do grupo Casino no desmatamento da Amazônia. O jornal ressalta que este "ecossistema único" tem sido sacrificado em prol de diversos interesses, inclusive de varejistas franceses. O grupo Casino tem redes de supermercados no Brasil e na Colômbia.

A denúncia é feita pela ONG francesa Envol Vert, em um relatório publicado nesta terça-feira (30), depois de um ano de investigações realizadas por jornalistas e pesquisadores do coletivo Repórter Brasil na Amazônia. Segundo o documento, o Casino não controla suficientemente a origem da carne de gado que comercializa.

Le Monde destaca que, no Brasil, a produção de carne é a principal responsável pelo desmatamento. O jornal lembra que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) constatou que a Amazônia perdeu mais de 10 mil km² em 2019, 44% a mais que em 2018, e a devastação continua se acelerando em 2020.

O mesmo cenário é verificado na região do cerrado brasileiro. Já as queimadas aumentaram 71% em 2019 em relação ao ano anterior.

A reportagem compara dados sobre a instalação dos rebanhos nas áreas desmatadas. Segundo o jornal, o Brasil tem 1,31 cabeças de gado por hectare, em média, enquanto na Colômbia essa proporção é de 0,6.

Herança da colonização

Em entrevista ao Le Monde, Boris Patentreger, que coordenou as investigações da Envol Vert, diz que esse sistema extensivo de criação de gado é uma herança da colonização. "Trata-se de ocupar o maior espaço possível para, em seguida, afirmar que essa parcela da Amazônia lhe pertence", afirma. A estratégia permite que o terreno seja revendido depois por um valor elevado.

Segundo ele, o comércio varejista tem uma parcela de responsabilidade na destruição da floresta. O grupo francês Casino está presente tanto no Brasil quanto na Colômbia, realizando nos dois países 47% de seu volume de negócios.

A empresa é de propriedade da Rallye, dona de grandes redes de supermercados na França, onde atua com as marcas Monoprix, Franprix, Leader Price, Spar e Naturalia, esta última veiculando a imagem de loja orgânica e eco-responsável.

A ONG denuncia as lacunas do Casino no controle da origem da carne de gado que comercializa. Segundo o relatório, o grupo vende produtos originários de fazendas que exploram e promovem queimadas ilegais na Amazônia. Cálculos dos responsáveis pelas investigações das atividades comerciais do grupo francês dizem respeito a 56 mil hectares de floresta destruída em 2019 no Brasil e na Colômbia.

Explicações do grupo Casino

A matéria indica que o Casino não respondeu aos pedidos de entrevista do jornal Le Monde. Mas enviou uma carta à ONG na qual garante que "luta ativamente contra o desmatamento relacionado à criação de gado no Brasil e na Colômbia". Também prometeu melhorar seu sistema de traçabilidade do produto.

As explicações foram consideradas "insuficientes" pela Envol Vert. A investigação testou 131 produtos vendidos em dez supermercados, em sete cidades brasileiras, especialmente em Belém e Manaus. A ONG chegou a quatro grandes fazendas situadas na Amazônia e no Cerrado. Uma delas, no Mato Grosso, queimou mais de 2.400 hectares de floresta em 2019. Outra, no Pará, se apropriou de 14 hectares de terras da tribo indígena Apyterewa.

"O grupo Casino promete se concentrar sobre esses quatro casos", conclui a matéria do Le Monde.

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