Opinião: Erramos ao ignorar as ameaças de nossos inimigos

Jeff Jacoby

Agora que aconteceu conosco, a Casa Branca não está pedindo "moderação". O Departamento de Estado não está preocupado com a "escalada do ciclo de violência". Não há editoriais implorando às partes para realizarem um "processo de paz" e "sentarem à mesa de negociações".

Agora que aconteceu conosco, os âncoras de TV estão chamando eles de terroristas, não de "militantes" ou "ativistas". Washington não está sendo alertada para evitar uma resposta "provocativa", ou ter cautela contra uma retaliação que seja "excessiva e desproporcional".

Agora que aconteceu conosco, nossos olhos finalmente se abriram. Agora, finalmente, nós entendemos que há uma guerra sendo travada ­e nós estamos nela. Por anos nós agimos como se a linha de frente estivesse em outro lugar, como se nosso trabalho fosse assistir das laterais e assegurar que nossos amigos não se defenderiam de forma excessivamente agressiva. Agora, após o pior massacre na história americana, apenas os intencionalmente cegos não verão que a frente está aqui. A guerra entre a liberdade e a escravidão, entre a esperança e falta de desesperança, entre a decência e a indecência, será vencida ou perdida nos Estados Unidos. Pois são os Estados Unidos que defendem tudo o que nossos inimigos odeiam.

Para ser justo, tais inimigos não se intimidaram em declarar seu antagonismo. Repetidas vezes eles anunciaram que nos desprezavam; repetidas vezes eles pediram a nossa destruição.

Eles a anunciaram nas mesquitas de Gaza, como foi transmitido ao vivo pela Autoridade Palestina. "Onde quer que estejam, matem aqueles judeus e aqueles americanos que são como eles ­e aqueles que estiverem ao lado deles. Todos eles estão na trincheira contra os árabes e os muçulmanos".

Eles proclamaram isto como um dever religioso, como na fatwa de Osama Cin Laden, divulgada mundialmente em fevereiro de 1998: "Matar americanos e seus aliados, civis e militares, é o dever individual de todo muçulmano que puder fazê-lo, em qualquer país em que for possível fazê-lo".

Eles transformaram isto em uma cruzada nacional, da mesma forma que Hashemi Rafsanjani, o presidente do Parlamento iraniano, exortou os militantes islâmicos em 1994 a "seqüestrarem aviões... ou explodir fábricas em países do Ocidente" e "declarar guerra aberta aos interesses americanos em todo o mundo".

Quantas vezes nós os vimos queimando bandeiras americanas? Quantas vezes fomos tratados como "o Grande Satã"? Quantas vezes já atacaram cidadãos americanos, embaixadas americanas, propriedades americanas? Durante pelo menos uma década ficou evidente que o ódio mais intenso contra os Estados Unidos e seus valores se encontrava no mundo do fundamentalismo islâmico. Mas a maioria dos americanos ­e a maioria dos seus líderes­ preferiram ignorar.

"Os homens-bomba suicidas de hoje são os nobres sucessores dos ... homens-bomba suicidas libaneses, que ensinaram uma dura lição aos fuzileiros navais americanos em Beirute", exultou na terça-feira o Al-Hayat Al-Jadida, o jornal de Yasser Arafat. "Estes suicidas são o sal da terra, os motores da história... Eles são os mais honrados entre nós". Repetidas vezes, nossos inimigos falaram desta forma. Será que achamos que não estavam falando sério?

Ao divulgar o relatório anual sobre terrorismo mundial no ano passado, o Departamento de Estado observou que "as principais ameaças terroristas contra os Estados Unidos emanam de duas regiões, do Sul da Ásia e do Oriente Médio". Isto é, das regiões onde se concentra o fanatismo islâmico. Mas o governo americano, ao que parece, não se incomodou em escutar seu próprio alerta.

Ou aos alertas do inimigo. De certa forma, a pior coisa em relação ao massacre desta semana não é o fato de ter ocorrido, nem mesmo que tais alvos óbvios de terrorismo como o World Trade Center e o Pentágono ­o Pentágono!­ pudessem ser facilmente atacados pelo ar. O pior é não estarmos preparados para eles nem mesmo depois do ataque ao USS Cole no ano passado (17 mortos). Nem mesmo depois do atentado à bomba às embaixadas no Quênia e na Tanzânia (224 mortos). Nem mesmo depois do atentado ao complexo militar em Khobar em 1996 (19 mortos). Nem mesmo depois do carro bomba no centro militar americano em Riad (5 mortos). Nem mesmo depois do primeiro atentado à bomba ao World Trade Center (6 mortos).

Houve aqueles que viram o que estava por vir e tentaram soar o alarme. Em uma entrevista para o Middle East Quarterly de Daniel Pipes em 1997, Steven Emerson, o principal especialista do país em terror islâmico, foi explícito: "A ameaça está maior agora do que nunca... Agora existe a infra-estrutura para executar 20 atentados simultâneos ao estilo do World Trade Center por todos os Estados Unidos". Em maio deste ano, Pipes e Emerson escreveram no "The Wall Street Journal" que a Al-Qaeda, a rede de terror de Osama bin Laden, estava "planejando novos ataques contra os Estados Unidos", e que autoridades iranianas "ajudaram na obtenção de armas avançadas e treinamento para uso de explosivos para o pessoal da Al-Qaeda no Líbano, onde aprenderam, por exemplo, como destruir prédios grandes".

A guerra sempre parece encontrar os Estados Unidos despreparados. Não vimos Pearl Harbor chegando, ou o afundamento do Lusitania, ou a Cortina de Ferro de Stalin, ou a invasão de Saddam ao Kuwait. Mas nós lutamos e vencemos as guerras mundiais, a Guerra Fria e a Guerra do Golfo. Agora nós temos que lutar e vencer novamente.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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