Sucesso de Bush passa por alianças estratégias e respeito aos afegãos

O primeiro passo para a retaliação norte-americana aos ataques terroristas desfechados contra os Estados Unidos tem de ser garantir que os verdadeiros mentores dos atentados sejam identificados. A partir daí, a administração Bush deve apresentar todas as provas que possam ser fornecidas aos governos que vão ser solicitados a colaborar com o desmantelamento da organização terrorista internacional que parece estar por trás dessa atrocidade.

Após aquilo que o presidente Bush chamou de um ato de guerra na semana passada, a sua conduta unilateral em termos de política externa se tornou algo do passado. Se o milionário fundamentalista saudita Osama bin Laden realmente for o responsável pelo massacre de tantas vítimas inocentes, não haverá forma de erradicar a ameaça que ele representa a não ser com uma substancial cooperação dos governos vizinhos ao seu esconderijo no Afeganistão, além de vários outros governos de todo o mundo.

A administração Bush já pressionou intensamente o governo do general Pervez Musharraf, do Paquistão, solicitando às forças armadas daquele país que entreguem um ultimato aos seus ex-aliados, a gangue fundamentalista Taleban, que controla a maior parte do Afeganistão: entreguem Bin Laden ou encarem a perspectiva de serem derrubados do poder. O ministro do Exterior do Paquistão, Abdul Sattar, disse na segunda-feira que o chefe da inteligência militar do Paquistão disse às autoridades do Taleban que "o tempo está definitivamente se esgotando".

Seria uma calamidade se a caçada feita por Washington a Bin Laden precipitasse um golpe de Estado fundamentalista no Paquistão. Felizmente, a cooperação paquistanesa com os Estados Unidos ficou bem mais fácil depois que o embaixador do Taleban em Islamabad ameaçou o Paquistão de vingança, caso o país auxilie o governo norte-americano como prometeu - cancelando a entrega de dinheiro, combustível, armas e munições para o Taleban.

Mas o Paquistão não deve ser a única potência regional a ser cortejada por Washington. O Irã e a Rússia possuem um profundo interesse em derrubar o regime do Taleban. Em ambos os casos, a oportunidade para cooperação é considerável, embora as armadilhas a serem evitadas sejam também significativas.

Os iranianos repudiam o Taleban devido ao assassinato de muçulmanos xiitas no Afeganistão. Moscou tem horror ao Taleban porque o grupo financia e dá abrigo a guerrilheiros que procuram subverter os países da Ásia Central que ficam na região periférica à Rússia. Caso o Paquistão, o Irã e a Rússia saibam que todos os três receberam um pedido de auxílio, a chance de que cooperem com os Estados Unidos aumentam substancialmente.

Mesmo que essas abordagens tenham sucesso, os Estados Unidos ainda terão que conseguir a ajuda de pelo menos 50 países onde a rede de Bin Laden, a al-Qaeda, plantou células terroristas.

A administração precisará ainda travar uma batalha ideológica muito difícil, convencendo não somente governos, mas também as organizações muçulmanas, líderes religiosos muçulmanos e até mesmo a Liga Árabe, na tentativa de derrotar Bin Laden e a sua ampla rede de terroristas suicidas doutrinados. Qualquer tentativa norte-americana de derrubar o regime Taleban para fazer com que Bin Laden se veja privado de suas bases no Afeganistão, deve também levar em consideração as condições do povo afegão. Esse povo foi bombardeado e jogado na miséria pelos soviéticos, e agora passa fome, sendo refém do fanático culto Taleban, que foi estimulado pelo Paquistão e apoiado por extremistas sauditas.

O povo afegão merece ser libertado dos seus algozes Talebans, e não ser punido pela cumplicidade entre o Taleban e Bin Laden.

Tradução: Danilo Fonseca

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