Boatos causam pânico no edifício mais alto dos EUA

Lori Rotenberk

Chicago, EUA -- São 17h e os trabalhadores saem pelas portas do Sears Tower. Eles se amontoam na Wacker Drive e se espalham pela Franklin Street, sem parar para fazer compras, comer alguma coisa ou passear às margens do rio.

Ao contrário, todos seguem diretamente para os pátios de estacionamento, estações de trem e pontos de ônibus, aliviados por estar indo para casa após mais um dia de trabalho no maior edifício da nação.

"Até mesmo as pausas para fumar ficaram mais curtas, a fim de que os funcionários possam ir embora no horário exato em que termina o expediente", diz Nick Covello, enquanto se apóia em uma coluna do prédio e dá uma última tragada no cigarro. "Quando mais rápido pudermos cair fora do prédio e da cidade, melhor".

Desde que os aviões seqüestrados se espatifaram contra o World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro, o Sears Tower tem sido um local onde impera o nervosismo. Embora as autoridades policiais tenham afirmado que não existem evidências concretas de que o arranha-céus de 110 andares e 442 metros de altura seja um alvo para os terroristas, uma persistente onda de boatos tem deixado as pessoas que trabalham no prédio apavoradas.

Os negócios em vários restaurantes do prédio caíram para a metade. O Skydeck, no último andar, dotado de janelas panorâmicas que vão do chão ao teto em todos os lados, permanece de portas fechadas até que seja instalado um dispositivo mais rígido de segurança.

Até o momento, somente uns poucos ocupantes disseram que vão se mudar do local, segundo a TrizecHahn Office Properties, uma empresa de gerenciamento. Mas, de acordo com especialistas do mercado de imóveis, um número expressivo de ocupantes, a maior parte composta por firmas de advocacia e de economia, está procurando novos locais onde se instalar.

O Sears Towers vem implementando gradualmente medidas de segurança mais rígidas, que incluem a instalação de barreiras de concreto nas calçadas de cada uma das entradas. Carros da polícia também estão posicionados nos quatro lados do arranha-céus cor de ébano, que se destaca no setor ocidental da cidade.

No interior do prédio, o tamanho das equipes de segurança mais do que dobrou, e os guardas inspecionam embrulhos, maletas e marmitas de cada funcionário e visitante.

Algumas empresas permitiram que os seus funcionários trabalhassem em casa. Embora tenham sido registrados altos números de faltas ao trabalho logo após os ataques de 11 de setembro, quando muitos funcionários decidiram pedir licença ou entrar de férias, o comparecimento já voltou ao nível normal de 13 mil trabalhadores por dia, segundo Mark D. Spencer, porta-voz da TrizecHahn.

"Toda vez que ouço uma outra história sobre terroristas que planejam explodir o Sears Towers, me dá vontade de não vir trabalhar", diz Valerie Marks, de 32 anos, que trabalha para a Unicare, uma seguradora, cuja sede fica no 37º andar. "O pessoal ainda está preocupado, e eles começam o dia de trabalho planejando uma eventual evacuação. Eu costumava me vestir muito bem para trabalhar, mas parei de fazer isso".

"O uniforme padrão de trabalho no edifício passou a ser calças jeans e sapatos ou tênis confortáveis, de forma que se possa escapar rapidamente em caso de emergência. Hoje uso sapatos que me possibilitem descer correndo as escadas. Quem poderia imaginar que chegaríamos a uma situação dessas?".

Já outros funcionários, como Covello, de 28 anos, que trabalha para uma corretora de imóveis, diz que o seu medo de trabalhar no Sears Tower diminuiu. "Eu chego dez minutos mais cedo para compensar a revista feita pela segurança. Vale a pena", diz Covello. "O que me inspira mais temor são os meios de transporte de massa. Ao invés de pegar os trens elevados para vir ao trabalho, eu agora decidi vir dirigindo. Assim como todos os outros funcionários... Acredito que, dessa forma, se algo ocorrer aqui, poderei fugir com rapidez".

Ross Rice, um agente especial e porta-voz do escritório do FBI em Chicago, diz que "não há evidências de uma ameaça palpável" ao Sears Tower ou a qualquer outra construção em Chicago. Mas, segundo ele, os boatos que são divulgados pela mídia acabam provocando um pânico desnecessário.

O medo voltou a aumentar recentemente, quando o "Boston Globe" e o "The New York Times" afirmaram ter recebido cartas ameaçadoras que faziam citações ao Sears Tower em chamas.

No mês passado, um boato sobre um avião que teria sido seqüestrado em Milwaukee e que estaria se dirigindo para o arranha-céu fez com que vários trabalhadores abandonassem o prédio em disparada.

Esta semana, os jornais de Chicago noticiaram que Nabil Almarabh, um ex-motorista de táxi de Boston que foi preso em Chicago no mês passado, teria procurado emprego em uma firma local de transportes com caminhões. Almarabh, que é suspeito de ter laços com a rede Al Qaeda, teria documentos relacionados ao Sears Tower. Mas, segundo os jornais, os investigadores disseram que "não havia indicação de que o prédio se constituía em um alvo específico".

Thomas K. Hanekamp, advogado da Tressler, Soderstrom, Maloney & Preiss, no 22º andar, conta que muita gente está ansiosa com o fato de trabalhar no edifício.

"Mas, ao mesmo tempo, há aqueles que se sentem mais tranquilos com as medidas adicionais de segurança que estão sendo tomadas", diz Hanekamp. "Pessoalmente, vir trabalhar no Sears Towers adquiriu um significado semelhante a uma missão, já que temos que mostrar a todos, e especialmente aos terroristas, que eles não vão conseguir esvaziar o prédio".

Tradução: Danilo Fonseca

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