Fugindo do passado, refugiados afegãos não têm perspectivas para o futuro

Cindy Rodriguez

Após ter esperado anos, 150 refugiados afegãos que estavam escalados para se estabelecer em Boston ainda estão no Paquistão, no Irã e no Uzbequistão, sendo vítimas atípicas dos ataques terroristas de 11 de setembro. Eles estão entre os 22 mil refugiados de todo o mundo cujo processo de assentamento nos Estados Unidos ficou paralisado enquanto o governo Bush revisa os seus procedimentos de segurança.

Os refugiados afegãos - a maioria deles composta de mulheres e crianças - fugiram do país por vários motivos, incluindo o regime Taleban, que encarcera ou executa aqueles que violam o seu código fundamentalista islâmico. Após passar anos aguardando em campos de refugiados, esses indivíduos tiveram a sua vida examinada por autoridades norte-americanas e deveriam ter começado a voar para os Estados Unidos nas últimas seis semanas.

Agora eles se encontram mergulhados em um limbo, já que o Departamento de Estado norte-americano e outras agências federais procuram garantir que nenhum terrorista se infiltre no país, em meio ao grupo de refugiados. Um funcionário do Departamento de Estado diz que não se sabe quanto tempo pode levar até que os refugiados recebam a permissão para ingressarem no país.

O presidente Bush ainda precisa assinar uma "carta de determinação" que vai estabelecer o número de refugiados que receberão autorização para ingressar no país neste ano fiscal. A carta geralmente é assinada no dia 1º de outubro de cada ano.

"É uma tragédia da guerra o fato de aqueles que mais precisam do nosso auxílio não receberem autorização para entrar no país", afirma Westy Egmont, diretor executivo do Instituto Internacional de Boston, a maior agência de assentamento de estrangeiros da Nova Inglaterra. "Os refugiados afegãos são nossos aliados naturais. São pessoas que experimentaram o pior que o regime Taleban oferece e são os mais ansiosos por participar de um país livre".

O Instituto Internacional programava receber 270 refugiados nos últimos meses, cerca de 150 dos quais oriundos do Afeganistão, segundo Robert Meek, gerente de assentamento do instituto. Esse número representa uma fração dos refugiados assentados em Boston em um ano típico. No ano fiscal que se encerrou no último dia 30 de setembro, o instituto assentou 1.800 pessoas e várias outras agência menores assentaram vários outros.

O Afeganistão é a fonte da maior população de refugiados do mundo. Segundo o Alto Comissariado de Refugiados das Nações Unidas, mais de 3,5 milhões de afegãos eram refugiados em 1999, o ano mais recente para o qual há estatísticas disponíveis.

A típica família refugiada afegã tem cerca de cinco ou seis pessoas, segundo Meek. Várias das mães são viúvas cujos maridos foram executados pelo Taleban.

A guerra movida pelos Estados Unidos contra o Taleban, que dá abrigo a Osama Bin Laden e a outros líderes da Al Qaeda, criou uma onda de refugiados que se dirigem ao Paquistão, ao Irã e ao Uzbequistão, entre outros países fronteiriços. Oficialmente, todos os países fecharam as suas fronteiras aos refugiados.

Os Estados Unidos recebem cerca de 80 mil refugiados por ano - mais do que qualquer outra nação do mundo. É de se prever que esse número caia no próximo ano, mas não se sabe em quanto vai diminuir a chegada desses refugiados.

Tradução: Danilo Fonseca

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