Concerto conjunto de Elton John e Billy Joel provoca corrida entre os fãs

STEVE MORSE

THE BOSTON GLOBE


Quando o pianista Billy Joel se uniu a Elton John para fazer alguns shows em estádios, alguns anos atrás, a dupla fez um sucesso instantâneo. Os fãs se aglomeraram para vê-los, os telefones das bilheterias não pararam de tocar e uma nova dupla de força do show-business acabou nascendo. E tal sucesso não é algo do qual se abre mão facilmente, especialmente quando os promotores dos eventos viram a quantidade de dinheiro que Billy e Elton são capazes de gerar.

"Há muita pressão para que façamos os shows", disse recentemente Joel. "Os promotores dos eventos vêm até nós com baldes de dinheiro".

Muita gente ficaria muito satisfeita em ter que passar por tal dilema, e Billy e Elton tiraram o maior proveito dessa situação. Ambos possuem um talento natural para entreter o público e apreciam o talento mútuo. Eles têm ainda em comum um senso de humor que faz com que as platéias se sintam imediatamente à vontade. Seria então motivo de surpresa o fato de a dupla ter vendido todos os ingressos para os cinco shows no Fleet Center, que começam na próxima terça-feira? Os preços dos ingressos chegaram a US$ 175 (R$ 414), e os mais caros foram os primeiros a se esgotar.

"Nós estamos realmente juntos nesta festa", disse Joel. "Pode nos chamar de os siameses do piano".

De fato, embora os dois toquem com bandas separadas em partes dos shows, eles interagem intensamente toda noite. "Eu canto parte das suas músicas, e ele, parte das minhas", afirma Joel. "É como se fosse uma pequena banda de dois pianos. E eu trabalho com os músicos de Elton, de forma que há uma dinâmica diferente nos meus próprios concertos".

Eles também fizeram uma outra descoberta durante essa nova relação artística que tem uma espécie de toque de Midas. "Nos primeiros dois anos, tocamos em estádios. A seguir, fizemos uma experiência em uma arena e chegamos à conclusão que a qualidade do som era bem melhor. Portanto, passamos a tocar em arenas. Tocamos na Costa Oeste, no Meio-Oeste e no Sul, mas nunca tínhamos nos apresentado na Costa Leste. É por isso que estamos aqui".

E Joel sabe o que querem os seus fãs.

"Eles não querem ouvir novas músicas. O que eles querem são os sucessos antigos", diz Joel.

Joel, no entanto, não quer transformar a série de show em uma sessão nostalgia. "Não quero fazer algo no estilo de Frankie Avalon, Bobby Rydell, Fabian ou os Beach Boys". Ele continua a dizer que essa sua apresentação mais recente com Elton John pode ser a última em que tocará os seus sucessos antigos. Joel não compõe há anos uma música popular, tendo ultimamente se dedicado mais à música clássica e ao lançamento do álbum "Fantasies and Delusions", que foi o mais vendido na lista dos clássicos nos últimos meses. Ele reconhece que a maior parte dos seus fãs populares nunca irá ouvir esse disco.

"Quanto vende um álbum clássico? Talvez umas cinco mil cópias", diz ele, demonstrando descaso.

Talvez seja por isso que os fãs estejam tão ansiosos para assistir a esses shows de Billy-e-Elton no FleetCenter. Não se trata de algo que deve voltar a acontecer, a menos que os promotores do evento tenham idéias diferentes. Joel se lembra de uma conversa que teve com Garth Brooks - um outro cantor que havia ameaçado parar de apresentar os seus sucessos.

"Não os deixe obriga-lo a trabalhar se não é isso o que você deseja", retrucou Joel.

O tempo dirá a verdade, mas Joel está falando sério quando se refere a mudar o seu percurso para a composição de música clássica. O seu irmão, Alexander, é regente de uma orquestra em Viena, e Joel estudou piano clássico por 12 anos durante a sua infância em Long Island.

"Atualmente, estou feliz por estar compondo somente música, sem as letras", diz ele. "Isso dá margem a mais reflexão. Mas não vou tomar uma decisão definitiva no sentido de escrever ou não música popular novamente. Vou deixar que a música me guie".

Segundo Joel, muitos baby boomers (norte-americanos nascidos nas duas décadas que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial), em especial, se afastaram da música clássica devido à forma como esse tipo de música foi apresentado a eles, como sendo um gênero esnobe e elitista. "Sempre ouvimos os amantes da música clássica reclamando da música popular. Eles vêem a música popular como um monte de barulho. E por não serem receptivos à nossa música, muitos baby boomers simplesmente passaram a não tomar conhecimento de sua existência".

Mas Joel segue firme na sua cruzada para "abrir os ouvidos" dos seus colegas de geração. Ele diz que a música clássica é "para ser sentida, e não entendida". Ele pede aos ouvintes que "apenas ouçam a emoção contida na música clássica".

No entanto, enquanto isso, ele não nega que está se divertindo com Elton John. Os shows da dupla têm sido lucrativos e têm dado muito prazer a milhares de fãs fiéis.



Tradução: Danilo Fonseca Música

UOL Cursos Online

Todos os cursos