Índia afirma que polícia matou dois terroristas paquistaneses

SUSAN MILLIGAN

THE BOSTON GLOBE

ISLAMABAD - A polícia indiana matou a tiros, na segunda-feira (28), dois homens que, segundo as autoridades de Nova Délhi, seriam terroristas paquistaneses. Um deles teria confessado no leito de morte que participou do ataque da semana passada ao Centro Cultural Norte-Americano, em Calcutá, segundo a versão da polícia.

Os policiais cercaram aquilo que, segundo eles, seria um "módulo terrorista", em Hazaribag, nas primeiras horas da manhã, atirando em dois homens que tentavam escapar durante o amanhecer, segundo o secretário do Interior Kamal Pandey.

"Estamos conduzindo investigações mais aprofundadas, mas há pouca dúvida sobre o papel desempenhado neste caso por paquistaneses e grupos terroristas baseados no Paquistão", disse Pandey, em uma entrevista coletiva à imprensa, em Nova Délhi.

A polícia identificou os homens como sendo Mohammed Zahid e Mohammed Salim, e disse que eles possuíam conexão com o grupo militante paquistanês Lashkar-e-Tayyaba. O grupo é uma das duas organizações que a Índia suspeita que tenham realizado o ataque de 13 de dezembro contra o parlamento em Nova Délhi, e um dos cinco grupos que o presidente do Paquistão, o general Pervez Musharraf, baniu no seu país, como parte de uma operação repressiva contra militantes e extremistas religiosos paquistaneses.

Pandey disse que um dos homens "deu uma declaração antes de morrer", confessando que participou do ataque da última terça-feira em Calcutá, no qual quatro policiais morreram e 18 pessoas ficaram feridas.

Segundo o general Rashid Quereshi, secretário de Imprensa de Musharaf, ainda é cedo para afirmar que os dois homens eram paquistaneses ou membros de uma organização terrorista. "A Índia faz primeiro as acusações e depois as investigações", criticou.

O ministro paquistanês da Informação, Anwer Mehmud, manifestou um desprezo ainda maior pela versão indiana, chamando as acusações de "ridículas e divertidas".

"É uma piada; uma gozação", disse Mehmud, referindo-se à idéia de que um dos homens confessaria o ataque feito em Calcutá pouco antes de morrer.

As autoridades indianas disseram à Associated Press, em Nova Délhi, que encontraram um fuzil de assalto Kalashnikov AK-47 na casa dos suspeitos, bem como 22 mil rúpias, que equivalem a US$ 460 (R$ 1.127).

Seis pessoas, incluindo três cidadãos de Bangladesh, foram presos, em aparente ligação com o atentado, no qual os atacantes, pilotando motocicletas, e com os rostos envoltos em xales, abriram fogo contra o edifício dos Estados Unidos em 22 de janeiro.

O problema constituído por aquilo que a Índia chama de terrorismo de fronteira aumentou as tensões entre a Índia e o Paquistão. As duas nações vêm entrando em atrito há décadas, a fim de definir quem teria mais direitos de controlar a Cashemira. Cerca de um milhão de soldados indianos e paquistaneses estão concentrados na fronteira. Na segunda-feira, soldados dos dois lados voltaram a trocar tiros de morteiro. O exército paquistanês declarou que oito camponeses paquistaneses teriam sido feridos por um ataque indiano, na segunda-feira, desfechado sem motivo aparente.

Alguns grupos militantes fizeram da independência da Cashemira a sua causa. Embora Musharraf tenha demonstrado cautela, ao insistir que não vai ceder quanto à questão da Cashemira, ele promoveu uma onda de repressão contra os militantes do seu país, tendo encarcerado cerca de duas mil pessoas.

Uma delas - Qazi Hussain Ahmed, líder do Partido Jamaat-e-Islami - foi libertado na segunda-feira por motivos médicos, após ter passado quase três meses na prisão.

Apesar das prisões, a Índia afirma que o Paquistão não tem se esforçado o suficiente e que o país vizinho estaria abrigando terroristas. Conflito

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