Super-modelos optam por dietas de fome para ficarem magras

TINA CASSIDY

THE BOSTON GLOBE



Quando a editora da Vogue, Anna Wintour descansa o cotovelo no colo, sentada na fileira da frente de um desfile de moda, as pessoas que estão nas filas de trás podem contar nitidamente cada uma das suas vértebras e costelas. Os ossos são ligeiramente cobertos por uma camada de pele e um suéter de cashmere.

Wintour, de 52 anos, é exoticamente magra, mas, ainda assim, elegante.

Após uma outra estação de desfiles de moda, fico refletindo não só sobre as roupas dos estilistas que legiões de editoras escolheram vestir em Nova York, Milão e Paris, mas também sobre o que essas pessoas comem. A resposta é: muito pouco.

Apesar de uma abundância tentadora - especialmente na Europa - a Dieta da Moda é extremamente rigorosa.

Pode-se culpar as supermodelos anoréxicas que desfilam todas as semanas por fazerem com que as pessoas normais se sintam gordas. Ou então se pensar em um guarda-roupas cheio de peças caras que, caso a proprietária coma mais um prato de ravióli, deixarão de servir.

Mas as norte-americanas, ao contrário das suas colegas européias, parecem ter mais consciência do quanto comem. Deve ser por isso que em Bryant Park, em Nova York, onde foi realizada grande parte dos desfiles para o próximo outono, a única substância disponível para ser ingerida era água. Geladeiras repletas de Evian. De graça e com zero de calorias. Todas portavam uma garrafa de meio litro para ajuda-las a passar o dia examinando as roupas das anormalmente magras.

Os europeus têm uma posição diferente quanto a comida. Eles a comem. E a saboreiam.

Em Paris, na exposição de Yohji Yamamoto, havia um buffet quente elaborado para fortificar os fregueses. Em Milão, há toda uma cultura que favorece os prazeres da boa mesa. Vá à exposição de qualquer estilista famoso e você encontrará na certa um salão cheio de comida gloriosa.

Uma mostra italiana oferecia alguns dos pontos altos da culinária deste ano. Garçons serviam porções de risoto fumegante em pratos fundos no estilo japonês. Quando os garçons percebiam que o prato de alguém ficara vazio, eles se apressavam a trazer um outro. O próximo prato continha batatinhas cozidas e salgadas, com molho de guacamole. Comia-se as batatas com os dedos. Simplesmente delicioso. Me lembro de ter pensado em roubar a idéia para a minha próxima festa.

A Prada ofereceu canapés de patê e coquetéis rosados após o show, dando aos editores um motivo para parar e comer um pouco, antes de entrarem em seus Mercedes. Na Gucci, não havia comida, apenas champanhe. Roberto Cavalli também serviu champanhe, dessa vez em garrafas com canudos.

Croquetes finos de queijo e fatias de prosciutto aguardavam os editores no Strenesse. Anna Wintour estava na primeira fila, antes do show, comendo um dos pequeninos sanduíches. Quando uma equipe de TV se aproximou para entrevista-la no meio de uma mordida, ela os enxotou, com medo de que a cena fosse gravada.

Fiquei com essa imagem na mente por algumas semanas. Depois, peguei a Vogue de abril, dedicada a diferentes tipos físicos, na qual Wintour diz que sempre foi magra, "apesar de uma queda por hambúrgueres e purê de batata". E, como conseqüência, segundo suas palavras, ela é obrigada a lidar com "uma espécie peculiar de hostilidade fanática".



Tradução: Danilo Fonseca

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