Atentados não reduzem procura de estrangeiros por vagas em faculdade nos EUA

Susan Milligan
The Boston Globe
Em Washington (EUA)

As inscrições de estudantes estrangeiros para faculdades e universidades norte-americanas neste ano parecem ter aumentado, ou se mantido em um nível constante, segundo vários administradores destas instituições, o que surpreendeu e agradou os funcionários responsáveis pela admissão desses alunos. Eles temiam que os estudantes estrangeiros pudessem ter se assustado com os acontecimentos de 11 de setembro.

Os administradores de educação superior ainda não catalogaram exatamente quantos candidatos se inscreveram para estudar nos EUA no ano letivo de 2002-2003, já que algumas instituições ainda estão aceitando inscrições. Mas eles anunciaram que já há evidências de que o interesse internacional por um título acadêmico obtido nos Estados Unidos aumentou, segundo June Naronha, presidente da Associação de Educadores Internacionais e vice-reitora de educação multicultural da Faculdade Saint Catherine.

"Por todo o país, há boatos de que em certas áreas, o número de inscrições chegou a aumentar", afirma Naronha, acrescentando que até mesmo na sua pequena faculdade, exclusiva para mulheres, o número de inscrições de candidatos estrangeiros aumentou ligeiramente este ano.

As matrículas de estudantes estrangeiros alcançaram um recorde de 547.867 alunos em 2000-2001, com estudantes que vieram principalmente do Extremo Oriente e da Índia, segundo o Instituto de Educação Internacional, com sede em Nova York. Considerando que grande parte dos estudantes estrangeiros paga pelos seus estudos, a sua presença em faculdades e universidades norte-americanas é financeiramente importante para as instituições de ensino superior dos Estados Unidos. No ano letivo 1999-2000, Massachusetts era o quarto Estado com o maior número de estudantes estrangeiros, tendo recebido 28.192 alunos do exterior.

Na Faculdade Wellesley, as inscrições de candidatos internacionais aumentaram em 10% em relação ao ano passado, segundo a porta-voz da instituição, Mary Ann Hill. Na Escola de Pós-Graduação em Administração da Universidade Clark, as inscrições aumentaram em 20%, e três quartos desse aumento se devem ao interesse de estudantes estrangeiros, afirma Patrícia Tollo, vice-diretora de admissões. No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as inscrições de estrangeiros para cursos de graduação têm aumentado nos últimos cinco anos e estão estabilizadas este ano, segundo Betty Johnson, vice-diretora de admissões do MIT. Ela afirma que a universidade ainda não compilou as inscrições para os cursos de pós-graduação.

A Universidade Harvard também tem demonstrado uma tendência relativamente estável com relação ao ano passado, de acordo com a porta-voz Sharn Ladd e, na Universidade Stanford, houve um pequeno aumento no número de inscrições de candidatos estrangeiros para os programas de pós-graduação, afirma John Pearson, diretor de estudos internacionais. A Universidade de Michigan acusou um aumento percentual de um dígito nas inscrições de estudantes estrangeiros, segundo a porta-voz Juli Peterson.

Os administradores afirmam não saber a razão desse interesse forte e contínuo pela educação superior norte-americana, mas eles especulam que os estrangeiros acreditam que as vantagens advindas da obtenção de um título em uma instituição dos Estados Unidos compensam os possíveis perigos de se morar em uma nação que recentemente foi atacada por terroristas.

Suzanne Droleskey, diretora-executiva de serviços para estudantes estrangeiros na Universidade do Texas, acha que alguns estrangeiros podem estar enviando múltiplas fichas de inscrição, ou podem estar se apressando para fazer a sua pós-graduação nos Estados Unidos, já que poderiam estar preocupados com a possibilidade de que, no futuro, fique mais difícil de se conseguir vistos de estudante. Os funcionários de admissão também ressaltam que o tipo de pessoa que se sente atraída por estudos no estrangeiro tende a aceitar melhor a possibilidade de correr riscos.

"Eles realmente seguem em frente, como se não tivessem medo", diz Sal Longarino, diretor de estudantes e pesquisadores estrangeiros da Universidade Fordham, em Nova York.

A Fordham acusou um pequeno aumento no número de inscrições de estudantes estrangeiros, uma tendência que, segundo Longarino, também foi observada em outras instituições, conforme se constatou em uma reunião, na última terça-feira, de diretores de faculdades e universidades de Nova York. A tendência o deixou particularmente impressionado, diz Longarino, porque estudos anteriores demonstraram que um desejo de morar na cidade de Nova York, bem como o prestígio de uma determinada universidade, estavam entre os principais fatores que fazem com que o estudante estrangeiro escolha estudar na cidade.

As universidades norte-americanas também têm competido com a propaganda cada vez mais agressiva de instituições de ensino superior da Inglaterra, Austrália e Canadá, diz ele, e, portanto, o aumento aparente no número de inscrições de estudantes estrangeiros é especialmente agradável.

"Sentimos uma fraqueza nos Estados Unidos após o 11 de setembro, mas, obviamente, ainda contamos com um sistema educacional fabuloso", diz Adrea Baker, diretora de estudantes e pesquisadores internacionais da Universidade Rice, em Houston. "Isso realmente demonstra que as pessoas ainda querem vir para os Estados Unidos e tirar o seu diploma".

Na Universidade Rice, as inscrições de candidatos estrangeiros aumentaram drasticamente, passando de 2.561 para o ano letivo 2001-2002, para 3.863, para o próximo ano letivo.

"Até recentemente, estávamos preocupados", conta Dennis R. Johnson, vice-presidente de matrículas do Instituto Monterey de Estudos Internacionais, na Califórnia. "As inscrições diminuíram um pouco, mas agora já estão no mesmo nível do ano passado", diz ele.

Mas, embora o interesse dos estudantes estrangeiros possa ter aumentado, as matrículas podem não ter seguido essa tendência, advertem os funcionários de admissão. O Departamento de Justiça baixou novas normas na semana passada, exigindo um acompanhamento mais intenso, por meio de computadores, dos estudantes estrangeiros neste país. E estudantes de determinados países -- especialmente aqueles suspeitos de abrigarem terroristas -- podem ter mais dificuldade para conseguir vistos, dizem os dirigentes das universidades.

As faculdades e universidades norte-americanas estão preocupadas com a possibilidade que os estudantes estrangeiros possam não se sentir bem-vindos, e têm procurado intensamente desfazer essa impressão, enviando cartas a alunos em potencial e "usando os nossos colegas em todo o mundo para disseminar uma mensagem atraente", afirma Naronha.

Tradução: Danilo Fonseca

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