A maldição da bolsa da rainha Elizabeth

The Boston Globe

A rainha da Inglaterra deveria ser capaz de sair de casa sem levar uma bolsa. Mas ela não consegue e, portanto, lá estava Sua Majestade no seu Jubileu de Ouro, esta semana, com uma bolsa preta deselegante pendurada no braço.

A rainha Elizabeth aparece em fotos do evento como a maioria das mulheres que estão sem bolsos em grandes festas. Mas, na cena, parece que a rainha pensa: gostaria de jogar este trambolho fora, mas não confio na multidão.

Então, por que não deixar que o mordomo real carregue a bolsa? Ou por que não entregar o batom, o pente, o lenço e os óculos para o príncipe Philip, que contaria com espaço mais do que suficiente para esses objetos nos vários bolsos que os homens sempre possuem em seus práticos e elegantes ternos?

Ou, melhor ainda, por que ela não insistiu em que o alfaiate do palácio costurasse cinco ou seis bolsos no seu longo vestido azul-pálido, talvez na junção da bainha, para que eles ficassem invisíveis?

Tais inovações seriam fáceis de ser providenciadas por uma monarca e se constituiriam em um recado sonoro para todas as mulheres, que, não importa o quão poderosas se tornaram em um mundo liberado, não conseguem se livrar do desengonçado acessório que ainda lhes rende o estereótipo de dependentes e inconstantes.

"Vou sem a minha bolsa!", deveria ter anunciado a rainha para a multidão aglomerada em frente à sacada real, acenando para o povo com as duas mãos livres. E gritos de saudação teriam ecoado para além do reino, porque alguém logo levaria o útil novo evangelho para as fábricas de roupas femininas.

As pessoas teriam ouvido a realeza e seguido o mantra, que seria divulgado pela mídia e ressoado nas lojas, resultando em bolsos "queen-sized" (de tamanho grande) e liberdade em potencial para as massas - contanto, é claro, que as massas aprendessem a carregar menos bugigangas.

Nem mesmo uma dúzia de bolsos profundos seriam suficientes para levar laptops, jornais, revistas, sombrinhas, sapatos e lanches que preenchem as caras e enormes bolsas e fazem com que a usuária tenha que procurar a ajuda de quiropráticos.

Desde a sua invenção, a bolsa tem sido um incômodo, principalmente porque ela vem em dois tamanhos básicos - muito grande e muito pequena. Exasperada com um dos extremos, a mulher é jogada ao outro, e, deste, para o primeiro, em um ciclo sem fim. Durante todo o processo, a infeliz suspira por um casaco onde pudesse levar uma carteira.

Os homens, cujas roupas são cheias de espaços para armazenagem de fácil acesso, muitas vezes vêem as bolsas como apêndices indesejáveis carregados pelas mulheres.

As pochetes foram uma grande inovação, mas nunca funcionaram quando se usam sapatos elegantes. O mesmo se pode dizer das mochilas. Portanto, a mulher no trabalho ou fora da cidade - ainda que se trate de uma pessoa que ocupe o trono da Inglaterra há 50 anos - ainda vai ter que carregar a bolsa por muito tempo.

Tradução: Danilo Fonseca

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