Comentário: Para garantir a segurança interna, a estratégia é partir para o ataque

Jeff Jacoby
The Boston Globe

Pode me chamar de cético com relação ao proposto Departamento de Segurança Interna.

Reconheço que garantir a segurança do país é algo de crítico, especialmente quando estamos em guerra contra um inimigo especializado em matar civis. Mas será que a ampliação do alcance da burocracia federal e a criação de um novo departamento no Gabinete se constituiriam na forma correta de garantir tal segurança? E, o período atual, em que estamos no meio da guerra, seria o melhor para se fazer uma dramática reconfiguração do governo?

Recentemente me deparei com a transcrição de um discurso de Newt Gingrich, o ex-porta-voz da Câmara, feito em novembro do ano passado na Fundação Heritage. O título do discurso era "Garantindo a Segurança do Front Interno no Século 21", e o parlamentar o tinha elaborado bem antes de 11 de setembro.

Gingrich foi um dos organizadores da Comissão de Segurança Nacional Hart-Rudman, que foi criada em 1998. Dois anos antes do ataque de setembro, a comissão alertou que, caso não se promovessem mudanças urgentes, "cidadãos norte-americanos vão morrer no solo dos Estados Unidos - possivelmente em um grande número". O relatório final, entregue em janeiro de 2001, pedia a criação de um departamento de segurança interna no nível do Gabinete da Presidência.

Para Gingrich, a segurança interna se transformou em uma espécie de missão pessoal. Ao apresenta-lo antes do discurso, o presidente da Fundação Heritage, Ed Geulner, disse que, em 10 de setembro, ele e Gingrich estavam sentados próximos um ao outro em um vôo que vinha da Europa. "Tivemos uma longa conversa durante a viagem", recorda Feulner. "Em determinado momento, ele me disse, 'É preciso que tenhamos a nossa própria gente tomando conta da segurança interna; precisamos nos empenhar mais nesta área'".

Gingrich começou o seu discurso observando que os Estados Unidos estão em um estado de guerra desde 1983

A lista dos elementos mais procurados no quadro de extremistas estrangeiros inclui alguém "cuja primeira atividade na carreira de matar norte-americanos foi o ataque ao quartel dos fuzileiros navais no Líbano". O que ele não disse, mas poderia te-lo feito, é que, durante os primeiros 18 anos na guerra contra o terrorismo, somente os extremistas é que estavam lutando. Os Estados Unidos sofreram milhares de baixas entre 18 de abril de 1983, quando a embaixada americana em Beirute foi alvo de um atentado a bomba, e 11 de setembro de 2001. Nenhuma dessas baixas foi motivada pela falta de um departamento de segurança interna.

Uma outra observação feita por Gingrich chamou a minha atenção.

"A pirataria era relativamente comum no século 18. Por volta do final do século, essa atividade havia sido totalmente varrida do mapa, por ter se tornado inaceitável... As pessoas gradualmente chegaram à conclusão que não toleraríamos mais a ação de piratas". O que ele queria dizer é que é crucial que se divulgue no país a mensagem de que o terrorismo é intolerável.

Mas eu cheguei a uma diferente conclusão. É de se presumir que a pirataria tenha sido sempre "inaceitável" e de se supor que os governos das nações afetadas sempre tenham se ressentido dessa atividade. O que removeu aquela escória da face da terra não foi uma campanha de relações públicas ou uma reorganização burocrática, mas uma determinação em caçar e matar piratas. Da mesma forma nós só acabaremos com a escória do terror muçulmano caçando e matando terroristas e derrubando os regimes que os sustentam.

É esse o plano dos Estados Unidos? O presidente Bush tem dito que sim - no seu discurso propondo a criação do novo departamento ele frisou que "a principal e melhor maneira de garantir a segurança do país é atacar o inimigo onde ele se oculta e faz seus planos". Alguns dias antes, em West Point, Bush foi ainda mais enfático: "A guerra contra o terror não será vencida na defensiva. Devemos levar a batalha até o inimigo, atrapalhar os seus planos e confrontar as piores ameaças antes que elas venham à tona".

Realmente, nove meses após o 11 de setembro, já é certamente o momento de pararem de nos dizer que temos que levar a batalha ao inimigo e realmente começar a levar a batalha até o inimigo. Além de ter liberado o Afeganistão do Taleban, o que mais a guerra conseguiu realizar? A derrubada do criminoso regime de Cabul foi uma boa coisa, mas será que a ameaça de ataques terroristas maciços diminuiu pelo menos um pouco? O governo Bush continua alertando que um outro 11 de setembro pode ocorrer a qualquer momento.

Estou disposto a aceitar o argumento de que a reformulação da burocracia de Washington possa levar a uma defesa interna mais focada e racional. Talvez a colocação de 22 agência governamentais com funções de segurança doméstica, todas sob um mesmo teto, conforme escreveu o analista James Robbins para a "National Review", realmente " gere efeitos morais benéficos que não é possível descrever em relatórios".

Mas isso ajudaria no sentido de demolir o regime de Saddam Hussein, que patrocina o terror, ou aqueles de Teerã e Damasco? O novo departamento conseguiria localizar e obliterar os campos islâmicos de treinamento? Ele eliminaria do mundo todos os estoques ilegais de armas biológicas ou químicas? Ou fecharia as fábricas da jihad no Paquistão, ou os canais de financiamento aos extremistas com dinheiro saudita?

Sob uma perspectiva gerencial, um novo Departamento de Segurança Interna pode fazer sentido. De uma perspectiva de segurança interna, é uma medida tangencial. No fim das contas, só há uma forma de garantir a segurança do país, que é destruindo o inimigo. É o que devemos fazer.



Tradução: Danilo Fonseca

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