Emboscada mata 7 israelenses e deixa 20 feridos

Charles A. Radin
The Boston Globe
Em Tel-Aviv (Israel)

Na terça-feira(16), palestinos emboscaram um ônibus civil e carros com bombas no acostamento da estrada e então dispararam com armas automáticas contra os passageiros em fuga, matando sete israelenses e ferindo mais de 20, perto de um assentamento de judeus ortodoxos.

Foi o primeiro ataque terrorista contra israelenses desde 20 de junho, quando as forças israelenses começaram a reocupar as principais cidades da Cisjordânia em resposta a uma série de ataques suicidas palestinos. Várias tentativas de atentados a bomba foram desbaratadas durante o mesmo período.

Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e autoridades israelenses disseram que o ataque foi planejado especificamente para perturbar as conversações de paz para o Oriente Médio que estavam ocorrendo em Nova York na terça-feira.

Os agressores detonaram bombas no acostamento da estrada, que inutilizaram o ônibus No.189 que ia de B'nei B'rak, uma comunidade religiosa perto de Tel-Aviv, para Emmanuel, cujas 500 famílias também são altamente religiosas. Três palestinos vestindo uniformes do Exército israelense se aproximaram do ônibus e dos carros próximos e dispararam à queima-roupa contra os motoristas e passageiros surpresos, enquanto estes saiam tropeçando de seus veículos.

O ataque foi uma recriação quase idêntica de um ataque à mesma rota de ônibus ocorrida na mesma área em 12 de dezembro, no qual 10 israelenses foram mortos. O grupo extremista islâmico Hamas e as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, que são associadas ao movimento Fatah de Iasser Arafat, reivindicaram a responsabilidade pela operação de terça-feira, como fizeram depois do ataque de dezembro. Ambos os grupos são classificados como organizações terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A rede de televisão Al Jazeera, baseada no Qatar, informou que os grupos planejaram e lançaram o ataque em conjunto. A Frente Democrática para a Libertação da Palestina, baseada na Síria, também reivindicou a autoria.

Cerca da metade dos feridos está em estado grave, incluindo uma mulher de 22 anos que estava grávida de oito meses e foi atingida à bala no abdômen.

Os médicos do Centro Médico Schneider, em Petah Tikvah, realizaram o parto da criança assim que a mãe, Tehila Siton, chegou ao hospital. O bebê estava em estado grave, assim como a mãe, na noite de terça-feira. A televisão israelense disse que uma criança de 2 anos e duas de 12 anos também foram feridas.

Entre os mortos estavam Ilana Siton, 35 anos; Keren Kashani, 20; Ades Glila, 46; e Jonathan Gamliel, 16. Também foram mortos uma avó, o genro dela e sua neta, cujos nomes não foram divulgados pela polícia pois os membros da família ainda não tinham sido notificados. Todos eram moradores de Emmanuel.

Os agressores escaparam na direção de Nablus, uma grande cidade palestina próxima.

Ra'anan Gissin, um porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que o ataque foi programado para "enviar uma mensagem aos Estados Unidos, Rússia, União Européia e Nações Unidas, cujos representantes estavam se reunindo em Nova York para discutir como acalmar esta região mergulhada em sangue. Grupos militantes islâmicos costumam lançar ataques no início de novas iniciativas de paz.

"Arafat e a Autoridade Palestina forneceram uma rapsódia de carnificina e morte ao quarteto em Nova York", disse Gissin. "Se vocês desejam parar o terror e partir para a negociação, isto não poderá ser feito com este homem e esta autoridade... É um reino de terror e violência".

Gissin disse que o mais recente ataque fortaleceu as chances do secretário de Estado, Colin L. Powell, de persuadir as grandes potências e os Estados árabes moderados de que os Estados Unidos e Israel estão certos em insistir que o controle de Arafat sobre as questões palestinas deve acabar.

"Nós não estamos dizendo para matá-lo ou derrubá-lo", disse Gissin, "mas removê-lo do controle exclusivo" das agências de segurança e finanças palestinas, muitas das quais implicadas nas atividades terroristas e na corrupção.

As autoridades israelenses disseram que a situação na região estaria muito pior caso suas tropas não tivessem tomado os territórios ocupados, depois que 31 israelenses foram mortos em três dias consecutivos de ataques suicidas no mês passado.

"Ninguém prometeu 100% de sucesso", disse Gissin. "Não há substituto para o combate contínuo e incansável ao terrorismo".

Nos últimos dias, as autoridades israelenses gradativamente reduziram as horas do toque de recolher em algumas importantes cidades palestinas, afrouxando ligeiramente a pressão sobre a população palestina. Tal relaxamento pode terminar em conseqüência do ataque em Emmanuel.

O recém-empossado chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Moshe Ya'alon, disse na terça-feira que os líderes palestinos acreditam que Israel não tem a força de vontade nacional para persistir na luta e, assim, deve mostrar o contrário.

"Os palestinos, como o Hezbollah, estão tentando de todas as formas possíveis minar a resistência da sociedade israelense", disse Ya'alon em sua primeira aparição perante o Comitê de Defesa e Relações Exteriores do Parlamento de Israel. Os líderes palestinos estão "tentando, apesar de tudo o que aconteceu, acenar tanto a bandeira do terror quanto da diplomacia", disse ele.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse por intermédio de uma porta-voz que o ataque em Emmanuel visava minar os esforços de paz, e que não se pode permitir que seus responsáveis tenham sucesso.

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que o presidente Bush condenou o atentado e acrescentou que ele acentuava a necessidade de trabalhar "com líderes da Autoridade Palestina que sejam dedicados à paz".

A Autoridade Palestina, em uma declaração divulgada pela agência oficial de notícias, Wafa, denunciou "a transformação de civis em alvos, sejam palestinos ou israelenses", e criticou a ocupação israelense e a continuidade da implementação dos assentamentos.

Moshe Raz, um membro do Parlamento do partido Meretz, de centro-esquerda, disse que o ataque foi "mais uma prova de que apenas com o encerramento da ocupação e com o início das negociações haverá possibilidade de segurança para ambos os lados".

Mas Yuval Steinitz, um parlamentar do Partido Likud de Sharon, disse: "A única resposta para deter todo os ataques terroristas é... o desmanche total do regime de apoio ao terror de Iasser Arafat... O que Israel deveria fazer é agir como os Estados Unidos no Afeganistão".


Tradução: George El Khouri Andolfato

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