Analistas de segurança tentam reduzir lista de possíveis alvos

Anthony Flint
Boston Globe

Quando a ponte Golden Gate foi colocada novamente em alerta máximo no mês passado, a explicação oficial continha as referências agora familiares de jargão de inteligência, mas "nenhuma ameaça específica". Passaram-se dias, e a ponte continua lá, é claro.

Mas a preocupação com o marco de São Francisco é típica do jogo de adivinhação que tomou conta do país no ano que se passou desde 11 de setembro: onde os terroristas poderão atacar a seguir?

As grandes cidades, devido à sua concentração de pessoas e por serem centros de governo e comércio, estão no topo da lista, disseram profissionais de segurança e analistas de risco. Mas um ataque a um grande shopping center suburbano também promoveria pânico e medo, sugerindo uma infiltração sinistra no cotidiano americano. A destruição da Estátua da Liberdade teria um peso simbólico, mas provavelmente baixas insuficientes para as metas de um grupo terrorista, disseram especialistas em segurança.

A escolha em 11 de setembro do World Trade Center e do Pentágono como alvos, assim como supostamente o Capitólio e a Casa Branca, é apenas uma pista do atordoante negócio de prever ataques, disse Stephanie King, diretora de análise de risco da Weidlinger Associates, uma firma de consultoria de Nova York.

"Você pode criar modelos baseados em ciência para a probabilidade de um terremoto ou um furacão", disse King, que assim como a maioria dos especialistas que atualmente analisam o terrorismo, trabalha para o setor de seguros. "Mas isto é mais subjetivo. É uma tentativa de aplicar métodos probabilísticos em algo que está ligado à mente de uma pessoa, e isto é difícil. Não há bons modelos como aqueles para riscos naturais".

Mas isto não impediu os analistas de pelo menos tentarem definir um universo de possíveis alvos. Uma empresa com sede em Boston, a Applied Insurance Research, ganhou as manchetes nesta semana ao revelar um banco de dados nacional de possíveis alvos terroristas. A empresa, disse o gerente do projeto, Jack Seaquist, reuniu uma equipe de ex-agentes do FBI e da CIA, e outros veteranos de relações exteriores, segurança e inteligência, e então agrupou sua previsões em rankings de probabilidade usando um processo militar de processamento de dados conhecido como "método Delfos" (Delphi).

Corporações da alta visibilidade, os prédios mais altos nas grandes cidades, instalações do governo, e os chamados locais troféus -a Casa Branca, a ponte Golden Gate, a Disneylândia- ocupam os primeiros lugares da lista.

As informações -uma paisagem de medo em um arquivo Excel- serão usadas pelas companhias de seguro quando estabelecerem prêmios e cobertura para o mundo pós-11 de setembro; elas também serão usadas pelas empresas para decidirem se permanecem nas cidades ou se criarão instalações de apoio nos subúrbios. A análise dos alvos é de interesse particular para arquitetos e construtores que estão tentando fortificar os Estados Unidos, criando estruturas mais fortes e protegendo seus perímetros de veículos carregados de explosivos.

Tomar tais medidas no reino físico é caro e exige tempo. E mesmo que rankings de probabilidade -e bom senso- forneçam alguma orientação, não há um raciocínio claro para projetar alguns lugares e estruturas visando defesa, deixando outros sem proteção.

"A Guerra Fria oferecia um cálculo de alvos claro: eles atingiriam nossas grandes cidades, ou nossas áreas de mísseis; nós atingiríamos as cidades grandes deles, ou seus mísseis", disse Tom Vanderbilt, autor de "Survival City", um estudo das respostas físicas à ameaça nuclear soviética.

"Agora, se tudo pode ser um alvo, como atribuiremos capacidade de proteção a uma coisa em detrimento de outra?"

A nova era de segurança interna é semelhante à Guerra Fria no sentido de que um artefato nuclear de um grupo terrorista quase certamente seria detonado em uma cidade -ou em um barco a motor no porto de Boston, por exemplo. De forma semelhante, um ataque biológico ou químico seria quase que igualmente eficiente se realizado em locais onde há grandes concentrações de pessoas e meios limitados de fuga.

Antecipar tais cenários mudou a forma como os americanos pensam sobre seu relacionamento com o ambiente físico, disse Alex Krieger, chefe do escritório de arquitetura Chan Krieger & Associates, em Cambridge, e presidente do departamento de design e planejamento urbano da Escola de Design de Harvard.

Mas diferente dos cidadãos na Blitz de Londres durante a Segunda Guerra Mundial -alguns protegidos em abrigos, outros enviando seus filhos para o interior- os americanos não fizeram cálculos semelhantes. Dada a incerteza quanto aos alvos, disse Krieger, as pessoas ou se recusam a se preocupar com a segurança de uma localização geográfica em particular, ou pensam nisto com espírito de reação, de acordo com o momento.

Lembrando uma recente visita a Manhattan, Krieger disse que ficou feliz em ver "milhares de pessoas cuidando de suas vidas, e havia uma sensação de perseverança e normalidade". Mas também não se evitava a consciência de estar em uma cidade que foi cenário de tamanha morte e destruição há um ano, disse ele. "Certamente as pessoas estão mais sensíveis, e há preocupação com a segurança dos centros", disse ele.

Novamente, se o próximo ataque ocorrer em um local como o campus da Microsoft na suburbana Redmond, Washington, disse Krieger, "nosso desconforto em relação a entrar em prédios altos poderia diminuir".

A preocupação com a segurança muda de acordo com o evento mais recente. Na nova era do terrorismo, disse Krieger, "nossa intuição nos diz apenas que é sempre mais seguro estar em outro lugar".


Tradução: George El Khouri Andolfato

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