Superar as pressões típicas é o maior presente de Natal

The Boston Globe

Mais um fim de semana se foi, e só resta mais um até o fim do ano. Como isso foi acontecer? Até poucos minutos atrás, ainda tínhamos um mês inteiro pela frente.

O recente dia de ação de graças e as primeiras neves oferecem as respostas simples a essa pergunta, mas tudo aquilo que envolve prazos finais e seres humanos nunca foi simples. Sim, uma grande parte da América se deu conta da verdade, dessa premência do tempo que não espera, e resolveu aproveitar o tempo livre e as férias - para fazer compras, por exemplo - antes que seja tarde, já que as boas coisas sempre acabam mais depressa.

Mas houve também aqueles que, claramente, preferiram não fazer nada disso - sobretudo porque uma grande parte da América já havia tomado conta das ruas e estava circulando por aí - e que agora se arrependeram de ter deixado tudo para depois.

A noção de que haveria "tempo de sobra no fim de semana seguinte" se sobrepôs a toda e qualquer outra lógica naqueles dias finais de novembro. Além disso, longe de constituir uma mera procrastinação, este argumento parecia ser muito mais legítimo, uma vez que ele permitia a quem precisasse encontrar um espaço de tempo para respirar entre duas temporadas - um tempo para assimilar e digerir a safra deste ano, tanto no sentido literal como no figurado, antes de mergulhar de cabeça no tumulto do Natal.

Porém, no fim de semana seguinte, quem quisesse sair às compras precisou antes enfrentar os obstáculos que representam as grandes paredes de neve formadas pelo vento, uma vez que a meteorologia havia conspirado para estender aquele espaço de tempo tão necessário - o qual, naquela altura, estava começando a passar da conta e a deixar todo mundo tenso e preocupado.

"Ainda temos tempo de sobra", insistiu o "coro dos contentes", formado por muitos espíritos filósofos, os quais argumentavam que ainda sobravam duas semanas completas e mais três dias antes de o Papai Noel fazer a sua turnê.

Mas, quando uma outra tempestade surgiu e roubou toda a tarde e a noite de domingo, durante o fim de semana passado - sendo que aquele dia, supostamente, deveria compensar um sábado passado à toa, com os pés à vontade dentro das pantufas, tudo por causa de uma incapacidade crônica de superar a preguiça e ainda de encontrar a roupa certa para sair -, aquela tensão transformou-se num autêntico pânico.

Até mesmo a única alma filosófica remanescente entre os familiares começou a soar um pouco constrangida, insistindo no seu pedido para manter a calma diante daquilo que poderia muito bem se revelar ser um último fim de semana perdido antes do Natal, com a árvore e os presentes ainda por serem comprados e com os apetrechos para a decoração da casa ainda guardados numa caixa, a qual ainda precisava ser encontrada em algum lugar do porão...

Acrescente a tudo isso as variáveis e os imponderáveis, a gripe, um problema mecânico no carro, um teto precisando de reforma e goteiras que obrigam a lotar a casa de baldes, algumas visitas inesperadas, ou um dente quebrado, e o pânico vai se transformando, lenta e seguramente, em desespero - o que pode não ser tão grave quanto parece, considerando-se que o desespero, assim como o instinto de sobrevivência, como se sabe, pode levar as pessoas a se comportarem com se estivessem imbuídas de uma estranha grandeza.

Não fique parado aí, desolado e sem a menor esperança de encontrar tempo para descolar uma árvore, arrastá-la para dentro de casa, cortá-la e talhá-la para fazer com que ela caiba na sala, e ainda colocar a decoração e as luzes. Em vez de mergulhar no desespero, toda pessoa dotada de um pouco de imaginação pode encontrar recursos e inspiração insuspeitos, o suficiente para, por exemplo, inventar de cobrir uma parede da sala de estar com papel de embrulho verde.

E você ainda pode chamar isso de "bálsamo impressionista". Se você estiver usando papel reciclado, então, a sua iniciativa se transforma numa autêntica declaração em defesa do meio ambiente, e possivelmente numa nova tendência, a ser seguida por todos os seus amigos.

Uma bela folha de papel de cartas torna-se um presente inovador quando nela estão escritas as palavras "vale um presente para quando a neve parar de cair". Essa engenhosa combinação de promissória com vale presente que promete se transformar numa excelente surpresa a ser entregue numa data posterior - de preferência na primavera - quando tanto o doador como o agraciado estiverem mais conscientes e concentrados em torno do que está na frente deles e quando ninguém estiver se sentindo pressionado a cozinhar bolinhos.

Portanto, a palavra de ordem para o próximo fim de semana é: minimize a pressão ao máximo, maximize o essencial, e compre os bolinhos. Jean-Yves de Neufville

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