Faculdade conservadora é protagonista de "O Sorriso de Monalisa"

Johnny Diaz

Julia Roberts, Julia Stiles e Kirsten Dunst aparecem no topo dos créditos do novo filme "alto astral" da temporada, "O Sorriso de Monalisa", mas para membros e alunos da Faculdade Wellesley, a principal estrela do filme é sua escola de 128 anos, cujo campus não é apenas o cenário, mas o personagem principal.

Os diretores da faculdade esperam que o filme sirva como cartão postal cinematográfico endereçado ao país, um que sirva para ampliar o reconhecimento do nome da escola.

O enfoque favorável é uma mudança bem-vinda em relação à publicidade negativa que a escola de prestígio tem recebido nos últimos anos. A revista "Rolling Stone" publicou um artigo há dois anos intitulado "A vida erótica intensa da garota de Wellesley", que recebeu críticas por retratar as alunas de Wellesley como obcecadas por sexo.

A revista "Newsweek" publicou um artigo, em dezembro de 2002, que se referia a uma aluna universitária que optou por se abster de sexo como "a garota de Wellesley". A escola recebeu outro golpe na última primavera, por Tina Fey no programa humorístico "Saturday Night Live", que disse que as garotas de Wellesley eram atraídas para a Harvard Square devido a uma grande escultura de gelo na forma de um falo.

As alunas e corpo docente disseram que não dão atenção aos estereótipos negativos. Eles dizem que faz parte do pacote comprado por quem freqüenta uma faculdade só para mulheres. Quanto muito, eles acham graça na atenção que a escola tem recebido da mídia.

"Não é novidade as escolas para mulheres receberem estes tipos de comentários. É algo com que estamos acostumados", disse Mary Ann Hill, uma porta-voz da Wellesley, que destacou que as matrículas aumentaram 20% neste ano letivo.

"As escolas para mulheres tendem a ter bastante propaganda negativa porque metade da população não pode freqüentá-las", disse Alice Kunce, a estudante que foi tratada como "a garota de Wellesley" no artigo da "Newsweek". "Isto nos torna uma espécie de alvo. Mas a maioria dos estudantes vê isto com senso de humor."

O filme estreou nacionalmente na sexta-feira, mas alguns diretores e estudantes foram ao lançamento do filme em Nova York, em 10 de dezembro. Eles saíram do filme com críticas positivas e negativas pela forma como a escola foi retratada.

Por um lado, disse Hill, "eles capturaram a beleza especial deste campus. Eles capturaram os fortes relacionamentos de mentoreamento entre estudantes e professores e os laços estreitos entre as alunas". Mas algumas alunas acharam a forma como a escola foi retratada nos anos 50, como sendo altamente conservadora e anglo-americana, o que não retrata a Wellesley de hoje e pode desencorajar a matricula de novas alunas.

A filmagem do ano passado -e o elenco- provocou debate no campus e na Internet. Para tornar o filme historicamente preciso e captar o visual de Wellesley em 1953, a produção não escalou estudantes negros como figurantes, oferecendo-lhes trabalho como assistentes de produção. (Em 1953, a escola tinha 12 alunas negras. Neste ano a escola conta com 133 alunas negras e 179 estrangeiras.)

"Wellesley não é mais a faculdade WASP (protestante anglo-saxã branca, na sigla em inglês) que era durante os anos 50", disse Kunce. "O filme mostra Wellesley como era, não como é agora. É minha esperança que (o filme) estimule as colegiais a considerarem faculdades só de mulheres e as encoraje a ver além da imagem de 'O Sorriso de Mona Lisa'."

"O filme se passa nos anos 50, e tudo era mais rígido", acrescentou Elisa McDaniel, uma segundanista que atuou como figurante no filme. "Provavelmente é bem próximo de como era. Nós somos muito liberais agora e é um campus muito mais confortável."

No filme, Julia Roberts interpreta uma jovem liberal da Califórnia, recém-formada em Berkeley, que aceita um emprego em 1953 para ensinar história da arte para as conservadoras mulheres de Wellesley. Mas a personagem de Julia também recebe aulas de suas alunas.

Após lerem o roteiro, os diretores da faculdade decidiram que as antigas tradições e o campus exuberante de Wellesley seriam destacados de forma positiva.

"Nós não queríamos que o filme fosse filmado em outro lugar que não fosse Wellesley", disse Hill. "Uma das coisas de sabemos sobre Wellesley é que temos um campus belo, extraordinário." É uma prática comum de Hollywood utilizar um campus como substituto de outro. A Universidade do Sul da Califórnia fez o papel da Universidade de Harvard no filme "Legalmente Loira", de 2001, porque Harvard não permite equipes de filmagem no seu campus. A Universidade do Sul da Califórnia também atuou como Harvard no filme "O Homem Que Eu Escolhi", de 1973.

Cerca de 200 alunas de Wellesley deixaram de lado seus estudos para atuarem como figurantes. As equipes ocuparam o campus de 200 hectares para 8 dias de filmagens em outubro de 2002 e janeiro de 2003. Vários pontos do campus foram usados, incluindo a capela e o Campo de Despedida.

As alunas que fizeram figuração vestiram jaquetas de lã, calçados brancos e marrons, e casquetes vermelhos, amarelos e azuis para capturar o estilo da Nova Inglaterra em 1953.

Debby Dowlin foi uma das figurantes que ajudou a mostrar as tradições de Wellesley, como a cerimônia de convocação e a corrida de aro. Anos atrás, diziam que a vencedora da corrida de aro seria a primeira a se casar. Atualmente, dizem que a vencedora será a primeira a realizar seus sonhos. Dowlin se emocionou quando viu a si mesma e sua colega de quarto no filme torcendo pelas atrizes na cena da corrida de aro assim como na foto de formatura.

"Isto retratou o belo campus como ele realmente é", disse ela. Mas acrescentou: "É bom assistir o filme e ver o quanto progredimos". George El Khouri Andolfato

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