Em busca de um gene de combate ao envelhecimento

Peter Demarco

Como cientista buscando a fonte da juventude, o professor de biologia do MIT Lenny Guarente sempre foi uma espécie de azarão. Enquanto os outros riam de sua pesquisa da juventude, no início dos anos 90, ele pressentia um filão.

Depois de fazer impressionantes descobertas sobre o envelhecimento em leveduras, o pesquisador passou para modelos mais desafiadores, como DNA de camundongos e humano. Como empresário, ele fundou uma empresa de biotecnologia, na tentativa de produzir as primeiras drogas contra o envelhecimento.

No entanto, filho de pais simples em Revere, Guarente, que publicou suas mais recentes descobertas em janeiro, foi criado com suficiente pé no chão para não arriscar tudo. Seu pai, Leonard, era secretário na General Electric, em Lynn, e sua mãe, Norma, dona-de-casa.

Quando não está olhando por um microscópio, Guarente, 49, faz tudo o que pode para ficar jovem, à maneira antiga -exercita-se, come pouca gordura e mantém-se atualizado no mundo da música. (Apesar de suas descobertas sugerirem que dietas muito baixas em calorias podem prolongar a vida, ele disse que não passa fome por suas vantagens não comprovadas).

O bioquímico Brian Kennedy diz que sempre ficou impressionado com a disciplina de seu amigo. Enquanto os outros conversavam antes dos jogos de basquete, Guarente estava se alongando; quando Kennedy e sua mulher trouxeram um bolo para um jantar na casa de Guarente, "a primeira coisa que ele fez foi ler a caixa e dizer, 'nossa, 26g de gordura não saturada'".

Guarente não esconde seus hábitos saudáveis e amor à música, assim como por seu trabalho. Em 1995, ele e seus assistentes descobriram um gene de levedura -chamado SIR2- que regula o ritmo de envelhecimento das células. Isso levou a uma descoberta ainda mais significativa: genes similares parecem existir em quase todos organismos vivos, inclusive seres humanos.

O objetivo agora, disse Guarente, é encontrar um gene que regule o envelhecimento em humanos, descobrir seu papel e encontrar uma forma de levá-lo a diminuir seu ritmo. Ao evitar doenças da velhice, Guarente disse que acredita que poderá ser possível estender a expectativa de vida em "30 ou 40" anos "saudáveis".

"Envelhecer é algo extremamente vívido", disse ele. "Você vê acontecer nos outros e em você mesmo. O que provoca isso? Haverá algo a se fazer para regular o processo? Eu acho a questão científica realmente muito interessante e desafiadora. Há também um ângulo pessoal: Nossa, se puder fazer isso, talvez de fato possa mitigar doenças da idade, viver mais e ter uma vida mais saudável na velhice."

Tais fantasias de juventude não excluem a necessidade das pessoas de cuidarem de seus corpos, advertiu. Apesar de Guarente e outros biólogos terem dado passos importantes na compreensão do processo do envelhecimento em leveduras e parasitas, provavelmente serão necessárias décadas para atingir uma compreensão similar do envelhecimento humano, se possível.

"Acho que, se não tivermos paciência com a pesquisa básica... não teremos a menor chance", disse ele. Temos que "mergulhar no assunto e trabalhar".

Tendo sido criado nas ruas um pouco violentas de Revere nos anos 50 e 60, Guarente viu muitas lutas e brigas. Na Escola Média de Boston, ele chegou a primeiro de turma. Como aluno do MIT, ficou fascinado com biologia e veio a participar de um trabalho inovador em transcrição gênica, como pós-doutorando na Universidade de Harvard.

Foi então que deu o salto para a área do envelhecimento. Atualmente, é um tema muito estudado, mas na época em que Guarente fez sua escolha, 12 anos atrás, era considerado meio louco.

A maior qualidade de Guarente é sua disposição de ouvir os outros, disse Ed Cannon, presidente e diretor executivo da Elixir Pharmaceuticals, empresa de biotecnologia localizada na praça Kendall, em Cambridge, que Guarente ajudou a criar e ainda presta consultoria. Um homem inteligente e otimista, "O que importa para ele, não é que sua idéia vença, mas que a melhor idéia vença".

A outra marca de Guarente como líder, disse sua ex-assistente Heidi Tissenbaum, hoje professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, em Worcester, é que ele valoriza seus funcionários.

Todo verão e Natal, Guarente faz festas em sua casa para quem trabalha ou já trabalhou para ele. "Isso é realmente incomum", disse ela. "Acho que mostra bem quem ele é".

A capacidade de compartilhar parece ser um traço natural de Guarente. Seu livro de memórias de 2003, "Ageless Quest: One Scientist's Search for Genes That Prolong Youth" (busca imortal: um cientista em busca de genes que prolonguem a vida), dedicado a seu filho, Jef, oferece um olhar pessoal a seus 10 anos de pesquisa, cobrindo tópicos como seu divórcio, seus 15 minutos de fama no programa "Good Morning America" e seus sonhos para o futuro.

"Quanto a mim, planejo continuar pelo resto do 21o século como terminei o 20o: Muito rock, uma boa garrafa de vinho, o jornal de cada dia e um bom livro. Não seria mal casar de novo -talvez aos 100... será divertido ficar por aí o máximo de tempo possível", escreveu. Deborah Weinberg

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