Pai deve evitar que filho menor de dois anos fique exposto à TV

Barbara F. Meltz

Os pais devem evitar que seus filhos fiquem assistindo a televisão, principalmente se têm menos de dois anos. É nesta fase, de acordo com as mais recentes descobertas da pediatria, que as áreas cerebrais responsáveis pela vida em sociedade e pelo raciocínio se desenvolvem. A TV pode afetar tal desenvolvimento.

Este é o tema da resposta da primeira pergunta da coluna desta semana. Especialistas consultados também esclareceram assuntos como a idade em que os filhos assimilariam mais facilmente o divórcio dos pais. Leia as questões e suas respostas:

Pergunta: Eu discordo fortemente com algo que você disse em seu artigo "Ensinando sobre o fator mentira" (11 de março). Você começou dizendo: "Tão logo as crianças começam a assistir TV, com sorte não antes dos dois anos..." Minha filha tem assistido TV e vídeos quase desde que nasceu e sempre achei muito benéfico. É como ela aprendeu a cantar, dançar, contar, dizer o alfabeto, compartilhar, ter boas maneiras e muitas outras coisas. Ela tem apenas 18 meses! Dizer aos seus leitores que seu filho deve ter no mínimo dois anos é, na minha opinião, um mau conselho e potencialmente prejudicial para o crescimento deles. Por favor, me diga o que há de tão ruim em crianças com menos de dois anos assistirem a TV.

Resposta: Talvez o principal motivo tenha aparecido na semana passada, quando foi divulgado um estudo ligando o hábito de assistir a TV entre as crianças jovens a um aumento do risco de Desordem de Déficit de Atenção. Lamento dizer, mas mesmo os chamados programas educativos não protegem em relação a isto. O estudo diz que não importa o que as crianças assistam, mas sim o fato de assistirem.

O estudo foi realizado pelos pesquisadores do Children's Hospital and Regional Medical Center de Seattle e foi baseado em entrevistas com as famílias de 1.345 crianças. Os resultados apareceram na edição deste mês da "Pediatrics", a revista da Academia Americana de Pediatria.

Os cientistas já sabem há muito tempo que o cérebro sofre um crescimento dramático nos primeiros dois anos de vida. Este novo estudo mostra que a exposição à televisão e vídeos, especialmente imagens rápidas que são típicas na maioria dos programas infantis, afeta a forma como o cérebro se desenvolve. Essencialmente, ele elimina circuitos que não são usados.

Quanto mais tempo a criança passa na frente da televisão, menos ela usa os circuitos responsáveis pela interação social e raciocínio dedutivo. Assim, são estes circuitos que são eliminados. Os autores do estudo dizem que o desenvolvimento provavelmente é permanente, mas as crianças podem ser ensinadas a compensarem os déficits de aprendizado que ocorrem. Estes pesquisadores provavelmente dirão que o "crescimento" que está vendo em sua filha de 18 meses pode ser atribuído a aprendizado automático, não o aprendizado profundo, significativo, que leva ao pensamento criativo.

Este pode ser o mais recente alerta para os pais, mas não é o único. Em 1999, a Academia Americana de Pediatria também ganhou manchetes quando pediu aos pais que não colocassem seus filhos com menos de 2 anos diante da televisão, dizendo que o hábito de assistir TV por crianças pequenas aumentava a irritabilidade e a agressividade, encurtava a capacidade de atenção e aumentava a necessidade de gratificação instantânea. A academia também recomendou não mais de duas horas por dia de TV para crianças com mais de 2 anos.

Coincidentemente, esta semana marca o 10º aniversário da Semana da TV Desligada nacional. Mais informações estão no site www.TVturnoff.org.

Pergunta: Eu sou circuncidado, mas meu filho não. Como responderei para ele quando ele chegar a uma idade na qual perceberá que se parece diferente do pai e desejar saber o motivo?

Questão: Você é sábio ao reconhecer que isto não é algo que deva ser impingido ao seu filho. Espere até ele perguntar a diferença antes de abordar o assunto, ou pelo menos até você perceber que ele notou. Pode acontecer já aos 4 anos, ou aos 7 ou 8 anos.

Seja o mais honesto possível, mas mantenha a informação apropriada ao que ele pode entender, disse a pediatra Alison Schonwald, do Children's Hospital. Ela poderia dizer a uma criança pré-escolar: "Eu notei que você viu que nossos pênis parecem diferentes. Quando o papai nasceu, os pais (médico/rabino) dele acharam que seria melhor tirar a pele adicional do pênis. Mas quando você nasceu, os médicos decidiram que era melhor deixá-la".

À medida que o garoto crescer, ela acrescentaria mais detalhes, como por exemplo: "Quando eu nasci, os médicos acharam que era melhor remover a pele. Hoje, os médicos dizem que não importa". Se a questão for por diferenças religiosas, diga: "Meus pais eram religiosos, e a circuncisão era importante para eles. Mas isto não importa muito para nossa família".

Obviamente, se você não é circuncidado mas seu filho é, apenas inverta o argumento. Em geral, a circuncisão é controversa e não há consenso médico sobre sua necessidade ou não, disse um colega de Alison Schonwald do Children's Hospital, o pediatra Ron Samuels. "A evidência médica a favor e contra é fraca em ambos os casos, de forma que o aspecto emocional de ser como o pai tende a pesar mais."

Pergunta: Eu achei que esperar até meus filhos chegarem à adolescência tornaria o divórcio mais fácil para eles. Após ler sua carta para Tony e Carmela Soprano ("Vocês pensaram que divórcio era fácil? Esqueça", de 8 de abril de 2004), eu fiquei em dúvida. Há uma idade em que é mais fácil para a criança lidar com o divórcio dos pais?

Rersposta: Não. Na verdade, o psicólogo infantil Anthony Wolf, de Longmeadow, Massachusetts, autor de "Why did you have to get a divorce? And when can I get a Hamster?" ("Por que vocês se divorciaram? E quando vou poder ganhar um hamster?", Noonday Press), disse: "Eu pensei bastante nesta pergunta antes de escrever o livro. Do fundo do meu coração, posso pensar em uma idade onde seja menos traumática? Não".

Além de as crianças terem questões específicas à sua idade, todas provavelmente pensarão que o divórcio é culpa dela ou nutrirão a fantasia de reunião dos pais. Talvez a conseqüência mais comum do divórcio em qualquer idade é o sentimento de ter sido pego no meio.

Para os pais que estão dispostos e podem esperar por um momento para se divorciarem que cause o mínimo de trauma possível, o conselho dele é evitar que aconteça em um momento em que a criança esteja passando por um momento particularmente difícil -por exemplo, após a morte de um dos avós ou quando começarem a freqüentar a escola- e esperar até após um evento especial, como o bar mitzvah.

Mas em qualquer momento, é claro, há medidas que os pais podem adotar para reduzir o estresse, como a manutenção da rotina das crianças; não minarem um ao outro; trabalharem juntos na escola e em outras questões que envolvam os pais; e mantendo o conflito fora do alcance dos ouvidos delas. Aparelho pode danificar desenvolvimento do cérebro, intenso nesta fase George El Khouri Andolfato

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