Jovens eleitores de Nader se voltam para Kerry no norte

Patrick Healy
Hanover, New Hampshire

Uma geração de eleitores de Ralph Nader atingirá a maioridade no dia 2 de novembro, no Colégio Dartmouth, e planeja votar em John F. Kerry.

Com suas sandálias de pano, jeans surrados e casacos de "Apóie o Comércio Justo", 15 membros dos verdes de Dartmouth reuniram-se na segunda-feira (10/05) à noite, para sua discussão semanal de justiça social e política. A conversa passou do abuso econômico de trabalhadores em oficinas desumanas para o abuso físico dos prisioneiros iraquianos. Depois, discutiram se a idéia de distribuir no campus fotos dos prisioneiros iraquianos -com a frase: "Era essa a ocupação que você queria?"- não seria explorar ainda mais as vítimas.

Nenhum dos 15 gosta particularmente de Kerry, mas o grupo decidiu ajudá-lo em New Hampshire, importante Estado indefinido. Com uma postura forte contra a guerra, eles preferiram deixar Nader, um homem que vêem como ídolo, e votar em Kerry, que descreveram como "inseguro", "rabugento" e "passável".

Al Gore perdeu no Estado em 2000, por 7.200 votos, e muitos Democratas culparam Nader, que teve 22.000 votos. É esse medo da derrota, de entregar a presidência para Bush, que vai levar os seguidores de Nader, assim como muitos eleitores indecisos, para o lado de Kerry, dizem membros da campanha.

"Cerca de 30 calouros nos procuraram no campus, recentemente, e disseram: 'Vocês fazem parte do partido verde? Porque eu não quero apoiar Nader, depois que ele arruinou as últimas eleições'", disse Natalie Allan, aluna de história de Dartmouth. "Tivemos que dizer que não estávamos com Nader. É como se agora tivéssemos que apresentar uma declaração."

A campanha de Kerry, diante do mapa do Colégio Eleitoral, de 538 votos -o número mágico da vitória é de 270- procura manter os 20 Estados em que Al Gore venceu em 2000. Juntos, neste ano, esses Estados dariam 260 votos eleitorais. A estratégia de Kerry é cruzar o limite de 270 com campanhas agressivas em 15 a 20 Estados indecisos.

Alguns partidários de Kerry estão fazendo lobby por uma forte campanha em Ohio (com 20 votos eleitorais) ou Missouri (11, talvez com o congressista local Richard Gephardt como colega de campanha), enquanto outros estão mais inclinados a procurar vitórias em Estados menores, incluindo Arizona (10), Virgínia do Oeste (5) e New Hampshire (4).

Bill Shaheen, que dirigiu a campanha de Gore em New Hamsphire em 2000 e hoje é responsável pela de Kerry, disse que está determinado a evitar o que viu como erro de Gore: parar de investir em Estados como New Hampshire, Ohio e Virgínia do Oeste cedo demais, enquanto o apoio a Bush ainda não havia cristalizado.

Shaheen, marido da ex-governadora Jeanne Shaheen, conselheira da campanha de Kerry, lembra-se: "Gore nunca pensou que New Hampshire estivesse em jogo, apesar de Jeanne estar concorrendo a um terceiro mandato. Então, três semanas antes das eleições, o comitê me disse que New Hampshire estava indeciso e que devíamos arregaçar as mangas. Mas não tínhamos pessoal nem dinheiro ou orçamento."

"Agora, vamos atrás de todos os Estados, mas precisamos manter um ritmo", disse ele. "Algumas coisas você não pode controlar, como aconteceu com a divulgação dos abusos dos prisioneiros do Iraque. O que eu vejo é uma raiva latente contra Bush, que crescerá no outono, na hora certa."

O alto comando das forças de Kerry -a gerente de campanha Mary Beth Cahill e o estrategista Tad Devine, por exemplo- também quer competir no maior número de Estados possível. O comitê não só acredita que a popularidade de Bush está azedando, com a economia e a guerra no Iraque, mas também quer forçar a campanha de Bush a gastar dinheiro para se equiparar à propaganda de Kerry.

Quando a campanha de Kerry começou a transmitir uma série de anúncios, na semana passada, em Louisiana, em 24 horas os Republicanos também entraram no ar, observou Devine. Em 2000, Bush venceu no Estado por oito pontos percentuais.

"É muito bom colocarmos mais Estados em jogo", disse ele. "É por isso que dissemos que íamos ao ar em Louisiana e Colorado. Duas semanas atrás, dissemos às pessoas que íamos expandir o campo de batalha. Alguns duvidaram; os Republicanos nos xingaram. E fizemos exatamente o que prometemos."

Outro estrategista de Kerry, que pediu para ficar anônimo, disse que os "eleitores radicalmente contra a guerra" eram uma ameaça maior aos Democratas do que Nader. Ele teme que esses eleitores prefiram simplesmente ficar em casa em novembro, se acharem que nenhum dos candidatos, Bush, Kerry e Nader, têm um plano para o Iraque.

Mas um terceiro assessor de Kerry disse que os eleitores que são contra a guerra provavelmente vão unir-se a Kerry, porque os problemas no Iraque vão acabar prejudicando Bush, supõe-se. "Acho que nossa mensagem é muito clara: Não estaríamos na confusão que estamos hoje no Iraque se Kerry fosse presidente", disse o assessor.

Mas alguns analistas políticos e pesquisadores de opinião dizem que Estados como New Hampshire são típicos dos desafios que Kerry enfrenta, ao tentar assegurar os votos de Gore em 2000 e conquistar mais.

Por causa das mudanças nos votos eleitorais, depois do censo de 2000, no qual parte da população dos EUA foi transferida na direção dos Estados do Sul e Sudoeste, Kerry terá mais dificuldades do que Gore em chegar a 270.

Andrew Smith, que faz pesquisas de opinião pela Universidade de New Hampshire, disse que Kerry teria uma vantagem de quatro pontos percentuais no Estado, em uma disputa teórica com Bush. Segundo a mesma pesquisa em fevereiro, essa vantagem era de 14 pontos percentuais.

Nader, que levou 4% dos votos em 2000, precisa apenas de 3.000 assinaturas para entrar para a cédula de New Hampshire; seu nome não foi incluído na mais recente pesquisa da Universidade, mas Smith acredita que Nader estará na cédula.

Além disso, há outras variáveis: é provável que os Republicanos dominem as eleições de New Hampshire em novembro, com a reeleição de dois representantes, além do governador Craig Benson e da senadora Judd Gregg.

"Kerry não vai ter o tipo de voto conjunto que Bush terá dos Republicanos no Estado", disse Smith. "A vaga de Gregg está tão segura, por exemplo, que ela pode apenas fazer campanha para Bush no outono".

Nader, que planeja visitar New Hampshire no final do mês como parte de uma turnê pelo Nordeste, quer constar das cédulas presidenciais em ao menos 45 Estados, disse o porta-voz Kevin Zeese. Na quarta-feira, Nader foi endossado pelo Partido de Reforma, colocando-o em cédulas em ao menos oito Estados, inclusive nos campos de batalha da Flórida, Wisconsin e Michigan. O comitê de campanha de Nader disse que ele ia decidir caso a caso, se aceitaria a nomeação do partido da Reforma.

Quanto a Kerry, poucos ativistas Democratas estão assumindo que ganhará neste Estado, dizem somente que tem boa chance. Em Dartmouth, alguns verdes dizem esperar que seu morno apoio a Kerry como o candidato com a melhor chance de derrotar Bush acabe trazendo razões positivas para defender o senador de Massachusetts.

"Não há nada de excitante sobre ele. É quase tão curto e grosso quanto Gore e parece hesitar, não tomar posição", disse Amber Kelsie, do Texas.

"Mas ouvi dizer que tem um bom histórico em questões de meio ambiente", disse ela. "Isso é bom. Realmente gostaria de me sentir melhor sobre essa escolha, já que pretendo votar nele." Democratas apostam suas fichas em Estados e eleitores indecisos para derrotar Bush Deborah Weinberg

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