Aumenta dia a dia possibilidade de Edwards ser vice de Kerry

Glen Johnson
Em Washington

Ele perdeu a disputa pela indicação de seu partido para a presidência e decidiu não se candidatar para a reeleição no outono, assim a operação enérgica que o senador John Edwards estabeleceu em um escritório a cinco quadras da Casa Branca não é, tecnicamente, um comitê de campanha política.

Entre as caixas de mudança, mobília de segunda mão e computadores, Sky Gallegos comanda o recém-formado Comitê América Una do senador da Carolina do Norte. Aaron Pickerell cuida dos assuntos políticos. Jennifer Swanson levanta dinheiro como fez durante a campanha presidencial de Edwards. Kim Rubey é a porta-voz, atendendo as perguntas da mídia por telefone ou por e-mail em seu handheld BlackBerry enquanto viaja com o senador para Ohio, Minnesota e outros Estados. Nick Baldick, que gerenciou a campanha presidencial de Edwards, aparece regularmente.

O propósito declarado do comitê é fornecer dinheiro e apoio logístico enquanto Edwards discursa em prol do candidatos democratas para o Senado em todo o país, e em prol de John Kerry, o virtual candidato do partido para presidente.

Mas há outra missão não declarada: ajudar Edwards a despontar como a opção mais atraente para a vice-presidência, e contar com uma campanha montada e ativa caso Kerry o escolha para ser seu companheiro de chapa. Mais do que qualquer outro número dois potencial, Edwards está promovendo uma candidatura passiva-agressiva para vice-presidente.

Altos conselheiros acreditam que Kerry escolherá seu companheiro de chapa uma semana ou duas antes da Convenção Nacional Democrata, em Boston, que começará em 26 de julho. Pergunte aos assessores de Edwards se seu chefe está visando a vaga e eles sorrirão e oferecerão a típica não negação de Washington.

"Ele só quer ajudar John Kerry da forma que puder", disse Rubey. Como seus colegas, ela ainda não desempacotou nem pendurou nada na parede, tão incerta ela está sobre seu futuro político.

Apesar de buscar não parecer ansioso, Edwards vem demonstrando seu valor para Kerry como substituto de campanha e, a pedido de Kerry, cedendo seu pessoal para a organização de campanha do virtual candidato.

O ex-chefe de gabinete do senador, Miles Lackey, agora trabalha no quartel-general de Kerry, elaborando a política doméstica. Gallegos está prestes a viajar para a Califórnia para servir como diretor da campanha de Kerry naquele Estado. Jennifer Palmieri, a porta-voz de campanha de Edwards, acabou de chegar a Ohio para realizar a mesma função para Kerry naquele Estado-chave. David Ginsberg, outro alto chefe de comunicação de Edwards, está ajudando no quartel-general. Outros assessores de Edwards trabalham na sala de redação de discursos de Kerry no escritório de levantamento de fundos do Comitê Nacional Democrata.

Edwards também conta com a vantagem especial de contar com o apoio sutil, mas certo, do outro senador pelo Estado de Kerry, Edward M. Kennedy. O senador democrata de Massachusetts apoiou discretamente Edwards em vez de Kerry na disputa de 2000 para o companheiro de chapa de Al Gore, segundo ex-assessores. Hoje, Kennedy se diz leal apenas aos interesses de Kerry. Ao mesmo tempo, sua ex-chefe de gabinete, Mary Beth Cahill, está trabalhando como gerente de campanha de Kerry, e seu antigo conselheiro de mídia, Robert Shrum, está servindo como consultor de mídia e produtor de propaganda de Kerry. Ambos fazem parte do grupo de pessoas que Kerry está consultando para a seleção de um companheiro de chapa.

Em uma entrevista, Kennedy negou qualquer preferência por Kerry, mas reconheceu que aconselhou o senador, assim como outros companheiros de chapa potenciais que o procuraram, a fazer forte campanha a favor de Kerry. Ele disse que isto unirá o partido, mobilizará as bases dos respectivos candidatos e mostrará a Kerry o potencial deles. "Eu acho que cada um deles tem pontos fortes óbvios", disse Kennedy. "Eu sou a favor do candidato mais forte que o ajudará a vencer."

Até o momento, a lista de companheiros de chapa potenciais supostamente inclui Edwards, o deputado Richard A. Gephardt do Missouri; os governadores Tom Vilsack de Iowa, Bill Richardson do Novo México, Ed Rendell da Pensilvânia, e Mark Warner da Virgínia; o senador Evan Bayh de Indiana; e o general aposentado do Exército, Wesley K. Clark, do Arkansas.

Um refrão comum entre os membros do campo de cada candidato é que Kerry se voltará para Gephardt para ajuda no Meio-Oeste, Clark caso a segurança nacional continue sendo a questão predominante, e Edwards caso a base necessite de um choque de energia e a campanha quiser forçar os republicanos a defenderem território no Sul.

O grupo dos democratas do Senado também gerou mais dois nomes recentemente, os dos senadores Dick Durbin, de Illinois, e Kent Conrad, de Dakota do Norte. Mas todos os envolvidos no processo têm evitado falar sobre isto publicamente, principalmente porque Kerry disse que deseja lidar com isto com privacidade e dignidade.

Edwards já foi avaliado pelos advogados de campanha de Kerry, um processo encurtado porque que ele já tinha sido avaliado em 2000 por Gore. Assessores disseram que Edwards já falou pelo menos duas vezes com James A. Johnson, o banqueiro de Washington que está comandando a busca de Kerry, incluindo uma vez na casa de Edwards em Georgetown, que fica a uma quadra da casa de Kerry.

Durante as primárias, Kerry e Edwards tiveram um relacionamento espinhoso. Kerry questionou abertamente a elegibilidade de Edwards, dizendo certa vez que ele nem mesmo era capaz de vencer em seu Estado natal, a Carolina do Norte. O senador veterano também questionou a tentativa do ex-advogado de chegar à presidência após nem concluir seu primeiro mandato em um cargo eleito.

"E as pessoas me chamam de ambicioso?" um repórter do "Globe" ouviu Kerry perguntando para um assessor. Edwards deixou as críticas a Kerry a cargo de seu pessoal, apesar do filho de um trabalhador de moinho ter dito discordar da votação de Kerry a favor do Acordo de Livre Comércio da América do Norte, assim como ter contestado Kerry várias vezes em seus dois últimos debates.

De lá para cá, Edwards tem professado um apoio irrestrito a Kerry, fazendo o que quer que lhe seja pedido para ajudar na campanha. Em março, Edwards adotou a medida incomum de apresentar pessoalmente Kerry a seus principais doadores, após reuni-los para uma festa de agradecimento em um hotel em Washington.

Em abril, o senador criou o Comitê América Una expressamente para apoiar suas viagens em prol de Kerry e do Congresso democrata que ele precisará para ter sucesso na presidência. No início de maio, Edwards esteve na CNN, argumentando em prol de Kerry com uma paixão que o fez soar como seu companheiro de chapa.

"Se John Kerry fosse o presidente dos Estados Unidos nos últimos dois anos, nós não estaríamos nesta situação", disse Edwards, falando sobre a guerra no Iraque.

Já neste mês, ele enviou um apelo de levantamento de fundos para seus próprios doadores em prol de Kerry. "Você e eu juntos podemos ajudar a mudar este país ajudando John Kerry a retomar a Casa Branca", escreveu Edwards na semana passada. Há pelo menos dois sites na Internet, de autoria de pessoas não afiliadas a nenhum dos homens, defendendo a chapa Kerry-Edwards.

Desde o fim de sua própria candidatura à presidência em março, Edwards tem viajado para Ohio e Minnesota a pedido da campanha de Kerry. No próximo fim de semana, ele dará início a uma viagem de três semanas na qual falará em prol de Kerry em encontros estaduais do partido na Flórida, Texas, Louisiana, Alabama e Iowa.

Em um sinal de sua alta popularidade junto aos ativistas do partido, Edwards é freqüentemente a segunda opção como orador, atrás do próprio Kerry.

"Há poucos substitutos nacionais que são chamarizes automáticos, e John Edwards é um deles", disse Mike Erlandson, presidente do diretório do Partido Democrata de Minnesota. "Não há dúvida de que a energia que ele traz à campanha será uma boa adição a uma campanha presidencial que está sendo bem-recebida em todo o país." Democratas calculam as vantagens e dão como certa a chapa para corrida presidencial George El Khouri Andolfato

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