Kerry recebe apoio da comunidade científica e ataca Bush

Patrick Healy
Em Denver, Colorado

Apoiado por um novo endosso de 48 cientistas premiados com o Nobel, o candidato presidencial John F. Kerry criticou nesta segunda-feira (21/06)o presidente Bush como desprovido da visão para buscar as curas para o mal de Alzheimer, Aids e outras doenças fatais, tentando atrair conservadores e moderados que se sentem incomodados com os limites impostos por Bush à pesquisa de células-tronco embrionárias.

Em um dia em que duas novas pesquisas indicaram que a popularidade de Bush está caindo e que Kerry está à frente na disputa. Uma delas, do jornal "The Washington Post", aponta que Kerry conta com 53% da intenção de votos contra 45% do atual presidente, George W. Bush.

O virtual candidato democrata vinculou a ciência ao seu tema de campanha dos Estados Unidos como "um país de otimistas" e de "pessoas que fazem". Com a campanha de Bush rotulando agressivamente Kerry como "pessimista" -incluindo uma nova propaganda de rádio no Colorado cuja veiculação foi programada para sua visita ao Estado- Kerry usou a palavra "sonho" sete vezes em um comício a céu aberto, realizado em Denver, para tentar se distinguir de Bush ao estabelecer metas grandiosas de gasto de bilhões adicionais em pesquisa biomédica, científica e de energia alternativa.

"Nós sempre tivemos a capacidade de olhar além, de nos perguntarmos: 'e se?'" disse Kerry para mais de 3.500 pessoas, que esperaram 90 minutos sob garoa para ouvi-lo falar. "E se este avião voasse em Kitty Hawk? E se pudéssemos mapear todo o nosso DNA? E se pudéssemos curar o câncer, o mal de Parkinson, a Aids e o mal de Alzheimer?"

"'E se', de certa forma, é uma pergunta particularmente americana, e é uma pergunta que não foi feita o suficiente ao longo dos três últimos anos", continuou o senador de Massachusetts. "Eu digo isto de forma direta, e digo porque é completamente contrário ao histórico dos últimos quatro anos: os americanos merecem um presidente que acredita na ciência."

Kerry repetiu sua promessa de reverter as restrições do presidente ao financiamento federal para pesquisa de células-tronco, que permanece controversa junto a muitos conservadores porque o tipo mais promissor de célula-tronco para a medicina é extraído de embriões. Muitos cientistas -assim como defensores proeminentes como Nancy Reagan e o ator inválido Christopher Reeve- têm apregoado o potencial desta pesquisa para criação de células saudáveis para aqueles que sofrem de doenças debilitadoras, degenerativas, como o mal de Alzheimer, e Kerry tem apoiado fortemente tal pesquisa, caso seja apoiada por "supervisão ética" do governo e de eticistas.

No comício, Kerry foi apresentado por um ciclista de estrada de 41 anos do Colorado, Chris Chappell, que ficou paralítico em 2000, após um acidente durante uma prova de mountain bike ter lesionado sua medula espinhal. Kerry argumentou que a pesquisa de células-tronco é uma causa bipartidária que poderia curar ou tratar pessoas como Chappell e ajudar famílias como a dos Reagans, que apoiou Ronald Reagan em sua luta de uma década contra o mal de Alzheimer, que terminou com a morte do ex-presidente em 5 de junho. Kerry pediu a conservadores, independentes e eleitores de todos os tipos que o vejam como um candidato unificador, que assumirá riscos na busca de avanços médicos para todos os americanos.

"Células-tronco podem ter o poder de acalmar a mão de um tio com mal de Parkinson, retardar a perda de memória da avó, trazer uma pessoa de mais idade de volta a uma família que achava que a tinha perdido", disse Kerry, que nasceu em um hospital militar de Denver há 60 anos. "Muitos americanos olham para mim com lágrimas nos olhos e me pedem para ajudá-los a encontrar uma cura para uma filha, filho ou pais que sofrem de doenças que estão controlando seu futuro e mudando suas vidas. Ao apoiar a terapia de células-tronco, nós temos a possibilidade de controlar o futuro."

Apoio de Notáveis

O discurso de Kerry ocorreu após 48 premiados com o Nobel de ciência terem divulgado uma carta defendendo a candidatura de Kerry e seu apoio por maiores gastos federais em pesquisa científica e biomédica, incluindo pesquisa de células-tronco. Três dos premiados com o Nobel realizaram uma coletiva de imprensa para condenar as políticas para ciência de Bush como movidas pela ideologia, acusando a Casa Branca de distorcer estudos científicos para apoiar suas políticas.

A campanha de Bush, que geralmente busca simpatizantes proeminentes para suas próprias coletivas de imprensa para rebater as de Kerry, não realizou tal coletiva na segunda-feira. Os assessores de Kerry tiraram proveito disto como um sinal de que a maioria dos vencedores do prêmio Nobel e outros importantes pesquisadores são contra o esforço de reeleição de Bush. Mas o porta-voz da campanha de Bush, Steve Schmidt, considerou "absurda" tal noção.

"Apenas John Kerry falaria sobre a América e o declínio científico no dia em que o primeiro vôo espacial privado foi concluído", disse Schmidt, se referindo ao vôo tripulado do SpaceShipOne, nesta segunda, a mais de 100 quilômetros de altitude. "O presidente desfruta de apoio na comunidade científica, e nós falaremos sobre nossos planos para ciência de forma afirmativa e no momento oportuno."

Ao ser perguntado sobre a integridade da política para ciência de Bush, Schmidt encaminhou o repórter ao Escritório de Política para Ciência e Tecnologia da Casa Branca. Dois altos funcionários não retornaram na segunda-feira os telefonemas que pediam comentários, e Bob Hopkins -um funcionário do escritório que lida com perguntas da mídia- disse que a campanha de Bush deve tratar do assunto.

"Isto é realmente um questão de campanha, uma questão política", disse Hopkins.

Antes do comício, Kerry levantou US$ 500 mil em um almoço para levantamento de fundos no lar, na encosta de Aspen, de Michael Goldberg, fundador da Aerolease International, e ali também fez seu discurso sobre ciência. Ele também passou vários minutos conversando com Hunter S. Thompson, o escritor político iconoclasta e símbolo da contracultura dos anos 60. No evento, Kerry brincou que tinha "quatro palavras" para confortar os democratas sobre os problemas enfrentados pelos Estados Unidos: "Vice-presidente Hunter Thompson".

Em Washington, a campanha de Kerry anunciou que Vernon Jordan -um advogado proeminente e amigo íntimo do presidente Clinton- conduzirá suas negociações com a equipe de Bush sobre as datas e formato dos debates presidenciais no outono.

A Comissão para Debates Presidenciais não-partidária anunciou planos para três debates entre Bush e Kerry, e um separado para o vice-presidente Dick Cheney e o eventual companheiro de chapa de Kerry, a ser realizado entre 30 de setembro e 13 de outubro. 48 cientistas ganhadores do prêmio Nobel declaram apoio ao candidato democrata George El Khouri Andolfato

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