Convenção partidária de Kerry terá veteranos, Clinton e Reagan

Patrick Healy
Em Boston

Fazendo um paralelo com a argumentação usada pelo próprio presidente Bush para justificar a necessidade da sua reeleição, John F. Kerry disse desejar que os seus discursos na futura Convenção Nacional Democrata, em Boston, transmitam uma mensagem que englobe poderio militar, conservadorismo fiscal e melhores escolas públicas e serviços de saúde - temas que um importante assessor de Kerry resumiu na segunda-feira (12/07) como "mais fortes em casa, e respeitados no mundo".

A campanha de Kerry planeja divulgar os temas e a lista de oradores para a convenção, que ocorrerá de 26 a 29 de julho, durante uma entrevista coletiva à imprensa nesta terça-feira (13) em Washington. Mas assessores de senador democrata dizem que deverão estar incluídos na programação um discurso de um astro afro-americano em ascensão no partido, o candidato ao Senado Barack Obama, de Illinois, assim como a participação marcante dos ex-tripulantes do barco no qual Kerry serviu na Guerra do Vietnã.

Kerry não quis fazer comentários sobre a convenção, mas passou o dia arrecadando US$ 5 milhões de multidões da sua terra natal e buscando apoio ao atacar Bush pelo fato de o presidente tentar impor a proibição dos casamentos gay e não ter comparecido a uma recente conferência da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês), entre outras questões.

Ele declarou ainda que está "orgulhoso" por ter-se oposto no ano passado à concessão adicional de verbas para tropas norte-americanas no Iraque. Foi um dia de ataques e contra-ataques retóricos, em um momento em que Kerry procura criar as condições ideais para o anúncio oficial da convenção, nesta terça.

Os assessores de Kerry dizem que o ex-presidente Bill Clinton fará o principal discurso na primeira noite da convenção, em uma segunda-feira, e mencionaram a possibilidade de que Jimmy Carter e Al Gore também subam ao palanque. A segunda noite incluirá tributos à família política mais renomada de Boston, os Kennedy, e o senador Edward M. Kennedy fará o discurso principal. O senador John Edwards, da Carolina do Norte, o companheiro de chapa de Kerry, discursará na noite da quarta-feira, e Kerry aceitará formalmente a sua indicação pelo Partido Democrata na noite de quinta.

Acredita-se que Obama faça também um discurso importante, provavelmente na terça-feira, e a mulher de Kerry, Teresa Heinz Kerry, também deverá falar na mesma noite. Ron Reagan, filho do ex-presidente Ronald Reagan, é outro que deve discursar na terça-feira, falando sobre os potenciais benefícios das pesquisas com células-tronco embrionárias para o tratamento de pacientes como o seu pai, que morreu no mês passado de Alzheimer. Um líder hispânico também deverá discursar, possivelmente o deputado Robert Menendez, de Nova Jersey.

Os companheiros de combate de Kerry no Vietnã, do chamado "grupo de irmãos", também estarão representados em mini-documentários e no palanque. É provável que estejam presentes no evento vários desses companheiros de guerra que atualmente fazem campanha a seu favor.

Um outro aliado próximo estará na convenção: Max Cleland, o ex-senador da Geórgia que perdeu um braço e as duas pernas na Guerra do Vietnã. Participarão ainda da convenção os democratas que desafiaram Kerry nas primárias do partido.

"Tudo na convenção vai girar em torno do tema 'mais fortes em casa, respeitados no mundo'", disse um importante assessor de Kerry, que preferiu não ter o seu nome divulgado. "Haverá a presença dos veteranos de guerra e um forte apelo militar. Contaremos com a presença conjunta de líderes democratas do passado, do presente e do futuro".

Kerry começou a segunda-feira com um encontro de "unidade" no novo Hampton Inn, em Roxbury, com a presença de 40 líderes políticos e comunitários e uma audiência predominantemente afro-americana. Ele recebeu efusivos elogios introdutórios dos senadores estaduais Dianne Wilkerson - que Kerry mais tarde sugeriu que fará um "rock'n roll" como discursadora na sua cerimônia de posse na Casa Branca - e Jarrett T. Barrios, um democrata abertamente gay e defensor do casamento de homossexuais.

Ambos criticaram a assinatura da política educacional de Bush, conhecida como "Nenhuma Criança Deixada Para Trás", da qual Wilkerson zombou, chamando-a de "Nenhuma Criança Negra Aprende Nada Durante o Governo Bush" - provocando risadas na platéia e um sorriso de Kerry.

Kerry e outros discursadores elogiaram a zona econômica de "promoção de poder" em Roxbury, que forneceu incentivos financeiros ao Hampton, que segundo Wilkerson é o 27º hotel dos Estados Unidos a pertencer a um empresário negro.

"Este hotel nos conta uma história extraordinária sobre o nosso país. Dianne usou o número, creio que ela disse 27, 28 hotéis. Eu achei que eram cerca de 36, mas sabem de uma coisa? Há mais de 44 mil hotéis nos Estados Unidos. E, sejam 28 ou 36, a verdade é que a quantidade não é suficiente", disse Kerry.

O senador também criticou Bush por ter faltado à recente convenção da NAACP, afirmando: "Serei um presidente que vai se reunir com a NAACP". Ele deverá discursar na associação na próxima quinta-feira, em Filadélfia.

Kerry se encontrou com parentes das vítimas do 11 de setembro durante uma cerimônia no Public Garden em homenagem aos mortos. A seguir, participou de uma campanha de arrecadação de verbas com a sua mulher Teresa e com a ex-governadora do Texas, Ann Richards, que atraiu uma platéia formada na sua maioria por mulheres.

Richards criticou duramente Bush, comparando o seu governo a "um casamento que foi de mal a pior".

"Me passou pela cabeça que esta é a cidade de Paul Revere, lembram-se? Um por terra, dois por mar. Ele tinha mais informações do que a Casa Branca para o povo norte-americano", disse Richards.

Kerry fez coro a Richards nas críticas a coleta de inteligência anterior à guerra, tendo dito ao público: "Vamos falar ao povo norte-americano coisas baseadas no bom-senso; vamos dizer a verdade aos norte-americanos".

O candidato democrata também defendeu o fato de ele e Edwards se oporem a verbas adicionais para as tropas norte-americanas no Afeganistão e no Iraque no ano passado. Esse voto vem sendo motivo de críticas nas propagandas políticas de Bush.

"Fico orgulhoso em dizer que John se juntou a mim ao votar contra aqueles US$ 87 bilhões, quando soubemos que política teria que ser modificada. Tínhamos que fazer a coisa certa. Precisávamos da participação de outras nações", disse Kerry.

O porta-voz da campanha de Bush, Steve Schmidt, acusou Kerry de ser "impulsivo" ao votar pela autorização da guerra no Iraque em 2002 e, a seguir, ter expressado orgulho por votar contra a verba de US$ 87 bilhões no ano passado.

Kerry se reuniu no final do dia com a elite democrata do Estado para agradecê-la por ter ajudado a arrecadar mais de US$ 1 milhão neste ano para a sua campanha.

Também na segunda-feira, em Washington, a campanha de Kerry anunciou que divulgará propagandas políticas no valor de US$ 1 milhão em uma rede de televisão de língua espanhola a fim de atrair os eleitores latinos. Filho de presidente republicano apóia o candidato democrata à presidência dos EUA Danilo Fonseca

UOL Cursos Online

Todos os cursos