John Edwards alavanca candidatura democrata no sul dos EUA

Brian C. Mooney
Em Boston

A escolha do sulista John Edwards como companheiro de chapa está ao menos alavancando a curto prazo a candidatura presidencial de John Kerry no Tennessee e na Carolina do Norte, Estados até então considerados fora do alcance dos democratas em novembro.

Uma pesquisa realizada pela Zogby International, após o anúncio por Kerry do senador da Carolina do Norte como sua escolha para vice-presidente, indica que o senador de Massachusetts está empatado com o presidente Bush no Tennessee, ambos com 48%. Uma pesquisa da Zogby de menos de um mês atrás apontava Bush com uma vantagem de 18 pontos percentuais.

Enquanto isso, uma pesquisa Mason-Dixon/WRAL-TV, divulgada nesta quinta-feira (15/07), apontou que a chapa Kerry-Edwards está na margem de erro de três pontos percentuais junto com Bush-Cheney na Carolina do Norte, também considerado um território seguro para os republicanos. Pesquisas independentes em maio e junho indicavam que Kerry estava entre 6 e 7 pontos percentuais atrás de Bush no Estado.

Em 2000, Al Gore não conseguiu vencer no Tennessee, seu Estado natal, perdendo seus 11 votos eleitorais. Bush o derrotou lá por mais de 80 mil votos, ou 3,9% do total. Na Carolina do Norte, Bush derrotou Gore por 56% a 43%.

Kevin A. Madden, um porta-voz do comitê de reeleição de Bush-Cheney, desdenhou a idéia de que os democratas são uma ameaça séria no Sul, onde Bush domina há quatro anos.

"Nós estamos felizes com nossa organização no Sul e nossa mensagem lá", disse ele. "Al Gore tinha uma nota 'A' da Associação Nacional do Rifle, sotaque sulista e um quartel-general de campanha nacional no Tennessee, e ele não venceu em seu Estado natal."

"Para a campanha de Kerry, é um pouco ambicioso achar que os eleitores de lá se identificarão com um dos membros mais liberais do Senado", disse Madden, se referindo às cotações mais recentes dos históricos de votação de Kerry e Edwards pela revista "National Journal".

Gentry McCreary, porta-voz do diretório do Partido Democrata do Tennessee, disse: "O Tennessee é um Estado indefinido, e se os recursos forem empregados neste Estado, a disputa será acirrada". A campanha de Kerry contratou recentemente um diretor para o Estado, mas o Tennessee não está entre os 21 Estados indefinidos que contarão com uma equipe integral remunerada, com coordenadores de mídia, campo, operações e convidados.

Alguns democratas do Tennessee dizem que a grande atividade republicana indica que o Partido Republicano percebeu que o Estado ainda não está definido.

Na segunda-feira, Bush esteve em Oak Ridge, defendendo sua decisão de invadir o Iraque e promovendo suas políticas antiterrorismo. Ontem, após participar de um evento para levantamento de fundos na Flórida, sua esposa, Laura, voou para Nashville para participar da convenção nacional da Alpha Kappa Alpha, uma irmandade afro-americana.

Foi a 10ª visita do presidente ao Tennessee desde que assumiu o governo e sua terceira neste ano. Bush, sua esposa e o vice-presidente Dick Cheney também participaram de eventos para levantamento de fundos no Estado nos últimos meses.

Pelo lado democrata, Kerry não visita o Tennessee desde 9 de fevereiro, um dia antes de vencer na eleição primária democrata no Estado, derrotando Edwards por cerca de 14 pontos percentuais. Mas há atividade a seu favor.

A pesquisa Zogby envolvendo 708 prováveis eleitores no Tennessee, realizada entre 6 e 10 de julho, tinha margem de erro de 3,7 pontos percentuais. John Zogby disse que foi o "resultado mais dramático" em sua mais recente pesquisa de 16 Estados indefinidos, que apontou alguns ganhos de Kerry após o anúncio de Edwards, com disputas acirradas em cada Estado.

Zogby disse que antes da pesquisa ele estava considerando eliminar o Tennessee de seu grupo de Estados indefinidos e substitui-lo pela Carolina do Norte, apesar de historicamente o Tennessee ser um Estado indefinido em eleições presidenciais. "O fator Edwards o trouxe de volta", disse ele. A escolha por Kerry do senador da Carolina do Norte sinalizou que ele não está descartando o Sul, disse Zogby.

Scott Rasmussen, presidente da Rasmussen Reports, outra empresa independente de pesquisa que realiza levantamentos diários da disputa presidencial envolvendo 500 eleitores, disse: "Se este Estado estiver em jogo ou seriamente inclinado na direção dos democratas, então a campanha de Bush está em sérios apuros. Mas não vejo isso acontecendo".

Em sua última atualização de resultados de pesquisa no Tennessee, Rasmussen indicou uma vantagem de 8 pontos percentuais de Bush sobre Kerry em 17 de junho. "Parece um exagero que um candidato à vice-presidência seja capaz de tirar de cara uma vantagem de 8 a 10 pontos", disse Rasmussen.

Mas um importante estrategista de Kerry disse que a pesquisa pode indicar uma oportunidade para os democratas mudarem o mapa, forçando os republicanos a gastarem tempo e recursos na defesa de uma área que consideravam segura.

"Geralmente o que acontece é os republicanos se garantirem cedo em sua base e então investirem contra os democratas no Meio-Oeste", disse o estrategista, que pediu para que seu nome não fosse citado. "Desta vez parece que poderemos mudar isso." Após amargar desvantagem, Kerry alcança Bush no Tennessee e na Carolina do Norte George El Khouri Andolfato

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