Bush diz que pensa como prejudicar os EUA

Anne E. Kornblut
Em Columbus

O presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou nesta quinta-feira (5/8) que seu governo não pára de pensar em formas de "prejudicar a população". A afirmação é parte de um texto preparado pela Casa Branca que o presidente reproduzui pela manhã, quando ele assinava um anteprojeto de defesa.

Ao tentar injetar confiança nos americanos, procurando garantir que o governo está preparado contra toda forma de ataque, Bush se atrapalhou nas palavras e disse o seguinte:

"Nossos inimigos são inovadores e pesquisam muito, e nós também. Nunca param de pensar em novas maneiras de prejudicar nosso país e nosso povo. E nós também não".

Ao longo dos anos, o presidente Bush vem dominando a arte do humor autodepreciativo nos palanques. Ele costuma justificar o choro dos bebês chorões em eventos lotados e pedir desculpas por ser ele, e não a mulher, quem se apresenta para discursar.

Mas mesmo de acordo com os seus próprios padrões, Bush elevou seu grau de humor modesto nessa quinta. Durante um evento em Columbus, Bush se comparou a vendedores de aquecedor, advogados e apresentadores de talk-show -sem se importar com o fato de que o público era formado por políticos profissionais, e não por eleitores indecisos tentando formar uma opinião ou pescando informações sobre o candidato.

"Já pedi a alguns cidadãos para virem me ajudar nas argumentações", disse Bush, antes de apresentar uma série de convidados no evento tipo "Pergunte ao presidente Bush" que aconteceu em Columbus.

Bush, que tem a capacidade de se mostrar excepcionalmente entusiasmado quando fala sobre combate ao terrorismo ou sobre a queda de Saddam Hussein, pouco conseguiu se referir à questão doméstica que supostamente deveria dominar o evento municipal -a proposta de uma escala de horas flexíveis para os trabalhadores.

Essa ênfase doméstica havia sido planejada para tentar neutralizar as críticas do candidato John Kerry de que Bush simplesmente não tem planos para a economia num segundo mandato.

Os organizadores da campanha de John Kerry haviam até previsto que Bush trataria das horas flexíveis. Tanto que promoveram uma conferência a distância sobre o assunto com a senadora Hillary Rodham Clinton, antes dessa aparição do presidente. Mas Bush simplesmente passou batido pelo assunto.

Quando finalmente se referiu à proposta das horas flexíveis, o presidente o fez passando a palavra a um convidado, Phil Derrow, presidente da empresa Ohio Transmission Corporation.

"Ele tem uma outra idéia interessante cuja adoção eu acredito ser muito interessante para o país -o horário flexível", disse Bush, enquanto evoluía para a frente e para trás no palco, com o microfone na mão.

"Ainda bem que você me disse qual era a minha idéia interessante", Derrow disparou. "Não sou advogado, mas é como se eu estivesse conduzindo a testemunha", Bush admitiu, rindo com ironia ao reconhecer que tinha sido flagrado lendo um roteiro programado.

Num outro ponto do evento, Bush pediu a Derrow para descrever sua empresa, que possui e opera fábricas de ar comprimido. "E aí então nós vendemos ar aos nossos clientes", disse Derrow.

"Então eu e você estamos no mesmo negócio", emendou Bush. "Claro, isso que você fala por acaso não é ar quente?" Como sempre, a multidão vibrou com essa demonstração de humor auto-depreciativo, com Bush sacudindo os ombros rindo de sua própria piada. Presidente reproduz sem perceber o erro em um texto que leu Marcelo Godoy

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