EUA esperam ganhar cem medalhas em Atenas

John Powers
Em Atenas

O Comitê Olímpico Americano apresentou o número na última primavera --100 medalhas em Atenas. Foi um belo número redondo de três dígitos. Fácil de lembrar, fácil de almejar. Mas, quão prático ele é?

Cem é o que o Comitê Olímpico considera "uma meta otimista". É o que representa o lema olímpico "Citius, Altius, Fortius" (Mais rápido, mais alto, mais forte). Dentro da teoria, mas fora de alcance.

Não que 100 seja algo impossível. Os americanos lideraram o quadro de medalhas com 97 há quatro anos, e com 101 em Atlanta, em 1996. Então por que não 119, como os adivinhos do jornal "USA Today" previram? Por que não 111, a contagem da revista "Sports Illustrated"?

Tudo depende de como você calcula as variáveis, e em torno do Olimpo as variáveis mudam diariamente. Nesta quarta-feira (12/08), a velocista Torri Edwards foi suspensa por dois anos por uso de um estimulante proibido e a tenista Serena Williams se retirou dos Jogos por causa de uma lesão no joelho esquerdo. Isto representa pelo menos três medalhas a menos.

E se o nadador Michael Phelps contrair uma infecção viral na próxima semana, como aconteceu com sua companheira de equipe Natalie Coughlin no mundial do ano passado? Quantas de suas oito previstas virarão espuma?

Apesar do Comitê Olímpico ter previsto 100, o número real foi 80 e tantas. Este foi o número a que chegaram seus magos de performance no ano passado, após realizarem suas "Olimpíadas virtuais", com base em como os americanos se saíram em campeonatos mundiais dos quais participaram seus principais rivais.

Este também é o número que servirá de ponto de partida para os próximos quatro anos, à medida que o Comitê Olímpico decide como distribuirá sua verba de US$ 175 milhões. As federações que atingirem seus números ou mostrarem potencial de crescimento aqui verão seus dólares aumentarem. As outras terão explicações a prestar.

Isto é o que mudou nos quatro anos desde Sydney. O Comitê Olímpico agora paga abertamente por produtividade, além dos bônus (US$ 25 mil, US$ 15 mil, US$ 10 mil) que os atletas recebem por medalhas.

Participar das Olimpíadas é admirável, mas o pódio é onde está o pagamento. Esta é a abordagem que Norman Blake, o ex-diretor executivo por curto período do comitê, quis adotar com as federações esportivas do país.

Os puristas olímpicos provavelmente teriam feito em pedaços sua abordagem "dinheiro por medalhas", mas é nisto que se tornou. "Nós deixamos de dividir a torta em 45 pedaços para adotar uma abordagem guiada por performance", disse Steve Roush, o diretor de performance de esportes do comitê. "Está mais próximo da forma como um capitalista de risco aborda as coisas."

Também é a forma como os russos, chineses e alemães abordam as coisas. O Jogos Olímpicos podem ser sonhos, paz e espírito esportivo. Mas também são o evento esportivo mais competitivo do planeta.

Os resultados importam. Assim, o dinheiro do Comitê Olímpico Americano agora vai para as federações e atletas que obtêm resultados. Este é o motivo de o atletismo ter recebido US$ 13 milhões no caminho para Atenas enquanto o tênis de mesa recebeu US$ 840 mil. "Os recursos precisam ser priorizados", disse Roush, "para que não sejam diluídos".

Metade das 100 medalhas que os ianques esperam conquistar aqui provavelmente virão dos mesmos dois esportes dos quais sempre vieram --atletismo e natação. O restante virá em grupos de três ou quatro de modalidades como boxe, ciclismo, vela, tiro, remo e luta greco-romana.

O que o Comitê Olímpico Americano quer fazer é distribuir suas apostas de forma um pouco mais uniforme. "Nós temos que encontrar uma forma de diversificar nossa produção de medalhas", disse Roush. "Nós não podemos depender de duas e torcer por 30 outras."

Assim, o comitê aumentou seu investimento onde considerou haver mais potencial --nos esportes de múltiplas medalhas. Foi como a Alemanha Oriental formou sua dinastia (auxiliada por umas poucas centenas de milhares de seringas) e como os chineses estão preparando seu Grande Salto À Frente quando forem os anfitriões dos próximos Jogos.

O impulso desta vez deverá vir dos ginastas (zero medalhas da última vez, meia dúzia projetada agora), do atiradores, ciclistas e remadores. E se as coisas acontecerem como espera o Comitê Olímpico, a federação americana de remo esquecerá o esquifes de oito, que não conquistam uma medalha olímpica desde 1988, e se concentrará nos barcos pequenos.

Houve um tempo em que as federações pegavam o dinheiro e gastavam como bem entendiam. Agora, o Comitê Olímpico é parceiro delas, com uma pilha de dinheiro para fazer pressão. Assim, quando ele se sentou com elas no início do quadriênio, o comitê quis ver um plano com um número de medalhas anexado a ele. "Nós pedimos metas realistas, porém otimistas", disse Roush.

O Comitê Olímpico Americano estimou pelo menos 20 do atletismo, mas isto foi antes do problema do doping ter arruinado seus números. As duas principais mulheres nos 100 metros nos campeonatos mundiais do ano passado (Kelli White e Edwards) foram suspensas, e a atual campeã olímpica (Marion Jones) não conseguiu se classificar para a prova.

Com o caso Balco (um laboratório da Califórnia) ainda fervendo e um novo teste para hormônio do crescimento humano no horizonte, quem é capaz de dizer quantas medalhas conquistadas aqui serão revogadas mais adiante? "Nós estávamos muito otimistas com o atletismo", disse Roush, "mas a configuração do cenário mudou completamente".

Os nadadores, como sempre, serão uma máquina de medalhas. Eles estouraram as escalas em Sydney, com 33 medalhas, e estão com a melhor equipe masculina desde 1976.

Mas quem é capaz de dizer se os ginastas, que historicamente não se saem bem em Jogos no exterior, poderão repetir as sete medalhas que conquistaram em Anaheim no verão passado? Ou se os remadores finalmente se mostrarão à altura de seu potencial? Ou se os atiradores atirarão direito?

Este é o motivo do verdadeiro número do Comitê Olímpico Americano ser abaixo de 90 medalhas. Mas o que os filmes de Bud Greenspan lhes dizem é que alguém de Afton, Wyoming, ou Mason City, Illinois, ou Newton, Massachusetts, sempre atende ao chamado do Olimpo.

Provavelmente há outro Rulon Gardner, Vic Wunderle ou Ted Murphy em meio àqueles 536 atletas. Este é o motivo dos profetas em Colorado Springs estarem se atendo ao número 100. É apenas outra meta otimista. Comitê Olímpico do país dará prêmio em dinheiro a medalhistas George El Khouri Andolfato

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