História inspirou EUA no 4 x 200 na natação

Reid Laymance
Em Atenas

Algumas vezes, quando o técnico de natação masculina americana, Eddie Reese, começa a falar, Klete Keller tem que rir. "Eddie pode falar sem parar, mas às vezes tem uma boa mensagem no meio do discurso", disse Keller. "Em nossa reunião à tarde, ele nos contou como foi a vitória da equipe de 84."

Reese descreveu como os EUA derrotaram a Alemanha e sua estrela das Olimpíadas, Michael Gross, na prova de revezamento de 4 x 200 metros livres, em uma noite de julho, em Los Angeles. A situação era similar à desta terça-feira (17/08) à noite, e Reese dava uma lição de história para preparar seu time para o mesmo evento contra uma equipe favorita australiana e sua estrela, Ian Thorpe.

A idéia era simples. Michael Phelps ia nadar primeiro, para conquistar a dianteira para os EUA. Ryan Lochte e Peter Vanderkaay iriam depois. Eles dariam uma boa liderança a Keller, que competiria contra Thorpe. Reese achava que Thorpe tentaria pegar Keller logo de início e não teria gás para terminar.

A estratégia funcionou perfeitamente. "Ninguém desistiu, esses sujeitos nos deram a melhor competição de suas vidas", disse Reese, depois que os EUA venceram os favoritos australianos e reconquistaram a alegria perdida quando terminaram em terceiro lugar no revezamento de 4 x 100 metros livres.

Ajudou o fato de os EUA terem Phelps, que minutos antes vencera os 200 metros de borboleta. Phelps, lentamente, colocou uma distância para Grant Hackett da Austrália. Nos 50 metros finais, Phelps já tinha quase meio corpo de liderança.

Quando Lochte mergulhou, os EUA estavam 1.01 segundos à frente do australiano Michael Klim. Klim pegou Lochte depois de 100 metros, mas Lochte, membro mais jovem da equipe aos 20 anos, cresceu nos últimos 50 metros para aumentar a margem. "Fiz o meu melhor, mas não consegui pegá-lo", disse Klim.

A diferença aumentou para 1,11 segundos, com o esforço de Lochte. Isso facilitou a terceira etapa de Vanderkaay, contra Nicholas Sprenger, australiano de 19 anos. Vanderkaay empurrou a liderança para 1,48 segundos. Mas com Thorpe esperando para mergulhar, a pergunta era --será suficiente?

Thorpe, vencedor dos 200 metros livres no dia anterior, acabou com a diferença em relação a Keller nos primeiros 25 metros. "Achávamos que faria isso", disse Reese. Mas Thorpe não conseguiu ultrapassá-lo. Keller e o Thorpedo nadaram lado a lado nos últimos 75 metros da prova. Mas Keller, que ficou em quarto na prova de 200 metros, segurou o famoso Thorpe da braçada macia e tocou primeiro. "Foi uma viagem mágica para eles", disse Klim. "Não podemos esperar que Ian venha vencer todas as vezes."

O tempo total foi de 7:07:33, um recorde americano. "Aqueles últimos 5 metros foram dolorosos", disse Keller, "mas isso faz tudo valer a pena".

A competição de terça-feira à noite foi diferente da de 1984 em um aspecto. Há 20 anos, os EUA eram os favoritos, apesar de a Alemanha ter Gross, que era o Thorpe/Phelps da época. Os EUA tinham batido o recorde mundial nas preliminares pela manhã, mas precisaram de um desempenho ainda melhor para ganhar o ouro na final.

Essa competição foi igual. Mike Heath fez a versão de 1984 de Phelps, nadando a primeira perna para os EUA. Dave Larson e Jeff Float colocaram quase 3 metros de distância do segundo lugar para Lawrence Hayes, que teve que segurar a dianteira ao lado de Gross. Gross pegou Hayes nos primeiros 50 metros e o ultrapassou depois de 100. Hayes não entrou em pânico e conseguiu tocar antes de Gross, em tempo recorde.

"Sabia que tínhamos feito algo especial na época", disse Heath, que soube da notícia pelo rádio em Jacksonville, Flórida. "É bom saber que algumas pessoas ainda se lembram."

O mundo da natação mudou desde então, nos 4 x 200. Os EUA quebraram o recorde mundial pela última vez em 1988. A Equipe Unida da ex-União Soviética venceu-o em 1992, e a Austrália, em 1998. Grande parte disso foi graças a Thorpe e uma legião crescente de nadadores livres do país.

"Foi uma competição impressionante", disse Phelps, que ficou assistindo e torcendo do deque, depois de completar a primeira perna. "Esperamos tanto tempo para derrotá-los. Assim que Klete tocou, eu pulei. Nunca comemorei assim antes."

Certamente não comemorou 40 minutos antes, quando venceu os 200 metros de borboleta, em sua segunda medalha nessas Olimpíadas. Aquele evento tinha quase sido concedido a Phelps, que detém o recorde mundial e é pelo menos um segundo mais rápido do que qualquer outro no mundo neste ano.

Mas, no final, sua liderança ficou um pouco apertada. "Nos últimos 15 metros, vi a aproximação dos outros" --o japonês Takashi Yamamoto, a sua direita, e o inglês Stephen Parry, a sua esquerda. Ambos nadaram os últimos 50 metros mais rápido do que Phelps, mas não conseguiram ultrapassá-lo. Yamamoto ficou com a medalha de prata, e Parry, de bronze.

Vinte minutos depois, Phelps estava no pódio recebendo sua medalha da princesa Anne. Outros vinte minutos e estava nos blocos de largada, pronto para liderar a prova de revezamento.

"Ele é incrível", disse Reese. "O médico da equipe de Fiji estava olhando para ele, noutro dia, e disse que deve ter nascido para nadar. Ninguém sabe o quanto ele trabalha. Entre as provas e a prática, aquecimento e esfriamento, ele deve nadar entre 12.000 e 15.000 metros por dia. Michael pode fazer qualquer coisa."

Com a nova medalha de ouro, sua contagem está em três medalhas de ouro e duas de bronze, nos primeiros quatro dias de competição. Ele não vai vencer o recorde de oito medalhas de ouro, mas isso não parece importar.

"Estou tão feliz com o revezamento", disse ele. "Para mim, essa foi a competição mais excitante da qual participei. Foi igual a de 1984, quando Hayes segurou o Gross."

Mais uma lenda para a natação americana. Nos Jogos de 1984, nadadores do país venceram o mesmo desafio Deborah Weinberg

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