Kerry acusa Bush de apoiar atos de terrorismo

Patrick Healy
Em Washington

O candidato presidencial democrata John F. Kerry disse nesta segunda-feira (13/09) que o presidente Bush é diretamente responsável pelos terroristas e assassinos que tentam comprar fuzis automáticos Kalashnikov AK-47 e outras armas de assalto em exposições e lojas de armas norte-americanas.

Kerry, que acusou Bush e o vice-presidente Dick Cheney de usarem ameaças terroristas para assustar os norte-americanos, a fim de fazer com que estes os reelejam, usou uma das suas linguagens mais sombrias até o momento em um bairro operário de Washington, onde falou sobre o fim da proibição das armas de assalto, que durou uma década.

Cercado de policiais e vítimas da violência armada, Kerry acusou Bush de atender aos interesses do lobby dos armamentos e de não pedir aos seus aliados no Congresso que mantivessem a proibição, que foi endossada pelos republicanos na campanha de 2000.

"George Bush prometeu aos policiais que, quando chegasse a hora, ele renovaria a proibição", disse Kerry no centro comunitário Thurgood Marshall. "Mas quando chegou o momento de fazê-lo, quando chegou a hora de dar um telefonema, de lutar, de liderar, de se levantar e pedir aos Estados Unidos que fizessem aquilo que é certo, os poderosos amigos de George Bush que fazem parte do lobby das armas pediram a ele que olhasse para o outro lado, e ele não pôde resistir e disse, 'claro'".

"Pela primeira vez em dez anos, quando um assassino ou um terrorista entrar em uma loja de armas nos Estados Unidos, quando quiserem comprar uma AK-47 ou outra arma militar de assalto, eles ouvirão uma palavra: 'claro'", disse Kerry. "Hoje, George Bush escolheu tornar mais fácil a tarefa dos terroristas e dificultar o trabalho dos policiais norte-americanos, e isso está completamente errado".

Kerry pediu a continuidade da proibição desses armamentos e o financiamento integral do programa federal Cops --que foi cortado no governo Bush-- para contratar mais 10% de policiais em dez anos, assim como 5.000 promotores locais adicionais.

"Coloca-se um policial na rua, na esquina, e ele vai andar naquela área, conhecendo as pessoas que moram no bairro, e adivinhem o que vai acontecer? Ele vai notar se algum terrorista se mudou para um apartamento", disse Kerry.

A proibição das armas de assalto tornou ilegal a venda de 19 tipos de armas semi-automáticas, muitas das quais são similares às militares, bem como de carregadores com capacidade para mais de dez balas.

Alguns líderes republicanos no Congresso e fabricantes de armas citaram estudos que demonstrariam que a proibição pouco fez para manter tais armas longe das mãos de criminosos, tendo, ao invés disso, impedido que os norte-americanos tivessem a oportunidade de selecionar armas da sua escolha em lojas e exposições especializadas.

Na segunda-feira os jornalistas perguntaram repetidamente ao porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, por que Bush não pediu aos líderes no Congresso que mantivessem a proibição, já que o governo diz que o presidente é favorável à medida.

McClellan se esquivou das perguntas, reiterando o apoio de Bush à continuidade da proibição e dizendo que o Congresso faz o calendário legislativo --ainda que a agenda presidencial geralmente conduza grande parte desse processo.

O comitê da campanha de Bush divulgou uma declaração nesta segunda-feira ressaltando a significativa redução da criminalidade durante a sua presidência, e afirmando que "o índice de vitimização por crimes violentos" está no seu nível mais baixo em 30 anos.

"Durante os primeiros três anos em que o presidente Bush esteve no cargo, o índice de crimes violentos diminuiu 21% com relação aos dois últimos anos da administração anterior", disse o comunicado.

Debates

Kerry passou a tarde da segunda-feira na sua casa em Georgetown se preparando para os esperados debates desse outono com Bush. O democrata montou uma equipe de assessores experientes, incluindo Robert Shrum e Joe Lockhart, e grandes estrategistas do partido --como o advogado de Clinton, Ron Klain, que está fazendo o papel de Bush nos ensaios para os debates--, para ajudá-lo nos enfrentamentos verbais face-a-face com Bush, que poderão ter um efeito decisivo sobre a opinião do eleitor quanto ao senador de Massachusetts.

Segundo os assessores, Kerry encara o presidente como um oponente formidável para debates. "O presidente Bush ganhou todos os debates dos quais participou em sua vida porque fala de forma simples, quase popular, e geralmente mostra-se calmo e confortável consigo mesmo", diz um importante assessor de Kerry que está participando dos preparativos para os debates e que não quis ser identificado.

"O senador Kerry tem uma inteligência excepcional e é um mestre dos detalhes, e o objetivo é mostrar que domina as questões e ao mesmo tempo apelar para o eleitor no nível pessoal", disse o assessor.

Kerry planeja passar várias horas por semana se preparando para os debates, lendo livros de anotações e memorandos preparados por assessores, que trazem respostas curtas com linguagem clara. Em comícios recentes Kerry tem procurado reduzir a duração dos seus discursos de abertura para 15 ou 20 minutos --cerca de metade da duração desses discursos há um mês.

A comissão apartidária que administra os debates presidenciais propôs três enfrentamentos entre Bush e Kerry, sendo que o primeiro está marcado para 30 de setembro em Miami, e um único debate entre o vice-presidente Dick Cheney e o companheiro de chapa de Kerry, o senador John Edwards, da Carolina do Norte. O comitê de Bush deu a entender que preferiria apenas dois debates entre os candidatos presidenciais. Para o democrata, venda de armas de assalto é fomento ao terror Danilo Fonseca

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