Na reta final, Bush ataca e Kerry fala às mulheres

Rick Klein, de Ohio, e
Glen Johnson, em Wisconsin

Em um dia em que ambos os candidatos percorreram o mapa cada vez mais estreito dos Estados indefinidos, o presidente Bush disse nesta sexta-feira (22/10) que as políticas do senador John Kerry colocarão as famílias americanas em risco, e Kerry sensibilizou as mulheres trabalhadoras aos expor seus planos para saúde, educação e criação de empregos.

Os candidatos estão entrando nos últimos 10 dias de campanha traçando opções contrastantes para os eleitores. Diante de um eleitorado ainda volátil --espalhado por um pequeno trecho do país-- ambos estão travando o jogo delicado de alertar os eleitores contra as políticas de seu oponente ao mesmo tempo em que buscam manter um tom otimista.

Bush, fazendo campanha nos três maiores campos de batalha eleitorais, apresentou uma versão revisada do discurso retratando Kerry como fraco no terrorismo e liberal em questões como impostos e valores familiares.

Ele descreveu "opções claras" diante dos eleitores sobre segurança nacional, economia, qualidade de vida, aposentadoria e valores, e disse que seus planos são claramente preferíveis em cada frente. Bush atacou Kerry particularmente em impostos, dizendo que o democrata de Massachusetts "deve realmente gostar" de aumentar impostos, dado seu retrospecto.

"A segurança e a prosperidade de nosso país, a saúde e a educação de nossos cidadãos, a aposentadoria de nossos idosos, e a direção de nossa cultura estão todos em risco", disse Bush em Wilkes-Barre, Pensilvânia, onde participou de um comício antes de seguir para Ohio e para a Flórida na sexta-feira. "Meu oponente passou grande parte desta campanha falando sobre o que passou. Eu estou olhando para frente."

Kerry usou uma aparição de campanha em Milwaukee (Estado de Winsconsin) para se concentrar em questões das mulheres, em uma tentativa de atrair um eleitorado chave para suas esperanças presidenciais. Ele acusou Bush de ignorar a desvantagem salarial enfrentada pelas mulheres e o acusou de não tratar das preocupações das mulheres na saúde e na educação.

Dois milhões de mulheres perderam seguro saúde durante o governo Bush, disse Kerry, e as escolas ficaram sem US$ 29 bilhões em recursos federais, que elas esperavam quando o presidente assinou a lei de reforma da educação Nenhuma Criança Deixada para Trás.

"O fato simples é: este presidente está sem contato com a realidade e está sem idéias, e nós precisamos de um presidente que possa mudar isto", disse Kerry para um público composto na sua maioria por mulheres na Universidade de Wisconsin-Milwaukee. "Eu lhes digo isto: este presidente pode distorcer os fatos quanto quiser, mas no final do dia, em quem ele acha que as mulheres americanas acreditarão? Nele ou em seus próprios olhos?

Os assessores de Kerry disseram que o discurso é o primeiro de uma série que visa convencer os eleitores indecisos de que ele tem um plano para o país, e que não está concorrendo apenas para derrubar Bush. Só nesta semana ele já falou sobre terrorismo e segurança nacional, Seguro Social e saúde.

"Não é exagero dizer a vocês que as mulheres da América podem escrever o futuro da América se forem às urnas e fizerem suas vozes serem ouvidas", disse Kerry, que estava acompanhado de sua irmã e de uma de suas filhas, e que foi apresentado por Caroline Kennedy Schlossberg, a filha do presidente John F. Kennedy. "Imaginem se as cerca de 38 milhões de mulheres que não votaram em 2000 se unissem e dissessem: 'Nós precisamos de um presidente que esteja do nosso lado'".

Enquanto isso, Bush prosseguia seu ataque contra a abordagem de Kerry para combater o terror. Ele se aproveitou de um recente comentário de Richard Holbooke, um ex-embaixador da ONU e conselheiro de Kerry, que disse que a guerra contra o terrorismo é mais bem entendida como uma "metáfora" em vez de uma guerra no sentido literal.

"Eu trago notícias: qualquer um que achar que estamos combatendo uma metáfora não entende o inimigo que enfrentamos e não tem idéia de como vencer a guerra e manter a América segura", disse Bush em Wilkes-Barre.

A mensagem de campanha do presidente foi reforçada por uma nova propaganda, que os assessores disseram que terá exibição maciça nesta semana nos 14 Estados indefinidos. A propaganda mostra uma matilha de lobos se movendo em meio a uma floresta densa e diz que a presidência de Kerry tornará o país vulnerável aos terroristas, porque "fraqueza atrai aqueles que aguardam para ferir a América".

O companheiro de chapa de Kerry, John Edwards, disse em um evento de campanha na Flórida que o governo continua enganando o povo americano sobre a situação no Iraque e o histórico de Kerry no combate ao terror.

"Eles desceram tão baixo agora que estão usando uma matilha de lobos correndo em uma floresta, tentando assustar vocês e tentando assustar o povo americano", disse Edwards.

Com as pesquisas mostrando mais americanos acreditando que Bush protegeria melhor a nação contra um ataque terrorista, Kerry abriu um discurso que se concentraria em questões de gênero, economia e educação com uma declaração incomumente descritiva sobre seu compromisso em eliminar os terroristas e manter o país seguro.

"Assim como lutei por meu país na minha juventude, e assim como dediquei minha paixão na proteção do meu país e cacei para matar os inimigos naquela época, eu lhes garanto, eu não deixarei nenhuma pedra intocada para proteger este país que amo", disse ele.

Após sua aparição em Wisconsin, Kerry voou para Reno para um comício e então para Pueblo, Colorado, antecipando outro comício na manhã de sábado. Bush tem quatro paradas previstas no sábado, na Flórida.

Bush visitou a Pensilvânia e Ohio na sexta-feira, em meio a sinais de que sua campanha está se debatendo em esforços para conquistar aqueles dois Estados chaves. Uma nova pesquisa da Universidade Quinnipiac mostra Kerry com 51% contra 46% entre os eleitores prováveis na Pensilvânia, onde Bush perdeu quatro anos atrás. E a visita do presidente a Ohio na sexta-feira foi sua primeira em quase três semanas, já que as pesquisas mostram que ele está perdendo apoio no Estado, onde venceu em 2000.

Karl Rove, um alto conselheiro da Casa Branca, disse não estar preocupado sobre as mudanças nas pesquisas. Ele disse que a campanha fará um esforço intenso e final em Ohio --apoiado por uma enorme organização voluntária-- e disse esperar que muitas pessoas que agora apóiam Kerry desistirão dele nos últimos dias.

"Há muitas pessoas que [estão dizendo que] votarão nele mas que não o apóiam", disse Rove. "Nós nos sentimos bem em nossa posição. Nós estivemos muitas vezes aqui (em Ohio). Nós ainda passaremos muitas vezes por aqui até a eleição." Democrata tenta cooptar eleitorado feminino; presidente cita medo George El Khouri Andolfato

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