Bush quer 'ressaltar grandeza dos EUA' na posse

Rick Klein
Em Washington

O presidente americano George W. Bush resistiu aos pedidos para reduzir os custos estimados em US$ 40 milhões (em torno de R$ 100 milhões) que serão gastos nas festividades da posse de seu segundo mandato, nesta quinta-feira (20/01), apesar da violência no Iraque e do desastre do tsunami na Ásia e na África, no mês passado.

Bush vê a posse como uma oportunidade para "ressaltar a grandeza dos EUA", disse Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca, e preferiu não refrear a pompa.

Essa decisão reflete a segurança com que o presidente está entrando em seu segundo mandato de quatro anos. Um homem que raramente exibe dúvidas tirou mais força de sua vitória em novembro. Diferentemente de quatro anos atrás, quando tomou posse apenas depois de uma saga de 36 dias, a vitória de Bush sobre o senador John Kerry não está sendo seriamente questionada, e Bush deixou claro que vê a reeleição como um endosso as suas políticas.

"Acho que as decisões que fiz nos últimos quatro anos tornarão o mundo um lugar melhor", disse Bush em entrevista, nesta semana, à ABC News. "Tenho a responsabilidade de tentar unir este país, para alcançar coisas grandes para todos americanos. Direi isso em meu discurso inaugural. Estou animado com o desafio."

O presidente Bush será empossado com um "discurso de liberdade". O texto sugere que devem ser aproveitadas as oportunidades que surgem em uma época de desafios econômicos e de segurança. Ele vai apresentar sua visão para o estabelecimento de uma "sociedade de propriedade" nos EUA e de disseminação da liberdade em todo o mundo.

Em meio a uma previsão de neve na capital, além da ameaça de segurança sem precedentes, Bush fará um discurso inaugural otimista, afirmando seu compromisso de unir o país para superar obstáculos impostos pelos terroristas, problemas de saúde mundiais e programas domésticos antiquados, como o de previdência social e do código tributário, de acordo com membros da Casa Branca e Republicanos.

Na quarta-feira à noite, em uma celebração ao ar livre na Elipse de Washington, ao sul da Casa Branca, Bush disse que sabe que seu cargo "envolve um dever com todo o país" e prometeu servir a todos os americanos em seu segundo mandato.

"Nenhuma noite é fria demais para se celebrar a liberdade", disse Bush à multidão entusiasmada. "Esta é a causa que une nosso país, dá esperança ao mundo e nos levará a um futuro de paz. Temos um chamamento que vem de além das estrelas, para defendermos a liberdade, e os EUA sempre serão fiéis a essa causa."

O presidente vai descrever seu projeto ambicioso para os próximos quatro anos em linhas gerais, ao anunciar os princípios de responsabilidade pessoal e liberdade que o motivam como líder, disse McClellan.

"Esta é uma semana para realmente unir as pessoas em torno dos desafios comuns que enfrentamos e falar sobre os ideais e valores que cultivamos e apreciamos tanto", disse McClellan. "É um discurso de liberdade. O presidente vai falar sobre o poder da liberdade. A paz é assegurada quando há aumento de liberdade."

Na quarta-feira, o presidente deu os retoques finais em seu discurso de 17 minutos, que ele poliu em práticas inseridas entre uma série de concertos, recepções e refeições para a semana da posse. A noite culminou com uma recepção para 10.000 amigos e patrocinadores, em uma festa com um tema do Texas, "Black Tie e Botas", com o cantor Lyle Lovett, o touro mascote da Universidade do Texas, um tatu e um jacaré.

Com o trânsito bloqueado em cerca de 100 quarteirões do centro de Washington e as primeiras nevadas seguidas da estação, o cortejo de Bush atravessou a cidade pela manhã, para visitar os Arquivos Nacionais. Ali, o presidente viu a Declaração da Independência, a Constituição e objetos pessoais de George Washington, inclusive duas páginas escritas à mão de seu discurso inaugural. Perguntado se tinha consciência da importância histórica da posse, o presidente respondeu, "absolutamente".

Ao meio dia, nos degraus do Capitólio, Bush, 58, tornar-se-á o 16º presidente a tomar posse para um segundo mandato, a não ser que o tempo seja tão inclemente que force a mudança do evento para dentro do prédio. A cerimônia e a parada de 2,7 km que se seguirá serão cheias tradição e pompa. Bush colocará sua mão na Bíblia usada por seu pai, em sua posse em 1989, e lerá um juramento feito pela primeira vez por Washington, em 1789. O juiz da Suprema Corte William H. Rehnquist, que tem câncer na tireóide, administrará o juramento presidencial pela quinta e provavelmente última vez.

Ken Mehlman, ex-gerente de campanha de Bush que foi eleito diretor do Comitê Republicano Nacional na quarta-feira, elogiou Bush por se manter verdadeiro ao "princípio básico de liberdade" e disse que os resultados das eleições são uma declaração clara em favor de sua política.

Os assessores de Bush disseram que o discurso evitará menção aos objetivos específicos de Bush, já que fará um pronunciamento mais detalhado do Estado da União no dia 2 de fevereiro. No entanto, Bush já afirmou claramente muitas de suas prioridades, desde a previdência social até à simplificação dos impostos e disseminação da democracia e da liberdade. Enquanto isso, a oposição dos Democratas e de seu próprio partido cresce.

Bruce Buchanan, professor de governo da Universidade do Texas, em Austin, que acompanha a carreira de Bush há muito tempo, acredita que o presidente, em seu discurso inaugural, vai omitir os obstáculos as suas prioridades. Em vez disso, deve se concentrar em princípios gerais --liberdade, direito de posse, união dos partidos-- que atrairá poucos detratores. Essa é uma oportunidade para Bush alcançar um público amplo e tentar levá-lo para seu lado de forma a alcançar suas metas, disse Buchanan.

"Isso é difícil, quando observamos como seu governo foi partidário", disse ele. "Esse não é o lugar para discutir detalhes. Mas uma oportunidade para fazer o público ver o que ele quer fazer distante da ideologia, com o verniz harmonioso de uma celebração".

Os organizadores esperam 500.000 pessoas lotando as ruas de Washington, na quinta-feira, para poder ver a parada que levará Bush do Capitólio à Casa Branca. Foram armadas barreiras de aço e concreto para controlar as multidões e dar segurança à rota. Também são esperados milhares de manifestantes, em vários comícios contra a guerra e bailes "contra a posse". Um grupo está se organizando para que milhares de pessoas acompanhando a parada virem de costas para o presidente quando seu carro passar.

A Casa Branca fez esforços, nesta semana, para reconhecer as forças armadas. As festividades começaram formalmente na terça-feira à noite, com um tributo de duas horas às tropas uniformizadas. O presidente agradeceu às forças armadas novamente na noite de quarta-feira, na celebração na Elipse.

McClellan disse aos repórteres na Casa Branca que o discurso do presidente vai se concentrar em como os "ideais e valores" americanos podem promover seus interesses. Sob a bandeira ampla da liberdade, ele discutirá o desejo de maior responsabilidade pessoal por oportunidades de posse em saúde e aposentadoria, assim como a habilidade de tornar a nação mais segura pela disseminação da liberdade e da democracia a nações oprimidas, disse McClellan.

"O presidente vai falar sobre a importância do caráter, e as observações também vão salientar a filosofia que nos guia, enquanto trabalhamos juntos para construir um mundo melhor e mais esperançoso, e um país mais forte", disse ele. Presidente ignora apelos para evitar pompa, em respeito ao tsunami Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos