Tentativa de suborno acarreta a prisão de 57 brasileiros em Massachusetts

Shelley Murphy
Em Boston

Cinqüenta e sete imigrantes brasileiros que trabalhavam para uma companhia de limpeza em Allston (perto de Boston, Massachusetts) foram colocados sob custódia nesta semana.

Eles podem enfrentar a deportação uma vez que o seu patrão foi preso, acusado de ter tentado subornar um agente dos serviços de imigração para obter duas "green cards" (cartão verde --autorização para permanecer e trabalhar em território americano) para ele e a sua mulher.

José Neto, 38, um brasileiro nativo que estava gerenciando a firma Spectro --Serviços de Limpeza, fora da sua casa, no número 33 da rua Blaine em Allston, foi preso nesta terça-feira (15/03), acusado pela polícia federal de tentativa de corrupção de um agente e de contratar deliberadamente imigrantes que não possuíam nenhuma autorização de trabalho.

A prisão conduziu as autoridades até a sua companhia de limpeza, onde foram descobertos dezenas de brasileiros que são suspeitados de terem entrado no país ilegalmente.

A mulher de Neto, Marli Oliveira, e os empregados da companhia de limpeza, entre os quais 54 homens e três mulheres que moram nos Estados de Massachusetts e Connecticut, estão sendo mantidos sob custódia na casa de detenção Suffolk, em South Bay.

Ao que tudo indica, eles deverão ser submetidos a medidas de deportação, a serem determinadas por um juiz da imigração, segundo informou Paula Greniere, uma porta-voz dos Serviços de Imigração e de Alfândega.

A juíza da magistratura americana, Judith Dein, determinou que José Neto aguardasse a audição da próxima segunda-feira (21), quando será definido se ele deverá ou não permanecer preso sem direito a fiança até que o caso seja resolvido.

Neto era um dos 700 súditos estrangeiros suspeitos, instalados em Massachussets, que receberam uma carta em agosto passado, enviada por funcionários dos serviços de imigração, convocando-os a se apresentarem para regularizar a sua situação de imigrantes. As cartas foram enviadas às pessoas suspeitas de terem comprado documentos fraudulentos do Seguro Social de uma quadrilha especializada em roubar carteiras de identidade.

Durante uma entrevista com um agente da Alfândega, em 24 de setembro, no Edifício JFK em Boston, José Neto supostamente admitiu ter entrado no país ilegalmente uma década atrás, e ofereceu ao funcionário a quantia de US$ 20.000 (R$ 55.044) entre troca de duas "green cards", para ele e sua mulher.

Esse relato, que faz parte de uma série de documentos oficiais sobre o caso encaminhados pelos serviços de imigração, foi incluído junto com os autos do processo na corte federal.

Durante uma série de reuniões com o agente federal, que ocorreram entre setembro e dezembro de 2004, e que foram gravadas em vídeo sem o conhecimento de José Neto, este pagou US$ 20.000 para as "green cards", e mais US$ 9.000 (R$ 24.770) para garantir a liberação de dois dos seus amigos que se encontravam sob a custódia de agentes da alfândega por terem entrado no país ilegalmente, segundo informa o documento encaminhado ao tribunal.

Dois dos empregados de Neto disseram aos funcionários da alfândega que eles costumavam receber o pagamento do seu salário em espécies, salvo algumas exceções, quando eles recebiam um cheque, e que Neto nunca efetuou quaisquer deduções sobre o ordenado em função do pagamento dos impostos retidos na fonte, segundo informa um relatório elaborado por Teresa Courtney, uma agente especial do serviço de repressão das fraudes no Departamento de Imigração e de Alfândega.

Fausto da Rocha, o diretor geral do Centro dos Imigrantes Brasileiros em Allston, declarou que Neto "obteve bastante dinheiro" ao empregar compatriotas que haviam imigrado ilegalmente, e, sobretudo, sem pagar nenhum imposto. Rocha acrescentou que ele causou sérios problemas a todos eles quando ele supostamente tentou subornar um agente federal.

O promotor americano de justiça Michael J. Sullivan, cujo escritório está instruindo o processo contra Neto, publicou um comunicado nesta quinta-feira (17) no qual ele afirma: "As leis de imigração existem para proteger os cidadãos americanos". Imigrantes ilegais trabalhavam para brasileiro que dirigia firma Jean-Yves de Neufville

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