Arábia Saudita nega possibilidade de reduzir os preços do petróleo no curto prazo

Farah Stockman
Em Washington

A Casa Branca manifestou a sua satisfação, nesta segunda-feira (25/04), com um plano anunciado pelo príncipe Abdullah, herdeiro da coroa saudita, visando a aumentar a produção de petróleo no longo prazo.

Contudo, os dirigentes americanos reconheceram que este plano poderá ter um efeito imediato bastante limitado em relação aos preços atuais do petróleo, que se encontram atualmente nas alturas. De fato, o petróleo está cotado a US$ 2,28 (R$ 5,77) por galão (nos Estados Unidos, medida equivalente a 3,8 litros).

Bush apelou os sauditas a contribuírem no sentido de reduzir os preços dos combustíveis, durante suas intervenções em público na semana passada, e por ocasião de reuniões reservadas com dirigentes da Arábia Saudita na sua fazenda em Crawford, no Texas, nesta segunda-feira.

"O príncipe herdeiro está ciente de que esta questão é da maior importância (...) e de que é preciso garantir que os preços [do petróleo] retornem para um patamar razoável", declarou aos repórteres o presidente Bush, pouco antes do seu encontro com o príncipe Abdullah. "Estou aguardando esta reunião para conversar com ele... a respeito das capacidades de produção do seu país".

Bush também aproveitou a oportunidade para exercer uma pressão no sentido de obter a aprovação, por parte do Senado, do seu projeto de lei sobre energia, o qual, conforme argumentaram funcionários da administração, aumentaria o abastecimento e diversificaria a produção de energia.

A Arábia Saudita, que é o terceiro fornecedor mais importante de petróleo bruto dos Estados Unidos, controla as maiores reservas petrolíferas do mundo e desponta como o líder de fato da Opep, a organização dos países produtores e exportadores de petróleo.

Durante as reuniões que foram realizadas no domingo e na segunda-feira com George W. Bush, o vice-presidente Dick Cheney e a secretária de Estado Condoleezza Rice, os dirigentes sauditas se comprometeram a aumentar a sua capacidade de produção, a qual passaria do limite atual de 11 milhões de barris de petróleo por dia para 12.5 milhões de barris/dia em 2009, e, eventualmente, acima de 15 milhões de barris por dia.

Contudo, Adel al-Jubeir, o conselheiro para assuntos de relações exteriores do príncipe herdeiro Abdullah, indicou na segunda-feira que a Arábia Saudita não havia se comprometido a tomar quaisquer medidas no sentido de reduzir os preços no curto prazo. Ele precisou que os altos preços eram decorrentes, em parte, da demanda elevada por petróleo por parte de economias emergentes tais como a China e a Índia.

"O que nós queremos é vender petróleo a todo e qualquer país que queira comprá-lo", acrescentou Jubeir. "O que nós não podemos fazer, é simplesmente produzir um barril de petróleo e deixá-lo na calçada, numa esquina, e dizer: 'Venham e sirvam-se"'.

Referindo-se às possíveis medidas que o seu país poderia tomar no curto prazo, Jubeir informou que a Arábia Saudita poderia fornecer uma quantidade adicional de 1,3 milhão a 1,4 milhão de barris por dia aos Estados Unidos, mas ele acrescentou que as companhias americanas ainda não têm a capacidade para refinar esses volumes excedentes.

Ele explicou que o fato de manter os preços num patamar excessivamente baixo iria incentivar o desperdício e a dependência continuada em relação ao petróleo, o qual, mais cedo ou mais tarde, terá as suas reservas esgotadas.

Esta reunião no Texas, que incluiu uma discussão a respeito do conflito palestino-israelense, e sobre a perspectiva do ingresso da Arábia Saudita na Organização Mundial do Comércio (OMS), ocorreu no momento em que Bush estava se preparando para uma batalha no Senado, onde ele precisa obter a aprovação de um projeto de lei visando a reformar o setor energético que, segundo ele, trará soluções para as necessidades do país em petróleo.

O projeto de lei, que já provocou profundas divisões no Congresso, inclui uma redução das taxas cobradas das companhias sobre a produção de petróleo e de gás, visando a aumentar a produção. O projeto ainda abriria as reservas ecológicas da região desértica do Ártico e do Alasca para a perfuração de poços, e financiaria a construção de dois reatores nucleares de tecnologia avançada.

O projeto de lei também inclui o financiamento das pesquisas sobre o hidrogênio, o qual seria utilizado para abastecer os carros.

Mas os opositores de Bush afirmam que a maior parte dos financiamentos propostos pelo projeto de lei destina-se, sobretudo, a ajudar as já ricas companhias petroleiras, e que a reforma encampada pelo governo não destina fundos em quantidade suficiente nem para promover as fontes alternativas de energia, nem para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação ao petróleo estrangeiro.

"O que está errado é que o presidente deixou a nossa política energética nacional definhar de tal forma que ele está reduzido hoje a pedir favores a um príncipe estrangeiro", disse o deputado americano Ed Markey, um democrata de Massachusetts, numa nota à imprensa.

"Infelizmente, a aprovação do projeto de lei republicano sobre energia vai tornar as coisas ainda piores do que elas estão, ao aumentar mais ainda os preços da gasolina, enquanto a nossa dependência em relação ao petróleo deverá crescer de maneira até mesmo perigosa".

Os opositores também afirmam que o projeto não oferece nenhuma solução para o problema do aumento do consumo de petróleo nos Estados Unidos.

Uma emenda que teria obrigado as construtoras de automóveis e de veículos utilitários e esportivos a fabricarem modelos mais eficientes e econômicos --com um consumo de cerca de 14 quilômetros por litro de gasolina até 2015-- foi derrotada.

Os Estados Unidos consomem cerca de 21 milhões de barris de petróleo por dia --12 milhões dos quais são importados, segundo dados que foram publicados pelo Departamento americano de energia.

A China, com a sua população de mais de 1 bilhão de pessoas, consome mais ou menos 5 milhões de barris por dia, enquanto a Índia consome pouco mais de 2 milhões de barris/dia, segundo as estatísticas mais recentes disponíveis.

Bush e Abdullah também conversaram sobre as perspectivas de paz no conflito palestino-israelense. Abdullah propôs que as nações árabes reconheçam Israel se os israelenses se retirarem dos territórios que eles conquistaram durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, enquanto Bush incentivou os sauditas a fornecerem um maior apoio financeiro para o novo governo palestino. Príncipe saudita diz ao presidente Bush que aceita subir produção Jean-Yves de Neufville

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